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Espiritualidade » Comentário do Evangelho

DOMINGO I DA QUARESMA Evangelho segundo Marcos 1, 12-15

Em seguida o Espírito impeliu Jesus para o deserto.  E Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí era tentado por Satanás. Jesus vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus: «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia».

(Correspondente ao Primeiro Domingo da Quaresma, do Ano Litúrgico, ciclo B).

 

Um novo tempo é inaugurado

Estamos iniciando o tempo de Quaresma, no qual a Igreja nos convida a seguir e acompanhar Jesus em sua preparação e caminho para a Páscoa, evento fundamental de sua Vida e da nossa, quando a morte é vencida pelo amor, pela vida.

Para melhor compreender o texto do evangelho de hoje, é necessário começar a lê-lo desde o versículo 9: "Nesses dias Jesus chegou de Nazaré a Galileia e foi batizado por João no rio Jordão".

Depois de 30 anos em Nazaré, crescendo em sabedoria, graça e força (Lc 2,40), o filho do carpinteiro, conhecedor da realidade, das lutas e angústias de seus conterrâneos, abandona seu lar, sua mãe e sai em direção a Galileia, tomado pelo Espírito, pela voz que vinha do deserto e do Jordão.

Ao deixar sua cidade, Jesus vai ao encontro de seu primo, que batiza no rio Jordão. Este lugar evoca diferentes fatos significativos da história de Israel, o mais importante é quando Josué e o povo atravessam o rio para entrar na terra prometida (Js 3-4). Agora o Batista convoca o povo a iniciar um novo êxodo para alcançar uma nova terra, um novo reino que será inaugurado pelo Messias.

Nesta corrente de esperança messiânica é que Jesus pede o batismo a João. E é surpreendido pela voz do Pai: "Tu és meu Filho muito amado, em ti encontro o meu agrado".

Impelido por esse amor, que é o Espírito Santo, Jesus se adentra no deserto, que é para os israelitas o livro da aliança, mas também o duro caminho de suas tentações e pecados, o lugar da pedagogia divina às suas desmesuradas ambições e da lição de confiança em Deus somente.

Jesus vai ao deserto porque quer percorrer e assumir o caminho do seu povo no deserto, e deixar que o Espírito o prepare para sua missão.

Nos quarenta dias que Jesus passou no deserto, teve a experiência de ser tentado por Satanás. O evangelista Marcos não revela o conteúdo da tentação sofrida porque ela aparece constantemente na vida do Mestre.

Satanás significa adversário, quer dizer pessoas e sistemas que se opõem ao projeto de Deus, que é anunciado e realizado na pessoa de Jesus.

Embora o evangelista não quisesse se deter nas tentações, indiretamente ele nos diz que Jesus as venceu ao apresentá-Lo vivendo entre animais selvagens, e servido pelos anjos.

Isso quer dizer que Ele inaugura no deserto um novo tipo de relações com a criação, entre os homens, (Is 11,1-9) e com Deus, os anjos representam que o próprio Deus o sustenta (Sl 54,3), ou seja, Ele vence não magicamente, mas permanecendo em comunhão com seu Pai.

Neste tempo de Quaresma, somos convidados também nós a descobrir a voz do Espírito que mora em nosso coração? Para onde Ele nos conduz?

O encarceramento de João foi um sinal do Espírito para Jesus: agora era sua vez de tomar a bandeira do Reino de Deus.

Podia-se se apagar a lâmpada de João, mas não a luz de Deus (Jo1,7-9). Jesus voltou decidido à Galiléia, tansbordando de energia, pois o Espírito o investia e o impelia na paixão por semear por toda parte a sua palavra com uma mensagem e um convite: "O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia" (15).

Em continuidade com estas palavras de Jesus, a Igreja no Brasil nos propõe pela Campanha da Fraternidade um tema desafiador para que nossa vida se converta mais ao serviço do Reino vivido e anunciado por Jesus tendo com Tema: "Fraternidade e saúde pública", e como Lema: "Que a saúde se difunda sobre a terra!" (Cf. Eclo, 38,8)

Neste tempo de Quaresma, somos especialmente convidados a despertar a consciência para as diferentes e cruéis realidades de violência que vive nosso país e unir forças para promover uma cultura na qual todos tenhamos as mesmas possibilidades.

É necessário adotar também uma atitude ativa na denúncia da gravidade dos crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como as injustiças presentes nos institutos de prisão.

Desta maneira a Igreja nos convoca novamente a reavivar nossa vocação profética para que a utopia do reino de justiça e paz se concretize em nosso país. Reino que Jesus abre para nós na sua encarnação e consuma com sua Morte e Ressurreição, meta para a qual caminhamos nesta Quaresma.

 

Oração

Oração da Campanha da Fraternidade

Senhor Deus de amor,
Pai de bondade,
nós vos louvamos e agradecemos
pelo dom da vida,
pelo amor com que cuidais de toda a criação.

Vosso Filho Jesus Cristo,
em sua misericórdia, assumiu a cruz dos enfermos
e de todos os sofredores,
sobre eles derramou a esperança de vida em plenitude.

Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito.
Guiai a vossa Igreja, para que ela, pela conversão
se faça sempre mais, solidária às dores e enfermidades do povo,
e que a saúde se difunda sobre a terra.

Amém.

Referências

SICRE, José Luis. O Quadrante.  São Paulo: Paulinas, 2000.

SUSIN, Luiz Carlos. Jesus Filho de Deus e Filho de Maria. São Paulo: Paulinas, 1997.

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Campanha da Fraternidade 2012. Fraternidade e saúde pública. Brasília: CNBB, 2009.

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