O Papa: “A nossa alma é migrante e está ancorada no céu”

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27 Abril 2017

A vida é como o peregrinar de uma “alma migrante”; a fé, “uma âncora no céu”. Essas são as imagens que o Papa Francisco usou durante a Audiência Geral na Praça de São Pedro. “Se confiássemos apenas em nossas forças, teríamos razão para nos sentirmos desiludidos e derrotados, porque o mundo, muitas vezes, mostra-se refratário às leis do amor. Prefere, muitas vezes, as leis do egoísmo”, mas “o Santo Povo fiel de Deus é gente que está em pé e que caminha na esperança”.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi e publicada por Vatican Insider, 26-04-2017. A tradução é de André Langer.

“O nosso Deus não é um Deus ausente, sequestrado em um céu muito distante – replicou o Papa Francisco; é, pelo contrário, um Deus apaixonado pelo homem, tão ternamente amante, a ponto de ser incapaz de se separar dele”. Dando continuidade ao seu ciclo de catequese sobre a esperança cristã, o Pontífice indicou que “nós humanos somos hábeis em cortar vínculos e derrubar pontes. Ele, pelo contrário, não. Se o nosso coração se esfria, o seu permanece incandescente. O nosso Deus nos acompanha sempre, mesmo se por desventura nós nos esquecemos d’Ele. Na linha que divide a incredulidade da fé, decisiva é a descoberta de sermos amados e acompanhados pelo nosso Pai, de não sermos nunca deixados sozinhos por Ele. A nossa existência é uma peregrinação, um caminho. Embora muitos sejam movidos por uma esperança simplesmente humana, percebem a sedução do horizonte, que os impulsiona a explorar mundos que ainda não conhecem. A nossa alma é uma alma migrante”.

“A Bíblia está cheia de histórias de peregrinos e viajantes. A vocação de Abraão começa com este mandato: ‘Deixe a sua terra’. E o Patriarca deixa aquele pedaço de mundo que conhecia bem e que era o berço da civilização do seu tempo. Tudo conspirava contra a sensatez daquela viagem. E, apesar disso, Abraão parte. Não se torna homens e mulheres maduros se não se percebe a atração do horizonte: aquele limite entre o céu e a terra que pede para ser alcançado por um povo de caminhantes. Em seu caminho no mundo, o homem nunca está sozinho. De modo especial, o cristão não se sente nunca abandonado, pois Jesus nos assegura não somente de nos esperar ao final da nossa longa viagem, mas de nos acompanhar em cada um dos nossos dias”.

E prosseguiu: “Até quando perdurará o cuidado de Deus em relação ao ser humano? Até quando o Senhor Jesus caminhará conosco? Até quando cuidará de nós? A resposta do Evangelho não deixa lugar para dúvida: até o fim do mundo! Passarão os céus, passará a terra, as esperanças humanas serão anuladas, mas a Palavra de Deus é maior do que tudo e não passará... E Ele será o Deu conosco, o Deus Jesus que caminha conosco. Não existirá um único dia da nossa vida em que deixaremos de ser uma preocupação para o coração de Deus. Mas alguém poderia dizer: ‘o que você está dizendo?’ Digo isto: não existirá um único dia da nossa vida em que deixaremos de ser uma preocupação para o coração de Deus... Ele se preocupa conosco e caminha conosco. E por que faz isso? Simplesmente porque nos ama. Entendido? Ele nos ama! E Deus certamente proverá todas as nossas necessidades, não nos abandonará no tempo da provação e da escuridão. Esta certeza pede para aninhar-se em nossa alma, para não se apagar nunca. Alguém a chama com o nome de ‘Providência’. Isto é, a proximidade de Deus, o amor de Deus, o caminhar de Deus conosco chama-se também ‘Providência de Deus’. Ele provê a nossa vida”.

“Entre os símbolos cristãos da esperança – prosseguiu Francisco – está uma de que gosto muito: a da âncora. Ela expressa que a nossa esperança não é banal; não é um sentimento momentâneo de quem quer melhorar as coisas deste mundo de maneira irrealista, partindo somente da própria força de vontade. A esperança cristã, de fato, encontra sua raiz não na atração do futuro, mas na segurança daquilo que Deus prometeu e realizou em Jesus Cristo. Se Ele nos garantiu que nunca nos abandonará, se o início de toda vocação é um ‘Segue-me’, com o qual Ele nos assegura estar sempre à nossa frente, então, por que temer? Com esta promessa, os cristãos podem caminhar para onde quiserem. Mesmo atravessando porções de mundo ferido, onde as coisas não vão bem, nós estamos entre aqueles que também lá continuam a esperar. Diz o Salmo: “Embora caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás”. É justamente onde abunda a escuridão que se necessita ter acesa uma luz”.

“Voltemos à imagem da âncora: a âncora – recordou – é aquilo que os navegadores, esse instrumento, que lançam ao mar e depois se sujeitam à corda para aproximar a barca, a barca da margem. A nossa fé é a âncora do céu. Nós temos a nossa vida ancorada ao céu. O que devemos fazer? Sujeitar-nos à corda: ela sempre está aí. E vamos em frente porque estamos certos de que a nossa fé é como uma âncora que está no céu, nessa margem para onde vamos. Claro, se nós confiássemos unicamente em nossas forças teríamos razões para nos sentirmos desiludidos e derrotados, porque o mundo, muitas vezes, mostra-se refratário às ligações de amor. Mas se em nós sobrevive a certeza de que Deus não nos abandona, que Deus nos ama e ama este mundo com ternura, então muda imediatamente a perspectiva”.

O Papa concluiu desta maneira: “O Santo Povo fiel de Deus é gente que sabe estar em pé (‘homo viator’) e caminha, mas em pé, ‘erectus’, e na esperança. E onde quer que vá, sabe que o amor de Deus o precedeu: não existe lugar do mundo que fuja da vitória de Cristo Ressuscitado. E qual é a vitória de Cristo Ressuscitado? A vitória do amor”.

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