Pesquisa aponta que falta de território causa desnutrição de índios Guarani Kaiowá

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18 Agosto 2016

No Brasil, o índice de insegurança alimentar, que mede a dificuldade de acesso a alimentos em quantidade e qualidade adequadas, é de 22,6%. Em três comunidades Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul que lutam por seu território, esse índice é de 100%, ou seja, todas as famílias entrevistadas sofrem algum tipo de violação ao direito de ter uma alimentação adequada.

Todas as famílias entrevistadas sofrem algum tipo de violação ao direito à alimentação adequada /Foto: A Pública

A reportagem é de Juliana Gonçalves e publicada por Brasil de Fato, 17-08-2016.

Os números são da pesquisa “O Direito Humano à Alimentação Adequada e à Nutrição do povo Guarani e Kaiowá – um enfoque holístico” , coordenada pela FIAN Brasil e pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), que coletou dados durante três anos junto a indígenas Kurusu Ambá, Ypo’i e Guaiviry de 96 domicílios. O resumo executivo da pesquisa foi lançado nesta terça (16).

Para Cleber César Buzatto, secretário-executivo do CIMI, há uma relação direta entre a fome dos indígenas e a falta de posse das terras. “Muitas comunidades estão na beira de estradas ou em áreas retomadas, sem nenhum espaço para plantar ou sem fonte de renda fixa, a não ser o auxílio de programas sociais”, avalia.

Segundo a publicação, em 76% dos domicílios, o entrevistado afirmou que, no mês anterior, houve dias em que as crianças e os jovens da casa passaram sem comer e foram dormir com fome, porque não havia comida na casa.

Em 80% das casas, o adulto entrevistado disse ter comido menos para deixar comida para as crianças e, em 82%, as pessoas comeram menos do que julgavam ser necessário, porque não dispunham de recursos para obter alimentos.

Não falta só comida

Ao todo, o grupo dos Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul somam mais de 45 mil pessoas e sofrem de inúmeras privações de direitos.

“Geralmente, as violações de direitos dos povos indígenas acontecem em razão de sua identidade cultural, e abrem portas para a negação de outros direitos, incluindo o direito à alimentação e à nutrição adequadas. Estas violações são históricas, estão associadas ao processo de exploração econômica e são de responsabilidade das três funções do Estado brasileiro, como procuramos evidenciar no documento”, ressalta a secretária geral da FIAN Brasil, Valéria Burity.

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