Os laboratórios farmacêuticos receberam pedidos recordes de vacinas dos Países. Trata-se agora de correr atrás dos compromissos assumidos e cumpri-los. A reportagem é de Anne de Guigné e está publicada no jornal francês Le Figaro, 30-07-2009. A tradução é do Cepat.
É uma corrida contra o relógio cujas peripécias são guardadas em segredo. Quando a pandemia da gripe A (H1N1) atingir a Europa, em setembro, os laboratórios farmacêuticos não estarão comprometidos com as datas da comercialização das vacinas.
No final de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) entregou a todos os produtores de vacinas as cepas do vírus. Em seguida, os laboratórios começaram a “cultivar” em ovos de galinha a substância central das vacinas (do antígeno) que irá permitir que os pacientes desenvolvam anticorpos. No começo de agosto, serão realizados os primeiros testes clínicos. Os voluntários receberão duas doses da vacina com um intervalo de 21 dias entre uma e outra. Depois da primeira injeção, ainda será preciso esperar aproximadamente um mês para que sejam realizadas as análises finais. No melhor dos casos, os laboratórios deverão liberar as vacinas em outubro. Mas, muitas incógnitas persistem. “Todos os laboratórios são limitados na sua capacidade de produção”, explica Odile Rundkuist, analista da Helvea, “visto que o rendimento da vacina – a quantidade de antígeno fornecido por cada ovo – é bem menor que o previsto”.
A comunidade científica teme uma mutação radical do vírus no outono: o processo deveria, então, ser retomado desde o seu princípio, e as novas vacinas sairiam apenas na primavera. Se o vírus evoluir pouco, o laboratório suíço Novartis, que se apóia sobre uma tecnologia de culturas celulares, reputada como mais rápida que a produção de ovos, poderia ser o primeiro a comercializar a sua vacina. Ele já teria recebido pedidos que ultrapassam as 100 milhões de doses. Cada vacina deverá ser vendida por aproximadamente 10 dólares.
Alta de 10% do resultado
A GlaxoSmithKline (GSK) garantiu a diferentes governos a venda de 195 milhões de doses, que serão postos no mercado em 2009 e 2010. Essas vendas deverão aumentar o seu volume de negócios anual em torno de 1,3 bilhão de libras e provocar uma alta de 10% do resultado líquido. O terceiro maior produtor de vacinas, a francesa Sanofi Pasteur (a divisão de vacinas da Sanofi-Aventis), limitou-se em indicar que contava com uma produção em massa da vacina em novembro e dezembro.
Para proteger o conjunto dos países contra a pandemia, a OMS fixou, no começo de maio, aos trinta laboratórios envolvidos a meta de produção de cinco bilhões de vacinas em um ano. Um aumento da produção de 500 milhões de doses para a gripe suína. Já é evidente que essas recomendações não poderão ser seguidas.
Os Estados migram, então, para os antivirais, principalmente o Tamiflu, produzido pela suíça Roche, e o Relenza, da GSK. Esses medicamentos eficazes para todos os tipos de gripe já foram estocados depois que os temores de uma epidemia de gripe aviária começaram a se difundir. A França detém assim 33 milhões de honorários. Os analistas da Helvea calculam que as vendas da Roche com o Tamiflu chegarão, em 2009, a dois bilhões de francos suíços, em comparação com 600 milhões do ano anterior. No começo de maio, o grupo contava com uma importância duas vezes menor.
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