"O Papa faz a Igreja voltar à Idade Média", diz o teólogo Hans Küng, chamando em causa Bento XVI. Em uma entrevista à revista Stern, Küng – cuja "missio canonica", a autorização para o ensino da teologia católica, foi revogada pela Congregação para a Doutrina da Fé em 1979 – afirma que, nas questões da fé, o Papa se expressa, "com base em sua fé bávara", de modo "surpreendentemente ingênuo, às vezes pré-moderno e populista".
A reportagem é do jornal La Repubblica, 15-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Küng, que tem 81 anos, prossegue suas críticas explicando que "a atual política do Vaticano é um fiasco. A tentativa de obrigar a Igreja a voltar à Idade Média é vazia. Não se pode voltar aos velhos tempos".
Em 1966, foi Küng quem chamou Joseph Ratzinger a ensinar na universidade de Tübingen e, na entrevista, ele lamenta que o Pontífice "não continuou no caminho da reforma como eu fiz. Agora, não nos encontraremos com essa divisão da Igreja católica do alto e de baixo. Eu represento a de baixo; ele, a do alto".
Na entrevista, o teólogo reivindica o direito de toda pessoa decidir sobre sua própria morte. "Não quero perder o momento certo – explica –, e esse momento depende da minha responsabilidade, não da responsabilidade da Igreja, do Papa, de um padre, de um médico ou de um juiz".
Küng afirma ainda que vê com serenidade a morte e diz-se "curioso para ver o que vai acontecer do outro lado. Não acredito nessas representações simplistas do céu, como a de sentar em uma cadeira dourada cantando aleluia". Küng declara que não crê na ressurreição da carne, mesmo afirmando que, no céu, gostaria de se encontrar alguém, "de preferência Mozart, em vez de Willy Brandt [político social-democrata alemão]".
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