Francisco aos seminaristas: "Sejam transparentes e livres dos bens. Não se contentem em usar uma veste"

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08 Maio 2017

Fugir da “tentação do formalismo e do clericalismo” na raiz da “vida dupla”. “Reformar a própria humanidade” para estar “sempre a caminho”. Não se contentar “em alcançar um papel, em usar uma veste”, mas favorecer “a aquisição de instrumentos cada vez mais refinados para uma leitura crítica da realidade, a partir de si mesmos”, recordando que “vocês não são um dicionário”, mas pastores em um mundo sob as garras de “vozes contrastantes” entre si.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 06-05-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Esses foram os conselhos que, como papa e como pai, Francisco dirigiu aos futuros padres do Seminário de Posillipo, na Campânia, recebidos nesse sábado em audiência. Esse seminário é um caso singular no atual panorama eclesial italiano: fundada em 1912 por Pio X, foi confiado desde cedo à direção dos jesuítas, que – lembra Bergoglio – “guiaram-no através das notáveis transformações que ocorreram em mais de 100 anos, continuando a ser atualmente o único seminário na Itália dirigido pela Companhia de Jesus”.

Nas últimas décadas, o seminário começou a colaborar e a interagir com as Igrejas diocesanas e, além de enviar os jovens candidatos ao sacerdócio, identifica entre os seus presbíteros figuras idôneas para a formação. Um caminho “significativo e fecundo de comunhão eclesial, no qual as dioceses individuais, com os seus pastores, estão investindo notáveis recursos”, observa o Papa Francisco, encorajando a continuar, porque “uma comunidade formativa interdiocesana é uma indubitável oportunidade de enriquecimento”.

Na verdade, acrescenta o pontífice, em um tempo “em que todos nos sentimos pequenos, talvez impotentes diante do desafio educacional, caminhar juntos, em autêntico espírito ‘sinodal’, é uma escolha vencedora, que nos ajuda a nos sentirmos sustentados, encorajados e enriquecidos uns com os outros”.

Aos educadores, o papa recordou, depois, a sua missão de “formar à espiritualidade própria do presbítero diocesano, de acordo com a pedagogia dos Exercícios de Santo Inácio”. É “um desafio árduo”, admite, “mas, ao mesmo tempo, exaltante”, porque ajuda a “favorecer na pessoa a integração harmoniosa a partir da centralidade da relação de amizade pessoal com o Senhor Jesus”, e, portanto, a “viver uma espiritualidade sólida, profunda, mas não desencarnada”.

Por isso, sublinhou o papa – e desta vez ele também se dirige aos seminaristas –, “é importante conhecer, acolher e reformar continuamente a própria humanidade. Não se cansar de ir em frente, reformar: sempre a caminho. Nessa direção, a formação intelectual também não tende a ser o simples aprendizado de noções para se tornar erudito – vocês não são um dicionário! –, mas quer favorecer a aquisição de instrumentos cada vez mais refinados para uma leitura crítica da realidade, a partir de si mesmos”.

O primeiro passo para o conhecimento de si e, portanto, da vontade de Deus para a própria vida é “chamar as coisas pelo nome”. “Não tenham medo de chamar as coisas pelo nome, de encarar a verdade da sua vida e de se abrir em transparência e verdade aos outros, especialmente aos seus formadores, fugindo da tentação do formalismo e do clericalismo, que estão sempre na raiz da vida dupla”, encorajou o pontífice.

Nesse sentido, disse, é fundamental a educação ao discernimento. Por si só, o tempo do seminário “é tempo de discernimento por excelência”, graças ao acompanhamento daqueles que “ajudam os jovens a reconhecer a voz do Senhor entre as tantas vozes que ressoam e, às vezes, ribombam nos ouvidos e no coração”. Mas, neste tempo, “o exercício do discernimento deve se tornar uma verdadeira arte educativa, porque o sacerdote é um verdadeiro homem do discernimento”.

Hoje, de fato, “mais do que nunca, o sacerdote é chamado a guiar o povo cristão a discernir os sinais dos tempos, a saber reconhecer a voz de Deus na multidão de vozes muitas vezes confusas que se sobrepõem, com mensagens contrastantes entre si, no nosso mundo caracterizado por uma pluralidade de sensibilidades culturais e religiosas”, observou o papa.

Ele explicou que, para ser “artistas do discernimento”, é preciso, acima de tudo, “uma boa familiaridade com a escuta da Palavra de Deus”, mas também “um crescente conhecimento de si mesmos, do próprio mundo interior, dos afetos e dos medos”. Depois, é preciso ser “corajoso”, no sentido de não se refugiar nos “caminhos mais cômodos e redutores do rigorismo e do laxismo”, nem “por trás de uma norma rígida ou por trás da imagem de uma liberdade idealizada”.

Então, é preciso “expor-se”, isto é, “sair do mundo das próprias convicções e preconceitos para se abrir para compreender como Deus está nos falando hoje, neste mundo, neste tempo, neste momento, e como fala para mim, agora”, disse o papa. Ele também exortou a cultivar “o desejo do magis, daquele ‘mais’ na generosidade de nos doarmos ao Senhor e aos irmãos, que está sempre à nossa frente”, de modo a “ampliar o fôlego da sua formação” e a “não se contentar em alcançar um papel, em usar uma veste”. Isso, assegurou, “irá ajudá-los a não terem pressa de concluir o percurso de vocês, mas a tornar cada vez mais sólida a sua estrutura humana e espiritual”.

A última recomendação do papa é sobre a “liberdade interior em relação aos bens”. “É o primeiro degrauzinho ruim!”, advertiu Bergoglio. “Não se esqueçam: o diabo entra pelos bolsos, sempre. Depois, segue a vaidade, e, depois, o orgulho, a soberba, e assim termina. Os jovens que optaram por seguir o Senhor no caminho do sacerdócio, de fato, são chamados a cultivar a amizade com Jesus, que se manifesta de modo privilegiado no amor pelos pobres, de modo a serem testemunhas de pobreza, através da simplicidade e da austeridade da vida, para se tornarem sinceros e credíveis promotores de uma verdadeira justiça social”.

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