Compartilhar Compartilhar
Aumentar / diminuir a letra Diminuir / Aumentar a letra

Espiritualidade » Comentário do Evangelho

DOMINGO 30 DE JANEIRO Evangelho de Mateus 5, 1-12

Mary Southard - A New StoryJesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, e Jesus começou a ensiná-los: «Felizes os pobres em espírito,  porque deles é o Reino do Céu. Felizes os aflitos, porque serão consolados.
Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu.
Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês,   por causa de mim. Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes   de vocês».

(Correspondente ao 4°Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico).

Um caminhho diferente

Palavra - Vela A fim de penetrarmos no sentido mais profundo deste texto, central no Evangelho de Mateus, situemo-nos primeiramente na cena acima descrita.
Usemos para tanto nossa imaginação.

Vejamos Jesus subindo a montanha, seguido por uma multidão. Quem são essas pessoas?

Mateus no-lo diz, nos versículos que imediatamente precedem o Sermão da Montanha: "doentes atingidos por diversos males e tormentos: endemoninhados, epilépticos e paralíticos, numerosas multidões da Galiléia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e do outro lado do rio Jordão começaram a seguir Jesus" (Mt 4, 24-25).

Gente, por conseguinte, sem importância, sem poder, sem reconhecimento social... A procissão de todos os que sofrem, dos marginalizados em busca de cura de suas mais diversas enfermidades...
Jesus os cura a todos. Mas tem algo a mais a oferecer-lhes: a possibilidade de formarem um novo Povo de Deus, um povo que se esforce por construir um mundo melhor! Por isso, proclamará mais adiante o estatuto de Reino de Deus.

Continuemos observando... Que faz Jesus? Senta-se para falar, assumindo, assim, a posição típica do mestre na cultura hebraica. Mais achegado a ele, acomoda-se um grupo de pessoas: são seus discípulos e discípulas que, sentados a seus pés, escutam-no com as multidões.
A cena se passa num monte que, na Bíblia, significa lugar da revelação divina: lembremo-nos do Sinai, onde Javé, por meio de Moisés, revelou-se ao povo de Israel.

Que revelação nos quer fazer Jesus neste sermão? Quer anunciar-nos e apresentar-nos, a nós, seus seguidores e seguidoras, o caminho que leva à felicidade e à santidade.
Todo ser humano quer e busca ser feliz e tem, como vocação pessoal a santidade. Esses dois conceitos - ou essas duas realidades - parecem, não raro, opostas.

Contudo, nas palavras imediatamente seguintes de Jesus, constatamos que Ele as considera intimamente ligadas. Na verdade, como disse o apóstolo Paulo: "a santidade consiste em estar constantemente alegre". Não sem razão, portanto, São João Bosco gostava de repetir que um santo triste é um triste santo!
Que visão tenho eu da santidade? Rosto compungido, corpo arcado pelo peso de penitências, vida marcada por tristeza, depressão, solidão... ou alegria animada, solidária e contagiante?
Como ser santo e alegre neste mundo triste? Como ser santo nos dias atuais, tão angustiosos e trágicos, eivados de problemas?
Acreditou-se – e ainda se acredita – que a santidade é algo que só se adquire à custa de um imenso esforço; que sua chave se encontra em cansativa força de vontade; que ela é sinônimo de perfeição plena, ausência de erros e de fragilidades, privilégio, portanto, de poucas pessoas que a ela são chamadas.
A Palavra de Deus, no entanto, nos mostra bem outra coisa! No Livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas chama de "santos" todos os que fazem parte das comunidades de crentes. E Paulo, em suas cartas, ensina que santidade é, na verdade, "santificação" ou "justificação", ou seja, um dom, um presente de Deus.
Ele, o único Santo, partilha de bom grado a sua santidade com seus filhos e filhas. Não a alcançamos, portanto, com nosso esforço, mas, abrindo as portas do nosso espírito ao Deus três vezes Santo - assim o aclamamos na Missa. Nós a recebemos de graça e por graça!

Jesus, nesse discurso das Bem-Aventuranças, aponta-nos o caminho de acolhida deste presente divino. Sim, as Bem-Aventuranças – "Felizes os" - não são outra coisa que respostas ao Amor de Deus que, apossando-se de nossas vidas, introduz-nos em seu Reino.
Aceitar, permanecer, crescer e perseverar na construção deste Reino no mundo: eis o caminho a percorrer na rota da santidade! 

À primeira vista, as atitudes de vida, propostas por Jesus não foram, em seu tempo, nem são, ainda hoje, valorizadas: como podem ser felizes os pobres, os sofredores, os perseguidos?
A resposta se encontra na segunda parte de cada uma das oito sentenças enunciadas por Mateus que confluem, todas elas, para o mesmo ponto: a participação no Reino de Deus já agora, em germe e em esperança e, plena e perfeita, na eternidade, vivendo de sua Vida, usufruindo de seu Amor e gozando de sua Paz perpétua!

A concretização desses valores se expressa de muitas maneiras. Atestam-no, ao longo da história, homens e mulheres que os viveram até as últimas conseqüências.
O texto mostra esta pluralidade de expressões. Todas elas apresentam uma marca comum: a prática do mandamento único do amor.

Cada um de nós somos convidados para inventar o seu caminho para Deus de acordo com seu temperamento, sua cultura e os apelos de seu tempo aos quais buscava responder.  Jesus nos convida a participar desta multidão, a entrar nesta corrente de felicidade, abraçando a proposta do Evangelho como caminho, verdade e vida, a fim de que, dessa forma, os cegos vejam, os paralíticos caminhem, os oprimidos sejam libertados e vivamos todos o Ano do Senhor (Lc 4 18-19), o jubileu da alegria perene e da felicidade perfeita do seu Reino, que também é nosso!


Lendo de novo as Bem-Aventuranças, sinto-me identificado com alguma delas?  Qual dentre elas desejo especialmente abraçar?

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Cadastre-se

Quero receber:


Refresh Captcha Repita o código acima:
 

Novos Comentários

"Realmente uma matéria profunda, reflexo de estudo técnico e científico. A grande corrida(ataque) ..." Em resposta a: A complexa teia hídrica que brota do Cerrado está ameaçada. Entrevista especial com Altair Sales Barbosa
"O sucesso da Dilma está no meio dos pobres. Estou de acordo com foi dito por todos aqueles que sens..." Em resposta a: Empregos, salários e universidades explicam sucesso de Dilma no Nordeste
"Sem o intenção de polemizar, discordo da colega Sônia Regina.Sou Prof. de E. Física, e creio que..." Em resposta a: “Vivemos uma hipocondria generalizada"

Conecte-se com o IHU no Facebook

Siga-nos no Twitter

Escreva para o IHU

Adicione o IHU ao seus Favoritos e volte mais vezes