COP26, estrada difícil: aqui estão os documentos que comprovam a resistência aos empenhos climáticos

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22 Outubro 2021

 

Que o sucesso da COP26, a crucial cúpula da ONU para o clima daqui a poucos dias em Glasgow, Escócia, esteja na corda bamba já fica claro não só pela anunciada desistência de líderes (sobretudo Xi Jinping e Putin) que até irritou a rainha Elizabeth, mas também pelas tramas diplomáticas e políticas que se entrelaçam nos bastidores, movidas por urgências e interesses nacionais.

A reportagem é de Antonello Guerrera, publicada por La Repubblica, 21-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um holofote sobre esse mundo paralelo é oferecido hoje pela BBC, que obteve dos jornalistas investigativos do GreenPeace "Unearthed" alguns "vazamentos" e documentos confidenciais de numerosas diplomacias estrangeiras, que fazem "lobbies" sobre as autoridades climáticas internacionais e das Nações Unidas para limitar ou retardar a revolução verde, especialmente no que diz respeito ao uso de combustíveis fósseis.

Arábia Saudita, Japão e Austrália, nos arquivos obtidos pela televisão pública britânica, estão entre os maiores países a se opor a uma rápida recalibração energética. Nas comunicações entre suas diplomacias e os cientistas do IPCC, isto é, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas que há um mês publicou um relatório devastador sobre o futuro do Planeta se não limitássemos imediatamente o aumento da temperatura da Terra a 1,5 grau Celsius, Riad, Tóquio e Canberra estão evidentemente pressionando para suavizar as diretrizes e as exigências das instituições. O que sugere como será difícil encontrar um acordo climático global na Escócia, daqui a dez dias.

Por exemplo, o Ministério do Petróleo saudita, entre os 32 mil documentos dos vazamentos, afunda "a necessidade de ações urgentes e aceleradas" sobre o uso de combustíveis fósseis: "Deveria ser eliminado do relatório final". Não só isso: Riad também pede que, do relatório do IPCC, as referências ao objetivo de emissões zero sejam removidas no menor tempo possível e, de forma mais geral, à renúncia aos combustíveis fósseis.

Os australianos, por outro lado, se opõem ao fechamento da maioria das "usinas a carvão", das quais Canberra é uma das maiores exportadoras do mundo. Enquanto a Índia, o segundo maior consumidor global de carvão depois da China, por meio do Instituto Central de Pesquisa de Mineração e Combustíveis, relembra os "enormes desafios energéticos" dos próximos anos e pede que o "carvão" permaneça central nas próximas décadas. Críticas ao IPCC também da OPEP.

Mas as pressões dos governos também vêm de outras frentes, como a da redução do consumo de carne, outra forma de reduzir as emissões. Nos documentos, Brasil e Argentina criticam as passagens do relatório sobre a necessidade de comer menos carne na dieta ocidental, que poderia reduzir os gases do efeito estufa em 50%, segundo os cientistas. Além disso, Suíça e Austrália criticam o empenho, ainda não concretizado, dos grandes e países mais ricos para doar 100 bilhões de dólares aos mais pobres para a transição energética.

Em suma, o destino da COP26, coorganizada pelo Reino Unido e pela Itália, parece balançar cada vez mais na corda bamba e agora é muito provável que seja firmado um empenho menor, e sabe-se lá de quanto. O próprio primeiro-ministro Boris Johnson admitiu outro dia que serão negociações "extremamente difíceis". Fontes da Whitehall dizem ao La Repubblica que a COP poderia ir além das duas semanas previstas para os trabalhos, que em teoria deveriam terminar em 13 de novembro, de acordo com o cronograma oficial.

Além disso, grandes líderes mundiais como o chinês Xi Jinping e o russo Vladimir Putin já desertaram a COP, assim como o G20 em Roma de alguns dias antes, uma cúpula fundamental também para abrir o caminho para aquela do clima. Mas de Downing Street garantem: esses países ainda enviarão delegações de primeira linha, e tudo será feito para chegar a um acordo para salvar o planeta.

 

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