Mais um funcionário da France Telecom cometeu suicídio, nessa segunda-feira, 28 de setembro, pela manhã, em Alby sur Cheran, na Haute-Savoie, elevando para 24 o número de suicídios na empresa desde fevereiro de 2008. A informação revelada pelo Le Dauphiné Libéré, foi confirmado pela direção do grupo. O empregado jogou-se de um viaduto e deixou uma carta para a empresa.
A reportagem é do Le Monde, 28-09-2009. A tradução é do Cepat.
O CEO da empresa Didier Lombard dirigiu-se imediatamente para Annecy-le-Vieux, local de trabalho do empregado e pela primeira vez depois de um suicídio anunciou, à noite, após sair de uma reunião com representantes sindicais, que a empresa decidiu por fim "ao princípio da mobilidade forçada de transferência a cada três anos”. Ele também anunciou a suspensão imediata das metas individuais e assegurou que todas as propostas dos representantes do pessoal Annecy serão levadas em conta nas negociações nacionais sobre o stress no trabalho na France Telecom.
Vaiado em sua chegada no final da tarde, o Sr. Lombard declarou diante de centenas de empregados em um clima de tensão: "É um evento dramático que me comove profundamente. A família da France Telecom está chocada", antes de sublinhar que "a poucos dias, nós poderíamos ter evitado esta tragédia", o funcionário que cometeu suicídio tinha um compromisso na noite de segunda-feira com o médico do trabalho.
Após o novo suicídio, o ministro do Trabalho, Xavier Darcos solicitou ao CEO da France Telecom "para acelerar as negociações sobre a prevenção dos riscos psicossociais" dentro da empresa. Pressionado pelo governo, a France Telecom se comprometeu a adotar práticas de gestão "mais humana" para interromper a “infernal espiral de suicídios". Didier Lombard, no entanto declarou que não era possível, conforme solicitado pelos sindicatos, pôr um fim à "reestruturação" da empresa que conta com 102 mil empregados.
"A France Telecom poderá suspender, pelo menos, a mobilidade forçada até ao fim das negociações com a direção, em meados de dezembro e não em 31 de outubro como está atualmente previsto," disse Patrick Ackermann secretário nacional da SUD-PTT, que dirige o Observatório do stress e da mobilidade forçada da empresa.
Após uma série de suicídios e de casos de trabalho dramático, os sindicatos pediram o cancelamento de demissões e das transferências forçadas de locais de trabalho. Esta política, dizem os sindicalistas é a origem do mal-estar profundo dos funcionários e vem desde que o Estado tornou-se uma sociedade anônima em 1996, cujo acionista majoritário é privado desde 2004. Didier Lombard foi interpelado diretamente pelo Ministro do Trabalho, Xavier Darcos, que lembra que o Estado é o maior acionista individual da France Telecom.
O Programa de ação da France Telecom inclui além do congelamento das transferências forçadas até 31 de outubro, uma auditoria com 250 pessoas sobre o fenômeno do suicídio e a abertura de negociações com os sindicatos para a implementação de um acordo inter-profissional sobre o stress no trabalho. Estas negociações, que começam terça-feira, centrar-se-ão em cinco áreas: organização do trabalho, condições de trabalho, a mobilidade, a separação entre trabalho e a vida privada e os órgãos representativos dos trabalhadores.
O Ministério do Trabalho pediu novas medidas para a France Telecom: o estabelecimento de uma gestão com garantias dos empregos, oferecer aos funcionários "visibilidade" e interromper as transferências consideradas brutais. Xavier Darcos pediu também para se "levar em conta as circunstâncias pessoais dos trabalhadores”. Os médicos do trabalho foram mobilizados e Didier Lombard prometeu recrutar centenas de funcionários para a luta contra o problema e oferecer um serviço de assistência psicológica aos empregados que necessitam de ajuda.
"A intervenção do Estado vem tranqüilizar os funcionários”, admite Peter Morville, delegado sindical da central CGC-Unsa. “Mas é preciso partir da França Telecom medidas concretas e rápidas”, disse ele. Entre as reivindicações: a aposentadoria antecipada de 10 a 14 mil empregados - a idade média do grupo é de 48 anos - a manutenção do estatuto de funcionário e a saída do Chefe do Executivo Pierre-Louis Wenes.
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