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16 Mai 2012

"A violência contra as mulheres tem sido, assim, um dos mecanismos sociais principais, e de grande eficácia, para impedi-las de ter acesso a posições de igualdade em todas as esferas da vida social, incluindo a vida privada. Essa violência é uma manifestação de poder e expressa uma dominação masculina de amplo espectro, histórica e culturalmente construída, para além de sua manifestação nos corpos das mulheres", escreve Leila Barsted, advogada, coordenadora executiva da Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação, Ação - Cepia e membro do comitê de peritas do mecanismo da OEA para avaliar a implementação da convenção de Belém do Pará, em artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo, 13-05-2012.

Eis o artigo.

Nas últimas semanas a imprensa divulgou pesquisa nacional sobre homicídios de mulheres no Brasil. Os dados apresentados revelam a magnitude dos assassinatos de mulheres, ocupando nosso país a sétima posição no contexto de 84 outros países onde mais ocorrem esses eventos. A pesquisa ratifica estudos realizados desde a década de 80 que apontam o local de residência como o principal espaço onde ocorre essa violência, bem como o fato de os agressores serem majoritariamente cônjuges, ex-cônjuges, namorados e ex-namorados. Esses dados revelam a domesticidade dessa criminalidade, que poderia ser tipificada como femicídio, fenômeno em grande parte banalizado como simples tragédias da vida privada.

Em 2008, o Comitê da Organização dos Estados Americanos (OEA) que monitora a implementação da Convenção de Belém do Pará sobre violência contra as mulheres adotou uma declaração sobre o femicídio, definido como delito que resulta na morte violenta de mulheres pelo fato de serem mulheres e que ocorre na família ou em qualquer outra relação interpessoal, na comunidade, por parte de qualquer pessoa, ou que seja perpetrado ou tolerado pelo Estado e seus agentes por ação ou omissão. Essa é uma definição abrangente de femicídio, embora sua incidência no Brasil ocorra especialmente nas relações interpessoais. Essa declaração denuncia o femicídio como tema ausente na legislação, nas políticas públicas e na cultura de diversas sociedades do continente.

(Cf. notícia do dia 16/05/2012 desta página).

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O texto bíblico a seguir pode lhe iluminar.

Leia-o e deixe que ele ecoe em você.

Javé, tu ouves o desejo dos pobres,
fortaleces o coração deles e lhes dás ouvidos,
fazendo justiça ao órfão e ao oprimido,
para que o homem terreno
já não infunda terror.
(Sl 10, 17-18)

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