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Espiritualidade » Comentário do Evangelho

DOMINGO 5 DE FEVEREIRO Evangelho segundo Marcos 1,29-39

Saíram da sinagoga e foram logo para a casa de Simão e André, junto com Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo eles contaram isso a Jesus. Jesus foi aonde ela estava, segurou sua mão e ajudou-a a se levantar. Então a febre deixou a mulher, e ela começou a servi-los.
À tarde, depois do pôr-do-sol, levavam a Jesus todos os doentes e os que estavam possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu na frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de vários tipos de doença e expulsou muitos demônios. Os demônios sabiam quem era Jesus, e por isso Jesus não deixava que eles falassem.
De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto.  Simão e seus companheiros foram atrás de Jesus  e, quando o encontraram, disseram: «Todos estão te procurando.» Jesus respondeu: «Vamos para outros lugares, às aldeias da redondeza. Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim.»  E Jesus andava por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.

(Correspondente ao domingo V, do Ano litúrgico, ciclo B).

 

O Milagre da cura, como acontece?

O Evangelho apresenta vários leques para poder abordar, escolhemos a explicação da compreensão do milagre já que é uma temática que vai continuar aparecendo na vida pública de Jesus e também culturalmente este conceito leva a uma visão religiosa discutível e com conseqüências que propiciam uma mentalidade de medo, uma magia que parece não acontecer nunca.

Finalmente nos colocamos a acompanhar a Jesus e seus discípulos, a observar seu agir, e seus gestos e pedimos poder viver mais o que contemplamos neste quadro de extrema beleza de comunicação de Jesus com essa mulher doente.

Os doentes formavam outro grande grupo de marginalizados. Além de excluídos do dom da saúde, também o eram do acesso a ela. Considerados impuros e pecadores pelos agentes religiosos, os sacerdotes e doutores da lei, muitos doentes recebiam como explicação teológica de sua doença ou a possessão por um espírito maligno ou o castigo de Deus por algum pecado pessoal ou dos antepassados (Jo 9, 1-2). Não podiam entrar no Templo, eram excluídos do encontro com o próprio Deus.

Jesus é aquele que, em qualquer lugar, a qualquer hora, liberta as pessoas de qualquer alienação e de tudo o que as impede de ter vida plena.

Há pessoas que se perdem na superfície do milagre e esquecem de buscar o essencial e válido para todos os tempos. Por exemplo, o exorcismo. No tempo de Jesus, o demônio (ou espírito mau ou espírito impuro) era tudo o que impedia a pessoa de ser ela mesma.

No mundo cultural ocidental, o milagre é visto como um acontecimento portentoso, que interrompe as leis da natureza, e só pode ser atribuído a Deus. Nesta perspectiva a natureza é considerada um sistema fechado: só em casos excepcionais Deus intervém na ordem desse mundo por ele criado. Parece que o mundo já está pronto e Deus faz uma intervenção um pouco mágica.

A visão dos judeus era bastante diferente. Para eles, o mundo criado como o ser humano, estão continuamente abertos à ação divina criadora e salvadora. Tanto a natureza quanto a história estão sempre abertas à intervenção de Deus. Em conseqüência os milagres não eram interpretados como interrupções das leis da natureza. Milagre era toda comunicação de presença vivificadora e libertadora de Deus, mas sempre uma comunicação feita com poder. Esta é a maneira de agir Jesus.

Nas pregações dos milagres de Jesus não se continua passando hoje esta visão? Lembre-se de algum programa de TV, novelas que alimentam esta visão e tire ás conseqüências

Agora se podemos adentrar-no na comunicação de Jesus com a sogra de Pedro, entrar na casa junto com seus discípulos e contemplar os gestos e palavras de Jesus com aquela mulher idosa e doente.

Jesus, um homem que escuta, vá ao encontro, toca, se comunica, coloca toda sua atenção na comunicação de vida com essa mulher necessitada.
Fixemos nossa atenção nos verbos deste trecho bíblico, e aí conheceremos mais o coração de Jesus, sua vida que vai além dos esquemas dessa época.

Todas ações de Jesus manifestam como ele se debruça para comunicar vida, liberdade, para integrar logo, a mulher ao seu ambiente, se preocupa das necessidades básicas, pede comida para ela.

Esse se doar por inteiro com gestos e palavras, sendo sensível ao mais necessitados no dia a dia é uma proposta revolucionária já que hoje os pobres, os doentes são utilizados para consumir os produtos de oferta, gerando muitas vezes uma mentalidade de alienação e não de gratuidade e liberdade.

Diante das pessoas necessitadas, qual é a minha atitude? Percebo que a existência da pobreza muitas vezes, é lucro para alguns?

 

Oração

Trovas ao Cristo Libertador

Olhar ressuscitado, todo o teu Corpo
acompanhando a marcha lenta do povo.

Todo Tu debruçado, como um caminho,
traçando em tua Carne nosso destino.
No azul do Argauaia os roxos medos,
no sol de tua glória nosso direitos.
Sangue vivo no verde das índias matas,
faixas gritando viva a Esperança!

Procissão de oprimidos, rezando as lutas,
e Tu, Círio de Páscoa, flor de aleluias.
Páscoa nossa imolada, em Ti enxertados,
como tu perseguidos, por Ti triunfamos.
Libertador, vencido, vencendo tudo.
Companheiro dos pobres, donos do mundo.

Guerrilheiro do Reino, maior guerrilha.
Tua cruz empunhamos em prol da vida.
Nossos mortos retornaram, com nossos passos,
em teu Corpo vivente, ressuscitados.
Em Ti, cabeça nossa, Libertador,
libertos, libertando, erguemo-nos.

Dom Pedro Casaldáliga.


Referências

BORTOLINI, José. Tire suas dúvidas sobre Bíblia.7.ed. São Paulo: Paulus, 2005.

GALDINO FELLER, Vitor. A Revelação de Deus a partir dos excluídos. São Paulo: Paulus, 1995.

GARCIA RUBIO, Alfonso. O Encontro com Jesus Cristo Vivo. Um ensaio de cristologia para nossos dias.8ed. São Paulo: Paulinas,2001.

 

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