O pacto com o Islã que ajuda a unidade entre os cristãos. Artigo de Andrea Riccardi

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02 Maio 2017

“A arriscada viagem de Francisco evidencia uma unidade adquirida entre mundos cristãos. Ou, melhor, com as suas experiências particulares no Oriente islâmico, os coptas sustentam o ‘pacto egípcio’, que foi delineado nesses dias.”

A opinião é do historiador italiano Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio e ex-ministro italiano, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera, 30-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Francisco teimosamente quis a viagem ao Cairo, considerada por muitos como arriscada. No entanto, com essa visita, ele desenhou um “pacto egípcio” entre cristãos e muçulmanos, aberto às outras religiões.

Para realizá-lo, ele seguiu a sua intuição ao encontro das pessoas que lhe parecem ser interlocutores confiáveis: o imã Al-Tayeb e o patriarca copta Tawadros. O grão-imã de Al-Azhar, Al-Tayeb, não é uma personalidade de jet set de congressos inter-religiosos. Ele está radicado na tradição com ascendências sufis e espirituais, convencido de uma reforma do Islã através das lógicas próprias daquele mundo e mais livre do que os seus antecessores, muitas vezes funcionários de Estado. Ele foi visto se inclinando às vítimas do terrorismo no Bataclan, de Paris.

Com sabedoria, o imã encarna um papel de autoridade para além do Egito: na sua universidade, há mil anos, formam-se os líderes muçulmanos. Ele acolheu o papa (convidado por ele) com uma comitiva incomum em uma sede islâmica: expoentes de várias religiões, incluindo o Patriarca Bartolomeu e o rabino Skorka, amigo do pontífice. A imagem manifesta a vontade de viver juntos entre religiões.

O papa fez uma operação importante em sintonia com o imã. Ele reconheceu o Egito como laboratório de convivência e de civilidade, enquanto o radicalismo despreza a história pré-islâmica e a civilização muçulmana. Francisco levantou com clareza a questão central: “civilização do encontro” ou “incivilização do confronto”? Os passos dados no Egito podem ser “a aurora da civilização da paz e do encontro”.

Aqui está o coração do pacto proposto pelo papa: “aliar-se pelo bem comum”, conservando as próprias identidades. Não uma Santa Aliança das religiões contra a modernidade ou o extremismo religioso, mas algo mais profundo: “Só a paz é santa – disse Francisco –, e nenhuma violência pode ser perpetrada em nome de Deus”.

É uma expressão que floresceu no caminho do espírito de Assis, retomada pelo papa em setembro passado em Assis, no aniversário de 30 anos dessa história. O pontífice salientou: “A religião não é um problema, mas é parte da solução”. Uma visão secular, embora religiosamente inspirada: a violência não nasce da religião, mas a solução dos problemas não é só religiosa.

Francisco, de fato, falou da produção de armas e da pobreza como propulsores da violência, distanciando-se da visão ideológica que identifica as raízes das questões críticas na doutrina religiosa. Às religiões, porém – ele disse claramente –, cabe “desmascarar a violência que se disfarça de suposta sacralidade”.

Durante a visita do papa ao Cairo, a Igreja Católica apareceu identificada com o destino dos cristãos do Oriente. O patriarca copta recebeu o pontífice na sua sede (ele também o havia convidado ao Egito). Francisco prestou homenagem às vítimas coptas do terrorismo, falando de “ecumenismo do sangue”, que tem um impacto hoje em uma “comunhão já efetiva” entre as Igrejas separadas.

A declaração assinada por Francisco e Tawadros libera de muitas dificuldades, como o não reconhecimento do batismo católico (praticado por várias autoridades coptas). Tawadros, por sua vez, deu passos à frente apesar de, entre alguns coptas, haver reservas em relação a Roma. No clima dramático do Oriente, as divisões herdadas do passado já são anacrônicas.

Por isso, a declaração comum pede uma ação concorde entre católicos e ortodoxos, mas sobretudo repropõe o objetivo do “dia abençoado”: a celebração comum da Eucaristia. A arriscada viagem de Francisco evidencia uma unidade adquirida entre mundos cristãos. Ou, melhor, com as suas experiências particulares no Oriente islâmico, os coptas sustentam o “pacto egípcio”, que foi delineado nesses dias.

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