Primavera Palestina anseia por mais união entre integrantes do Fatah e Hamas

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07 Dezembro 2012

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas, havia proclamado em setembro de 2011 que seu povo abraçava a Revolta Árabe, mas só em novembro passado, com a entrada na ONU como observador de um projeto de Estado palestino, a declaração adquiriu pleno significado.  Revolta ou Primavera, a comoção árabe pressiona o equilíbrio estratégico na região. Um esboço de aliança surge entre Turquia, Egito e o emirado de Catar, que põe em questão os dois grandes princípios da política israelense: superioridade militar indiscutível e alianças com Estados periféricos, o que até a queda do xá em 1979 queria dizer Irã e Turquia, até a virada para a Palestina do governo islâmico de Erdogan (2008). E por isso Israel, com represálias como a Operação Pilar Defensivo contra Gaza, mas especialmente com o anúncio de edificação em uma zona que bloquearia completamente a comunicação entre Cisjordânia e Jerusalém Oriental, pretende demonstrar que a revolta não modificou o equilíbrio de poder na região e que está tão livre para atuar como sempre.

A reportagem é de M. Á. Bastenier, publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 06-12-2012.

Em 1988 o Parlamento da OLP proclamava a existência de um Estado palestino sem território, o que significava que as instituições presididas por Yasser Arafat renunciavam ao que não tinham - a Palestina do mandato britânico - em troca de negociar o estabelecimento desse Estado na Cisjordânia e em Gaza, ocupadas por Israel, que tampouco possuíam. Depois de anos de negociações infrutíferas, Arafat ameaçava inutilmente em 1999 proclamar esse Estado ao fim do período transitório previsto nos acordos de Oslo de 1993; em 2002 o Conselho de Segurança santificava objetivo idêntico; e no ano seguinte o Quarteto (EUA, Rússia, UE e ONU) fixava com otimismo incompreensível 2005 para torná-lo realidade. Mas o processo estava emperrado em negociações durante as quais Israel não deixava de fundar assentamentos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, onde já moram mais de 500 mil colonos. E a AP exige inutilmente o fim absoluto da colonização para vir a negociar.

O presidente americano, Barack Obama, pôde fazer crer durante algum tempo que Washington iria se transformar em "honest broker" [mediador honesto], em vez de continuar atuando como braço diplomático de Israel, e em 2010 disse diante da Assembleia Geral da ONU que esperava que no ano seguinte a Palestina entrasse na organização, quando, muito diferentemente, vetava no Conselho de Segurança seu ingresso de pleno direito, de forma que somente este ano a admissão foi possível, mas diante da Assembleia e como Estado observador.

O reconhecimento da ONU poderia afetar positivamente as relações entre o Hamas, que desde as eleições de 2006 controla a Faixa, e a AP-Fatah, que controla o que Israel consente da Cisjordânia, porque o clamor popular pela formação de um governo de unidade já é ensurdecedor.

O Hamas, movimento nacional religioso terrorista, se deu uma carta de fundação em 1988 em cujo artigo 13 adotava a jihad, a guerra santa, como estratégia para a vitória. Mas depois das eleições de seis anos atrás se produziu uma ascensão do elemento político-nacionalista em detrimento do religioso-milenarista, e a organização veio a firmar com a Fatah um Documento Nacional de Conciliação, no qual se não renunciava à luta, admitia que a AP negociasse a paz. Mas enquanto não houver uma renúncia expressa e verificável do terrorismo o Hamas continuará sendo um aliado objetivo da linha-dura israelense, que ilustra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, eternamente apoiado no sólido argumento de que não se negocia com terroristas. Em fevereiro passado as duas forças palestinas chegaram a assinar em Doha, capital de Catar, um plano para a reunificação que deveria permitir a formação de um governo interino presidido por Abbas com o mandato de organizar eleições, que ficou, como costuma ocorrer no mundo árabe, apenas nas palavras.

A entrada palestina na ONU é uma batalha a mais na guerra diplomática contra a ocupação. Os sucessivos governos de Jerusalém - inclusive de esquerda - aceitariam evacuar parte dos 22% não anexados da antiga Palestina, mas provavelmente só se fosse acompanhado do chamado "transfer", a expulsão de um milhão e pouco de palestinos de nacionalidade israelense para essa caricatura de Estado. Em sua eterna luta diante da opinião internacional e americana, os palestinos sonham que se possa um dia forçar a retirada da Cisjordânia, enquanto vários países da UE liam a cartilha para os respectivos embaixadores de Tel Aviv, mas Israel bem sabe tourear essa retórica. E Obama está muito ocupado.

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