Cerca de 50 intelectuais católicos franceses lançaram no dia 27 de janeiro um manifesto contra a reintegração dos bispos cismáticos na Igreja católica. O manifesto recebeu mais de cinco mil adesões e está publicado no sítio do jornal La Vie, 27-01-2009. A tradução é do Cepat.
Eis o manifesto.
“Eu acredito que as câmaras de gás não existiram”. Nós escutamos este infame credo que não tem nada a ver com o cristianismo no dia 22 de janeiro passado da boca do Mons. Richard Williamson, um dos quatro bispos integristas ordenados em 1988 pelo Mons. Lefebvre. Por outro lado, as suas declarações não são uma surpresa: esse prelado vem multiplicando as suas declarações provocatórias ao longo de muitos anos.
Ora, a suspensão da excomunhão dos lefebvristas, ocorrida dois dias depois, criou uma trágica ambiguidade, dando a entender que Roma estava reabilitando o negacionismo ou, ao menos, o considerava como uma opinião lícita e até mesmo inocente.
Esta ambiguidade é simplesmente intolerável. Intolerável porque por trás da máscara do negacionismo, se descortina o rosto do mais hediondo antissemitismo.
Intolerável porque ao longo de meio século, de João XXIII até Bento XVI, a Igreja empreendeu um longo caminho de arrependimento em relação ao anti-judaísmo. Ela não cessou de buscar o encontro e a reconciliação com aqueles que João Paulo II chamava de “nossos irmãos primogênitos”. Ao fazer isso, ela reencontrava as suas raízes: Jesus, Maria e os discípulos eram judeus.
Nós, abaixo-assinados deste manifesto, consideramos, pois, as declarações de Mons. Williamson como um atentado pessoal à nossa fé cristã. Nós avaliamos que este bispo não poderá ter seu lugar na Igreja sem arrependimento sincero e explícito de sua parte.
Nós pedimos ao Papa para que condene claramente as declarações de Mons. Williamson. Este é, na nossa visão, a única maneira de reparar os prejuízos que esta situação trouxe à própria Igreja.
Seguem as assinaturas, entre as quais se podem encontrar as de Jean-Claude Guillebaud (ensaísta), Paul Valadier (teólogo jesuíta), René Girard (filósofo, da Academia Francesa), Jean-Luc Marion (filósofo), Jean Delumeau (historiador), Claude Geffré (teólogo dominicano), Isabelle Renaud-Chamska (presidente de Art, Culture et Foi), Denis Clerc (economista), Jacques Delors (ex-Ministro) e Patrick Viveret (economista). |