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| 5/10/2009 |
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Sumatra: quatro mil mortos em terremoto |
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"Estou vivo, mas não sei ainda por quanto tempo. Espero com todas as minhas forças poder abraçá-los de novo. Amo vocês". Um SMS para a mãe e o pai. O último grito de ajuda de quem está soterrado sob toneladas de pilares e cimento, que é o que resta do Hotel Ambacang, um moderno edifício de seis andares que o terremoto conseguiu amassar como uma folha de papel.
Do autor dessa mensagem, sabe-se apenas que estava de férias em Padang e ocupava o quarto 338, antes de que, às 17h 15min da quarta-feira 30 de setembro, o pavimento se abrisse debaixo dos seus pés, engolindo-o.
"Não é o único que ainda está com vida", conta o coronel Boy Rafli Amar, que coordena os socorro. "Sob os destroços desse hotel, há pelo menos outros oito. Estamos fazendo o impossível para salvá-los". E justamente o celular, protagonista absoluto do nosso tempo, está fazendo a sua parte também nesta tragédia. São muitos os SOS que chegaram via celular para parentes e amigos daquele inacessível "lá embaixo".
A reportagem é de Renato Caprile, publicada no jornal La Repubblica, 04-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Entre as infinitas emergências – comida, água, remédios – que a ilha de Sumatra está vivendo, a de resgatar os sobreviventes é a prioridade das prioridades. É por isso que se escava com todos os meios, mas em silêncio, para captar vozes, lamentos, choros, palmas. Um sinal de vida qualquer. Seriam pelo menos quatro mil, segundo as estimativas da ONU e da Cruz Vermelha os prisioneiros desse imenso caixão de pedras que se tornou o oeste da Sumatra. Homens, mulheres e crianças que estão buscando de toda as formas, antes que as forças lhe abandonem, mostrar ao mundo que está do lado de fora: "Estou aqui, lhes imploro, tirem-me daqui".
Mas as operações de socorro são lentas. Padang, com cerca de um milhão de habitantes, está quase totalmente destruída. E depois não há muitas retroescavadeiras e muitas vezes é preciso parar quando escurece, porque os frequentes blecautes não permitem que se utilize as máquinas fotoelétricas. Noventa e seis horas depois, a situação na parte ocidental de Sumatra e nas centenas de vilarejos que a circundam é de alarme vermelho. O risco de epidemias é altíssimo por causa das centenas de cadáveres em decomposição que infectam o ar.
Mesmo que o tempo para salvar quem ainda está preso debaixo das toneladas de detritos quase já acabou, o responsável pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e da Meia Lua Vermelha, Bob McKerrow, não perdeu a esperança. "Tenho experiência em grandes terremotos, infelizmente", diz. "E sei que, se há um pouco de ar, pode-se resistir até sete dias. Faz calor aqui fora, mas por sorte é frio lá dentro. O importante é que se consiga respirar".
Os números oficiais não fazem justiça com o tamanho real dessa tragédia. As autoridades indonésias ainda não atualizaram o balanço das vítimas, que permanece parado em 777 mortos confirmados e menos de 400 desaparecidos. A ONU estima em pelo menos 500 mais.
Mas o balanço é infelizmente provisório e ainda não leva em conta as centenas de vilarejos que se encontram nas montanhas em torno a Padang. Seria melhor dizer que "se encontravam", visto que foram em grande parte varridas do mapa. Antes do terrível tremor e após os desmoronamentos.
Segundo fontes locais, as vítimas dessa região seriam pelo menos 400. Dezenas de casas teriam sido sepultadas sob quatro metros de lodo. No pequeno centro de Pulau Aia não foi encontrado nenhum sobrevivente. Foram encontrados só 26 corpos, enquanto continua se escavando entre os escombros de um edifício onde 400 pessoas estavam festejando um casamento. Outros 200 cadáveres teriam sido encontrados nas pequenas regiões de Cumanak e Lubuk Laweh.
"Sejam rápidos. Falta-nos tudo". O apelo das autoridades indonésias ao mundo foi imediatamente acolhido pelos países da região. Os primeiros esquadrões de socorro internacionais que chegaram neste sábado provêm do Japão, da Austrália, da Coreia do Sul e de Singapura. E já estão trabalhando com a ajuda de cães farejadores e equipamentos de raios infravermelhos. |
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