Papa Francisco e as "dúvidas". Cardeal Maradiaga: "Pobre Burke"

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22 Maio 2017

O cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, coordenador do Conselho dos nove cardeais que ajudam o papa na reforma da Cúria Romana, certamente não precisou mandar dizer àqueles cardeais que emitiram as “dubia” sobre a Amoris laetitia do Papa Francisco. Em particular, é o cardeal Raymond Leo Burke que alimenta as iras e os ataques do purpurado hondurenho.

A reportagem é de Niccolò Magnani, publicada no sítio Il Sussidiario, 19-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O motivo é bastante óbvio, aquelas “dubia” levantadas há um ano sobre a exortação apostólica do pontífice, muito discutida dentro da Igreja por causa da comunhão aos divorciados em segunda união e da “substituição da objetividade da situação pelo subjetivismo dos indivíduos”, como assinalavam os cardeais, entendendo isso como um possível risco depois da Amoris laetitia.

Maradiaga, no livro-entrevista escrito junto com o coirmão salesiano Antonio Carriero, intitulado “Só o Evangelho é revolucionário”, no prefácio, ataca diretamente o cardeal estadunidense Burke com forte amargura: “Aquele cardeal que defende isso é um homem desiludido, porque queria o poder e perdeu. Acredita ser a máxima autoridade dos Estados Unidos. Como dizia Santa Teresinha: ‘Eu prefiro ser pequena, porque, se me acontecer de tropeçar, de cair, então o tombo não será muito grande; mas aqueles que estão mais acima, ao cair, fazem barulho e se machucam muito’”, escreve Maradiaga.

Mas faz muito mais do que isso, ao tocar outro ponto espinhoso das palavras e das “dubia” sobre o magistério do Papa Francisco: “Ele [o cardeal] não é o magistério: o Santo Padre é o magistério, e é ele que ensina a toda a Igreja. O outro diz apenas o seu pensamento, não merece mais comentários. São as palavras de um pobre homem”.

Burke recentemente tinha expressado a opinião pessoal de que a Amoris laetitia – o texto de Francisco pós-sinodal sobre a família – não deve ser considerada como magistério do papa. Junto com os cardeais Walter Brandmuller, Carlo Caffarra e Joachim Meisner, Burke tinha expressado, há um ano, algumas perplexidades sobre as aberturas do pontífice aos divorciados em segunda união.

A defesa da Bergoglio chega diretamente de Maradiaga, que afirma que “a Amoris laetitia é um texto de inestimável valor. Ele ensina a doutrina da Igreja, mas faz isso com palavras que tocam o coração, como fez Jesus com os discípulos de Emaús. É magistério para formar as famílias, para renovar os laços entre os esposos e entre as gerações”.

Para o cardeal hondurenho, essa exortação representa plenamente o estilo do papa, não um teólogo, mas um pastor: “A Amoris laetitia representa a renovação da pastoral familiar. É um texto que deveria ser lido e conhecido por todos, especialmente pelos jovens. Eu, quando sei de casais que estão se preparando para o casamento, logo lhes presenteio com uma cópia da Amoris laetitia: é uma ajuda para crescer”, conclui o cardeal Maradiaga no seu último ensaio.

Lobby anti-Bergoglio

Não é só a Amoris laetitia que está no centro das palavras de Maradiaga no livro recentemente publicado e dirigido contra as “dubia” levantadas contra algumas partes do magistério do Papa Francisco: em particular, é o conclave dos cardeais que, de algum modo, é trazido à baila pelo purpurado hondurenho, com a eleição do Papa Bergoglio que, mais uma vez, é tratada revelando alguns pequenos detalhes. “Eu não posso falar sobre o conclave no seu desenvolvimento – considera Maradiaga –, mas certamente havia bem outras tendências, e algumas muito fortes, porque já tinham feito lobby. Os candidatos ‘papáveis’ que queriam os outros permaneceram ali, enquanto, em vez disso, aquele que o Senhor queria foi aquele que foi eleito. Portanto, a discordância é lógica e compreensível. Nem todos podemos pensar da mesma maneira, mas é Pedro que guia a Igreja e, portanto, se temos fé, devemos respeitar as escolhas e o estilo do papa que veio do fim do mundo.”

Acusações muito pesadas são feitas por Maradiaga contra a “direita católica”, que, de acordo com o cardeal, gostaria de “buscar o poder e não a verdade. Quando dizem que encontram alguma ‘heresia’, entre aspas, nas palavras de Francisco, equivocam-se completamente, porque eles pensam apenas como homens, e não como o Senhor quer”.

De acordo com Maradiaga, Burke e todos os cardeais que, de alguma forma, falam mal de Francisco, não querem o bem da Igreja, mas apenas a divisão e a sua própria popularidade – embora deva ser lembrado que as “dubia” foram expressadas no rastro da obediência ao Santo Padre com perguntas e dúvidas legitimamente formuladas e permitidas pelo direito canônico.

“As pessoas simples estão com o papa. Aqueles que, em vez disso, são orgulhosos, soberbos, acreditam ter um intelecto superior... pobrezinhos! A soberba também é uma pobreza... O maior problema, porém, repito, é a desorientação que se cria nas pessoas quando leem afirmações de bispos e cardeais contra o Santo Padre.”

Para Maradiaga, conclui ele no prefácio do seu ensaio, é preciso ser leal com o sucessor de Pedro: “Antes, ele se chamava Bento XVI, antes ainda se chamava João Paulo II e assim por diante. O que Jesus me pede é para ser leal a Pedro. Quem não faz isso busca apenas popularidade”.

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