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20 Janeiro 2018

As novas formas de exploração, a precarização do trabalho e uma chamada de atenção para a situação dos imigrantes foram os três temas centrais da homilia com a qual Francisco se despediu do Chile em Iquique e iniciou a etapa peruana de sua viagem. Mas também houve espaço para uma resposta que beira a irritação do Papa em apoio ao bispo Juan Barros Madrid, que é visto como um acobertador de abusos sexuais cometido pelo padre Fernando Karadima.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página/12, 19-01-2018. A tradução é de André Langer.

No geral, pode-se dizer que no Chile o Papa Jorge Bergoglio deu continuidade aos eixos centrais de sua pregação centrada no respeito à dignidade do povo, levou em consideração, de forma particular, os mapuches e também assumiu a responsabilidade da Igreja nos abusos contra meninos, meninas e jovens. Houve grandes concentrações populares em cada ato, embora em alguns casos essas multidões estivessem aquém das expectativas dos organizadores.

A popularidade e o carisma de Francisco não conseguiram superar a imagem institucional negativa da Igreja e, em particular, do episcopado chileno. Parte da comunidade mapuche sentiu-se interpretada e contemplada, ao passo que outros grupos indígenas qualificaram como “mornas” e “ambíguas” as definições do pontífice. O mesmo se pode dizer sobre aqueles católicos que esperavam gestos mais enérgicos que poderiam ter-se traduzido no anúncio de sanções contra aqueles que foram cúmplices dos abusos cometidos por ministros eclesiásticos.

Além disso, na diocese de Osorno houve manifestações pedindo a destituição do bispo Juan Barros. Nada disso aconteceu. Barros estava em todas as missas e o próprio Francisco se encarregou – respondendo irritado a uma pergunta de um jornalista – de assinalar que não há provas sobre as acusações, após recordar que o eclesiástico foi absolvido pela justiça civil.

Em meio a este cenário, o Papa tomou tempo para visitar o túmulo, recordar e homenagear o bispo Enrique Alvear, um homem que muitos chilenos consideram “o bispo dos pobres”.

Também para saudar e conversar com seus compatriotas argentinos, “porque a Argentina é minha terra natal”, sabendo que daqui [da Argentina] ele é repetidamente criticado por não programar uma visita ao país. Este é um tema que continuará a dar o que falar na Argentina.

Essas são as luzes e as sombras de uma visita que de antemão se sabia ser difícil e que, embora não possa ser descrita como bem sucedida, pelo menos se pode dizer que aconteceu sem grandes obstáculos e reafirmando os princípios centrais do magistério de Francisco.

O Peru também não será uma escala fácil. Ali também o prestígio da Igreja católica está seriamente prejudicado pela imagem do Sodalício de Vida Cristã, uma congregação religiosa conservadora de origem peruana acusada por abusos sexuais e todo tipo de corrupção. O seu fundador, Luis Fernando Figari (70 anos), mora em Roma, confinado por uma decisão do Vaticano, mas também impedido de voltar ao Peru, onde um mandado de prisão emitido pela justiça pesa sobre ele.

Os crimes sexuais contra 19 meninos e meninas e 10 adultos, cometidos entre 1975 e 2002, foram admitidos pela congregação atualmente sob intervenção do Vaticano. O Papa removeu suas autoridades e nomeou o cardeal Joseph Tobin como interventor para governar, investigar e desanuviar todas as dúvidas punindo aqueles que forem responsáveis.

Muitos se perguntam se a medida será suficiente. Porque no Peru, o Papa Francisco também se encontra com um episcopado quase igualmente dividido entre aqueles que respondem a Bergoglio e um grupo ultraconservador que resiste aos seus ensinamentos. Os últimos têm como cabeça visível nada menos do que o cardeal de Lima, Juan Cipriani, da Opus Dei e com nada discretos vínculos com a direita política peruana. Um cenário eclesiástico difícil para um Papa que mostrou sinais de proximidade com Gustavo Gutiérrez, um dos pais da teologia latino-americana da libertação e que agora vive fora do Peru devido à perseguição de Cipriani.

No Peru, país que o recebe em meio a uma grave crise política, também haverá um capítulo dedicado às comunidades originárias, em que seguramente não haverá novas questões no discurso papal que continuará insistindo no respeito às comunidades, aos seus direitos e reafirmando o seu apoio à cosmovisão do “bem viver”.

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