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19 Agosto 2014

'Ordination' by Nicolas Poussin, 1630s

Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» 

Eles responderam: «Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas». 

Então Jesus perguntou-lhes: «E vocês, quem dizem que eu sou?». Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo». 

Jesus disse: «Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu». Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.

(Correspondente ao 21ºDomingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico).

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Locutor: Atila Alexius

Quem é o Filho do Homem?

Os evangelhos sinóticos conhecem um dos pontos altos da vida de Jesus neste encontro que acontece em Cesaréia de Filipe.

A pergunta que Jesus dirige aos seus apóstolos, com Ele reunidos, perpassa a história: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?».

E seus discípulos/as responderam de acordo a cultura religiosa das pessoas com quem conviviam, na maioria judeus, por isso responderam com personagens do Primeiro Testamento: «Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas».

Se perguntássemos a nossos contemporâneos/as quem é o Filho do Homem, as respostas seriam muito variadas, desde a energia do sol, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, e porque não Dalai Lama? Todos eles/as mensageiros/as da vida de Deus.

Jesus voltando-se para os/as seus/as Jesus dirige uma pergunta muito direta: «E vocês, quem dizem que eu sou?».

Deixemos que esta pergunta chegue hoje a nosso coração, quem dizemos que é Jesus? Podemos responder?

Na primeira comunidade de amigos/as de Jesus, é Pedro quem toma a dianteira e responde: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo».

Confissão de Pedro.
1904. Escultura atualmente na Igreja de São Pedro em
Sarleinsbach, na Áustria.
Fonte: http://bit.ly/Y0p0dX

Pedro pertencia a uma família de pescadores pobres, estava casado com uma mulher de Cafarnaum e viviam formando uma família múltiple na casa de seus sogros. Ao sentir-se atraído e chamado por Jesus, deixa suas pobres redes e o segue.

O testemunho das fontes cristãs contribui para criar a impressão de ser um homem espontâneo e honesto, decidido e entusiasta na sua adesão a Jesus e ao mesmo tempo capaz de duvidar e sucumbir às crises e ao medo.

Para os judeus, o imaginário de Messias tinha as características de um guerreiro libertador, o qual teria a missão de terminar com a dominação dos romanos, limpar Israel da presença dos pagãos e estabelecer a paz.

Pedro estava certo ao dizer que Jesus era o Messias. Depois as palavras e a vida de Jesus, especialmente sua morte  revelarão que seu messianismo nada tinha ver com estas expectativas.

Jesus é o Messias verdadeiro, mas não traz a salvação, destruindo os romanos, senão buscando o reino de Deus e sua justiça para todos/as. É o Messias crucificado e ressuscitado!

Mas tanto Pedro como a primeira comunidade compreenderão isso somente depois da Ressurreição de Jesus.

Outro nome de Jesus que Mateus coloca nos lábios de Pedro é Filho de Deus, que é muito sugestivo para os judeus, pois assim se chama na tradição bíblica Israel, o povo tão querido e cuidado por Deus; também o rei, representante do povo é considerado o "filho de Deus", inclusive alguns homens justos que sobressaem pela sua fidelidade a Deus são chamados de filhos seus.

Pedro escutou Jesus falar com autoridade às multidões, viu-o agir com misericórdia, conhecia também o comportamento singular de Jesus diante de Deus. Pedro tinha escutado Jesus chamar seu Pai como Abbá percebia sua confiança nele e sua obediência ele eram total e sua fidelidade absoluta.

Mas é importante lembrar que Jesus não é um "filho" mais de Deus. É o Filho. Foi Deus Pai quem o enviou ao mundo de seu próprio seio (Gal 4,4). Jesus vem de Deus, sua raiz última está nele.

Outra vez a vida e a morte de Jesus quebraram o imaginário popular de filho de Deus, porque como é possível que o filho de Deus seja um desconhecido que vai ser executado pelas autoridades romanas?

Proclamar que Jesus é o Filho de Deus é confessar o mistério de Deus encarnado nesse filho de carpinteiro, da Galiléia, entregue à morte por amor.

Jesus é um verdadeiro homem. Nele aparece tudo o que é realmente ser humano: solidariedade, compaixão, serviço aos últimos, que busca o reino de Deus e sua justiça... É Deus, nele se faz presente o Deus verdadeiro, o Deus dos pequenos e crucificados, o Deus do Amor, o Deus que só busca a vida e a felicidade plena para todos seus filhos e filhas, começando pelos últimos!

É por isso que diante da confissão de Pedro Jesus só pode felicitá-lo. É nessa fé que Pedro professa, e nele toda a comunidade cristã, que se funda a Igreja.

Ela é o grande tesouro dos cristãos e cristãs, é o que lhes permitirá permanecer e avançar, no meio das fragilidades próprias e tormentas do mundo, fiéis a Deus e ao seu projeto de vida para todos/as.

A fé em Jesus, o Messias, o Filho de Deus é a rocha sobre a qual foi fundada a Igreja, é a herança que recebemos de nossos/as antecessores/as e é o que somos convidados/as a continuar comunicando com nossa palavra e vida até o fim dos tempos.

Oração

Luminosa escuridão

És incompreensível.
Mas a escuridão
de teu mistério,
é mais luminosa
que nossas ideologias
pequenas luzes penduradas
nas encruzilhadas.
És inacessível.
Mas tua distancia
é mais acolhedora
do último reduto de meu ser,
que todos os braços
que se fecham com amor
sobre meus ombros.
És indizível.
Mas teu nome
humildemente orado,
vai emanando silencioso
mais sabedoria
que as torrentes de palavras
que circulam pela terra.
És imanipulável.
Mas teu desígnio
traz até minhas veias,
uma gota de vida eterna
que faz brotar
desde o centro de minha realidade
todas as minhas criações

Benjamin González Buelta

Referências

KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindis, 1981.

PAGOLA, José Antonio. Jesus. Aproximación histórica. Madrid: PPC, 2008.

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