Festa dos apóstolos Pedro e Paulo

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28 Junho 2016

 
Fonte: 'Ordination' by Nicolas Poussin, 1630s 

Jesus chegou à região de Cesareia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos:

"Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?"

Eles responderam:

"Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas." 

Então Jesus perguntou-lhes: "E vocês, quem dizem que eu sou?"

Simão Pedro respondeu:

"Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo."  Jesus disse: "Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.  Por isso eu lhe digo: ´Você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la.  Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.´"

Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.

(Correspondente à Festa de São Pedro e São Paulo, ciclo C do Ano Litúrgico).

O verdadeiro poder é o serviço

Neste domingo celebramos a Festa dos apóstolos Pedro e Paulo, considerados as duas grandes colunas da Igreja.

Provindo de realidades diferentes, Pedro é pescador pobre da Galileia, Paulo é um judeu culto de origem romana. Os dois são conquistados por Jesus Cristo e fazem de sua vida uma paixão pelo reino como seu Mestre, até dar a vida no martírio. Como disse Glivander Luis Moreira quando no seu texto sobre Pedro y Paulo como dois pilares do cristianismo: "Pedro e Paulo. Os dois se identificaram com o projeto do evangelho de Jesus Cristo e se doaram no seu seguimento, orientados pela boa notícia aos pobres. Terminaram martirizados, segundo a tradição da igreja.

A narrativa evangélica de hoje nos apresenta que depois de sua missão na Judeia, Jesus parte para terras estrangeiras, Cesareia de Filipe, no meio de uma confusão crescente e com aceitação discutida.

Leva seus discípulos e discípulas para fazer um balanço de sua missão neste momento crítico. Jesus surpreende aos seus com a pergunta: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?” (Mt 16,13b)

Por que Jesus quer saber isso? 

Na relação com as pessoas, especialmente com os mais pobres, foi compreendendo o amor infinito do Pai por cada um deles, e sua consciência foi adquirindo a sabedoria do Reino e sua responsabilidade por ele.

Jesus percebe que no povo há diferentes expectativas sobre sua missão. Ele tem uma imagem um pouco distorcida dele. 

Pela resposta que dão os discípulos, podemos concluir que, no dizer geral do povo, Jesus era um profeta, o profeta de Nazaré.

Se a primeira pergunta os surpreendeu, imaginem o que terá ocasionado neles esta segunda: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. É uma pergunta dirigida diretamente a eles e elas, aqueles que estão o dia todo junto com ele.

Peçamos luz ao Espírito Santo e respondamos a Jesus quem é Ele para nós?

Pedro em nome dos demais responde rapidamente: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
Esta confissão de fé em Jesus Cristo é semelhante àquela que Marta faz para Jesus por ocasião da morte de Lázaro: “Eu acredito que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir a este mundo” (Jo 11,27).

Como disse Domergue no seu comentário O que quer dizer a palavra “Messias”

"Em primeiro lugar, Messias é aquele que recebeu a unção real ou sacerdotal. Um personagem de alguma forma 'consagrado'.

Lembremos que no tempo de Jesus, esperava-se a vinda de um 'filho de Davi', um herdeiro da realeza davídica que viria restituir aos israelitas a sua autonomia. Um libertador, portanto, mas também um soberano. [...] 

Mal entendido aparecia cada vez com maior facilidade, na medida em que Jesus falava do 'Reino de Deus'. Não tinham chegado ainda a compreender o sentido desta expressão. Por outro lado, foi-se aos poucos concebendo o Messias como um personagem sobrenatural. De fato, com o passar do tempo, o 'Filho de Davi' tinha herdado características do 'Filho do homem', nome que Jesus se dá com muita frequência, em particular no v. 31 de nossa leitura." 

As duas confissões são inspiradas pelo Espírito Santo, por isso Jesus parabeniza Pedro, porque foi o Pai quem lhe deu a conhecer a verdade sobre Jesus.

O Reino de agora em diante é dos homens e das mulheres. O impossível converteu-se em nosso dote, em nosso tesouro. A Igreja está a serviço do Reino. Ressalta o Papa Francisco: O verdadeiro poder é o serviço. Ele também lembra que "O caminho do Senhor é o Seu serviço: assim como Ele fez o Seu serviço, nós devemos ir atrás dele, o caminho do serviço. Esse é o verdadeiro poder na Igreja. Eu gostaria hoje de rezar por todos nós para que o Senhor nos dê a graça de entender que o verdadeiro poder na Igreja é o serviço.

Agora Jesus abre os olhos de sua comunidade, alertando-a das dificuldades pelas quais vão passar. Adverte-os de que na vida cristã comprometida com o Reino haverá lutas, oposições, mas nada hão de temer, porque “o poder da morte não poderá sobre ela”!

Desta maneira Jesus antecipa sua vitória, não afasta o sofrimento, nem da sua vida nem da vida da sua comunidade, mas oferece a esperança da vitória, de que a morte não terá a última palavra nem sobre o Cristo, nem sobre seu Corpo! 

Fundada numa fé forte como a rocha e confiante nestas palavras de Jesus, as comunidades cristãs caminham entre luzes e sombras, buscando servir os homens e mulheres de todos os tempos como aprendeu de seu Mestre e Senhor, para que todos tenham vida, e vida em abundância.

Nesta festa lembramos todas aquelas discípulas e discípulos de Jesus que deram a vida em fidelidade ao Projeto do Pai: “Deixemos de lado tudo o que nos atrapalha e o pecado que se agarra a nós. Corramos com perseverança, mantendo os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da fé. Levantem as mãos cansadas e fortaleçam os joelhos enfraquecidos. Endireitem os caminhos por onde terão que passar, a fim de que o aleijado não manque, mas seja curado” (Hb 12,1-2.12-13).

Oração

 
Fonte: http://bit.ly/29gBrug 

Peçamos ao Senhor, pela intercessão de seus santos que sua Igreja tenha a fé fundante de Pedro e a ousadia evangélica de Paulo.

A festa dos Apóstolos
alegra todo o mundo
até os seus extremos
com júbilo profundo.
Louvamos Pedro e Paulo,
por Cristo consagrados
colunas das Igrejas
no sangue derramado.

São duas oliveiras
diante do Senhor,
brilhantes candelabros
de esplêndido fulgor.
Do céu luzeiros claros,
desatam todo laço
de culpa, abrindo aos santos
de Deus o eterno Paço.

Ao Pai louvor e glória
nos tempos sem fronteiras.
Império a vós, o Filho,
beleza verdadeira.
Poder ao Santo Espírito,
Amor e Sumo Bem.
Louvores à Trindade
nos séculos. Amém.

(Hino da Liturgia da Horas)

Referências

BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI Bruno. Os evangelhos. São Paulo: Loyola, 1990.

PIKAZA, Javier. A Teologia de Mateus. São Paulo: Paulinas, 1978.

 

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