Angelelli, Igreja e ditadura

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Por: Caroline | 11 Julho 2014

Segue a carta com a qual os Cristãos para o Terceiro Milênio* expõem sua posição acerca da decisão de condenação da Justiça Federal aos responsáveis ainda vivos do assassinato de Enrique Angelelli. A carta é publicada por Página/12, 09-07-2014. A tradução é do Cepat.

Eis a carta.

“Esse sangue hoje clama por vida
e a lembrança de Angelelli não é
memória encapsulada. É um desafio”
(Cardeal Jorge Bergoglio, 2006)

Frente a esta fala pronunciada na sexta-feira, 04 de julho, pelo Tribunal Oral Federal de La Rioja, a equipe da coordenação dos Cristãos para o Terceiro Milênio expressa:

- Celebramos a decisão adotada pela Justiça Federal ao condenar os responsáveis sobreviventes do assassinato do dom Enrique Angelelli, executado em 04 de agosto de 1976.

- Lamentamos que esta decisão, por ação, omissão e cumplicidade de muitos, entre os quais não são poucos os membros da hierarquia eclesiástica e da diplomacia vaticana envolvidos, tenha demorado quase quatro décadas para sentenciar o homicídio de nosso irmão bispo nas mãos daqueles que viam – e com razão – no compromisso evangélico com os pobres ensinado por Jesus Cristo, uma ameaça profética ao seu poder e privilégios.

- Não podemos ignorar que este crime, assim como muitos outros dirigidos contra militantes cristãos, são parte de uma estratégia de aniquilamento levada adiante em nosso continente no marco da Doutrina da Segurança Nacional impulsionada a partir dos EUA, para calar as reações dos povos, provocada em muitos casos pelos valores de justiça, fraternidade e solidariedade, que nutre as raízes de nossa religiosidade popular.

- Queremos reconhecer e nos alegramos abertamente pela atitude do Papa Francisco e a demanda do bispo Marcelo Colombo em tornar conhecida a verdade sobre o assassinato, guardada nos arquivos vaticanos. Esta atitude do bispo de Roma deveria ser exemplo suficiente para que nossa hierarquia cumpra, de uma vez por todas, com os compromissos assumidos publicamente e que, até agora, não foram satisfatórios, de investigar, tornar conhecido e condenar as condutas tantas vezes denunciadas de cumplicidade eclesiástica com o terrorismo do Estado.

- Pedimos formalmente que Enrique Angelelli, assassinado por sua “homilia de vida” em favor dos pobres e a serviço de Jesus Cristo, seja reconhecido como mártir da Fé e de sua fidelidade evangélica.

* Ana Cafiero, Alicia Ladrón de Guevara, Alicia Pierini, Angel Atilio José Bruno, Rodolfo Brardinelli, Rodolfo Briozzo, Cristina Domeniconi, Luis Miraldi, Juan L. Manazzoni, Fernando Portillo, Hernán Patiño Mayer.
** 104 Assembleia Plenária da CEA 9 de Novembro de 2012. “Carta ao povo de Deus”.

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