A breve marcha do bispo Angelelli

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Por: André | 29 Outubro 2015

O sinal de largada foi dado esta semana pelo atual bispo de La Rioja, Marcelo Colombo, que fez todo o possível para que começasse o quanto antes. “Desde que assumi esta responsabilidade pastoral quis dar toda a minha colaboração e sempre encontrei na direção máxima da Conferência Episcopal Argentina uma grande sensibilidade e interesse pela causa de Angelelli”, declara o bispo ao Vatican Insider.

 
Fonte: http://bit.ly/1MQ6g2s  

A reportagem é de Alver Metalli e publicada por Vatican Insider, 27-10-2015. A tradução é de André Langer.

Já em 1983, sete anos após o assassinato de Angelelli (na foto, à direita), vários bispos argentinos pediram o esclarecimento das circunstâncias da sua morte, que desde o princípio despertaram suspeitas. “Refiro-me a quatro bispos muito reconhecidos por seu compromisso com os direitos humanos”, esclarece dom Colombo, dando os nomes e a diocese à qual pertencem: De Nevares (Neuquén), Novak (Quilmes), Hesayne (Viedma) e Mendiharat (Salto, Uruguai). “Eles expressaram, mas não foram os únicos, o que muitos pensavam e diziam em La Rioja desde o primeiro momento: ‘Angelelli foi morto’. Sobretudo, se tivermos em conta que sua morte foi a última de uma série de mortes ocorridas nos dias imediatamente anteriores. Refiro-me aos padres Carlos Murias e Gabriel Longueville e o leigo Wenceslao Pedernera”.

Dom Colombo vai ser o interrogador das testemunhas na instrução diocesana que acaba de começar e documentará a fama de santidade e as condições em que ocorreu o homicídio de Angelelli em agosto de 1976. Colombo também designou formalmente a Comissão Histórica do Tribunal Diocesano, da qual farão parte, entre outros, o bispo emérito Roberto Rodríguez, outra figura importante para o início da causa, e vários padres. Estes últimos deverão reunir os escritos de Angelelli – sabe-se que o trabalho de coleta deste material encontra-se bastante avançado –, as gravações e filmagens que dele existem, que não são muitas, analisá-los e classificá-los, elaborar a partir desse material as respostas exigidas para um procedimento deste tipo, antes de enviar tudo a Roma.

Sabe-se que o Papa Francisco, em várias oportunidades, pediu informações sobre o estado da causa penal aberta pela Justiça argentina para dar apontar os mandantes e executores do assassinato. “O Papa conheceu dom Angelelli”, explica Colombo. “Como provincial jesuíta, visitou durante esses anos a diocese, onde trabalhavam alguns padres da sua ordem, alguns dos quais inclusive sofreram a perseguição e a prisão naqueles dias”. Dom Colombo recorda que “em 2006, por ocasião do 30º aniversário do assassinato de Angelelli, Bergoglio presidiu as celebrações com a participação de grande número de bispos e padres. Ele foi eloquente na sua homilia daquele dia. Todos a recordam com emoção. Como presidente da Conferência Episcopal Argentina determinou a criação da comissão de investigação ad hoc, presidida por dom Giaquinta”.

Os juízos que foram realizados na Argentina sobre a morte de Angelelli trouxeram importantes certezas. Ficou comprovada a mecânica de um falso acidente de carro premeditado e provocado quando o carro em que Angelelli viajava circulava pela rodovia federal 38 – que hoje é chamada de Rodovia Dom Enrique Angelelli – na altura da localidade de Punta de los Llanos. A responsabilidade pelo atentado é atribuída ao Terceiro Corpo do Exército, e em julho de 2014 foram condenados à prisão perpétua o ex-general Luciano Benjamín Menéndez, Luis Fernando Estrella e outros militares.

A causa que acaba de ser aberta na diocese de La Rioja não tem prazo estabelecido, mas a intenção dos promotores é proceder sem perder tempo. Um dos membros da Comissão Histórica recém criada, Pedro Goyochea, declarou: “O que será comprovado é seu martírio, isto é, sofrer uma morte violenta por causa do Evangelho, por causa da pastoral de conjunto, que, como definiu o bispo Colombo, foi uma decisão de dom Angelelli aplicar as condições do Concílio Vaticano II na nossa Província”.

Outro padre que integra o Tribunal Diocesano instituído na diocese, Roberto Queirolo, antecipou ao jornal local Chilecito que “em dois anos a instrução poderia estar concluída para, então, enviar a causa à Santa Sé”, como já foi feito com os padres de Chamical, Carlos de Dios Murias e Gabriel Longueville, cuja fase diocesana foi concluída no dia 15 de maio passado. O próprio Colombo levou todo o material para Roma depois de participar da beatificação de dom Romero em El Salvador. O padre Roberto Queirolo recordou que depois do homicídio de Murias e Longueville e do leigo Wenceslao Pedernera, ocorridos com poucos dias de diferença em julho de 1976, “todos os padres pediram a Angelelli para que se protegesse, mas ele decidiu ficar com seu povo e não abandonar suas ovelhas”.

O Papa Francisco acompanha com atenção o processo de beatificação e “quer acelerá-lo”, admitiu o perito de La Rioja, que recordou também que em 2006, quando se completaram os 30 anos do assassinato, Bergoglio manifestou em uma homilia na catedral de La Rioja que o falecido bispo “recebia pedradas por pregar o Evangelho e derramou seu sangue por isso”. Por outro lado, uma cópia das duas cartas que Angelelli levava consigo no momento do assassinato foram enviadas ao Vaticano poucos dias antes e são as mesmas que o Papa devolveu ao bispo de La Rioja. “Na causa de dom Angelelli foi decisiva a inclusão de dois documentos que o Papa nos enviou para serem apresentados aos tribunais argentinos”, reconhece dom Marcelo Colombo.

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