Os funcionários da empresa suíça Wander, produtora do chocolate Ovomaltine, desde ontem seguem a ordem expressa de não mais cumprimentar as pessoas com o aperto de mão. Também devem guardar distância de pelo menos um metro de outras pessoas, no que é chamado de "afastamento social", e estar preparados para usar máscaras.
A reportagem é de Assis Moreira e publicada pelo jornal Valor, 28-07-2009.
Por sua vez, o gigante do varejo Coop, com 17,2% de fatia do setor no país, alertou que poderá exigir dos clientes que usem máscaras para fazerem compras em seus 1,8 mil pontos de vendas. Planeja também deixar de vender legumes e frutas não embaladas.
Outras empresas suíças começam a seguir outra regra: evitar reuniões e privilegiar telefonemas, e-mail ou videoconferências, mesmo se as pessoas envolvidas se encontrarem no mesmo prédio.
As medidas são recomendas pelo "Manual para a Preparação das Empresas" para a pandemia da gripe A/H1N1, distribuído pelo governo federal suíço, o que reflete o crescente temor em relação à doença na Europa.
Até agora, a Suíça informou 380 casos de gripe suína e nenhuma morte. Mas as autoridades estimam que o contágio vai se multiplicar. A primeira grande onda de infecção poderá atingir a Suíça em setembro, enquanto a vacina contra a gripe só estará provavelmente disponível em outubro. Isso poderá ter consequências "fortes e determinantes" para as empresas.
Segundo o Departamento Federal suíço de Saúde Pública, numa onda de pandemia, 25% dos empregados ficarão doentes e não poderão trabalhar entre 5 a 8 dias. Mas o absenteísmo global poderá ser mais elevado se os empregados ficarem em casa, por exemplo, para cuidar de seus familiares. Assim, em duas semanas de pico da pandemia, 40% dos empregados poderão ficar ausentes do trabalho.
Daí a necessidade de o país se preparar. A Coop, com 53 mil empregados, decidiu em seu "plano de catástrofe" que, na falta de pessoal, doente, vai fechar pontos que não vendam produtos alimentares. Acena com colaboração da concorrente Migros para garantir o abastecimento da população.
A empresa de transportes públicos de Genebra calcula que até 75% dos motoristas poderão se ausentar do trabalho e tem plano de supressão de ônibus e trens. Ela não exclui a possibilidade da exigência do uso de máscaras pelos usuários.
A recomendação do manual suíço, em todo caso, é de estimular as pessoas se deslocarem a pé ou de bicicleta. E sugere ainda que as empresas tenham planos para reduzir a produção, atribuir mais tempo de trabalho aos trabalhadores com carga parcial, definir uma única pessoa para distribuir o correio interno e evitar reuniões, cursos de formação e participação em seminários ou congressos.
O manual suíço, de 22 páginas, trás até fotografias sobre como as pessoas devem lavar corretamente as mãos. No recente festival de música a céu aberto em Nyon, perto de Genebra, uma das sugestões era de se evitar também os beijos.
A imprensa igualmente se prepara. O grupo Edipresse, que publica cinco jornais na região suíça de língua francesa, está pronta a publicar só um no auge da pandemia. A televisão pública informou que já tem 50 horas de programas gravados e vai privilegiar a informação e programas juvenis.
O "plano de catástrofe" dos suíços reforça os cálculos do Banco Mundial sobre o impacto potencial da pandemia para a economia mundial. Se a gripe for severa, o custo total é estimado em mais de US$ 3 trilhões, ou 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global.
O comércio mundial, já em queda livre, poderá apresentar resultados ainda piores. Caroline Freund, economista do Banco do Mundial, calcula que as trocas globais, que cresceram 4% em termos reais em 2008, poderão agora ter uma contração de 12% a 20%, quase o dobro do que estima a Organização Mundial do Comércio (OMC).
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