Escândalo imobiliário em Londres e terremoto no Vaticano

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22 Junho 2020

O que aconteceu no Vaticano devido ao escândalo do edifício comprado em Londres é motivo de sérias preocupações. Essas intrigas fazem mal à Igreja.

A reportagem é de Francesco Strazzari, publicada por Settimana News, 19-06-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O “negócio” da compra e venda do edifício londrino na Sloane Avenue 60 teria feito o Vaticano gastar até agora nada menos do que 350 milhões de euros para a sua compra em 2012. A guerra entre corjas financeiras agora explodiu de novo.

Imóvel adquirido pelo Vaticano em Londres, que está no centro de um escândalo financeiro. (Foto: Settimana News)

Gianluigi Torzi, financista italiano sediado em Londres, encarregado pelo sostituto da Secretaria de Estado para concluir a aquisição do imóvel, com um contrato de cinco anos, foi chamado ao Vaticano no dia 5 de junho de 2020 para a investigação sobre a compra do edifício. Foi preso. Ele é acusado de peculato, fraude, extorsão e lavagem de dinheiro, e corre o risco de pegar 12 anos de prisão.

A partir dos registros verbais, emergem referências específicas ao Mons. Carlino, ex-membro da Secretaria de Estado e por muito tempo secretário particular de Dom Giovanni Angelo Becciu, ex-sostituto da Secretaria de Estado, agora prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Também vem à tona o nome do Dom Peña Parra, ex-núncio venezuelano, nomeado no dia 15 de agosto de 2018 como sostituto da Secretaria de Estado e responsável pelos fundos utilizados.

Tem-se a sensação de que as diferentes almas da Cúria estão entrando em conflito. Poucos dias após a eclosão do caso, o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, confrontou-se com o cardeal Becciu, que define as acusações como “sujas” e as rejeita “de modo desdenhoso”.

O Papa Francisco quer que os responsáveis pelo escândalo sejam levados à Justiça o mais rápido possível. Imagina-se que isso ocorra ainda em junho. O que complicou ainda mais a situação foi a nomeação, em meados de junho, após o isolamento do coronavírus, de Dom Gustavo Zanchetta, amigo de Bergoglio, contra quem a magistratura argentina emitiu um mandado de prisão por abuso sexual em novembro de 2019. Ele foi nomeado “assessor” da APSA [Administração do Patrimônio da Sé Apostólica] em 2017, com grande repercussão na Argentina.

A fraude contra o Vaticano está nas mãos da Justiça vaticana e, embora às escondidas, continua o conflito entre o ex-sostituto Becciu e o novo sostituto Edgar Peña Parra. Participa desse confronto um grande grupo de mediadores e financiadores.

Os 350 milhões gastos até agora pelo Vaticano com o edifício na Sloane Avenue 60 enfurecem o mundo católico, até porque se fala em documentos com os quais o próprio papa – obviamente envolvido à força e arrastado ao caso – teria autorizado os movimentos do dinheiro do Óbolo de São Pedro, a coleta de ofertas que geralmente é entregue ao papa na solenidade de São Pedro e São Paulo em benefício dos pobres.

Há a sensação de que, ao redor do papa, existem personagens, tanto eclesiásticos quanto seculares, ambíguos, para dizer o mínimo, senão até sem escrúpulos. Não é estranho que o secretário de Estado, o cardeal Parolin, tenha denunciado a opacidade do negócio, recebendo a desmentida do cardeal Becciu. É incrível que a decisão dos investimentos no exterior não ocorra com clareza. Sabe-se que Parolin sempre teve grandes dificuldades para obter os relatórios do ex-sostituto Becciu.

De fato, existe uma profunda amargura, senão até indignação: dezenas de milhões de euros aparecem e desaparecem como neve ao sol. Diz-se que há outros depósitos em dinheiro no exterior que devem ser trazidos à tona. Circula uma declaração de um amigo do Papa Francisco de que, em relação ao cardeal australiano Pell, condenado por assédio sexual e depois absolvido em recurso em Melbourne, o processo foi realizado “com canhões australianos e munições vaticanas”. Sabia-se que Pell não gozava da simpatia de certos ambientes vaticanos.

Como o escândalo vai acabar? Quais serão os efeitos do terremoto? Dizem que o papa está determinado a ir até o fim, mas a recente nomeação de Zanchetta é inquietante.

 

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