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Espiritualidade » Comentário do Evangelho

FESTA DE CRISTO REI Evangelho de Lucas 23, 35-43

Rubens - Crucificação de Jesus
Atualmente está no Museu Real de
Belas Artes de Antuérpia, na Bélgica.
Fonte: http://goo.gl/gF1Ya5

O povo permanecia aí, olhando. Os chefes, porém, zombavam de Jesus, dizendo: «A outros ele salvou. Que salve a si mesmo, se é de fato o Messias de Deus, o Escolhido!»

Os soldados também caçoavam dele. Aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, e diziam: «Se tu és o rei dos judeus, salva a ti mesmo!» Acima dele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus».

Um dos criminosos crucificados o insultava, dizendo: «Não és tu o Messias? Salva a ti mesmo e a nós também!».  Mas o outro o repreendeu, dizendo: «Nem você teme a Deus, sofrendo a mesma condenação? Para nós é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal».  E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando vieres em teu Reino».  Jesus respondeu: «Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso».

(Correspondente à Festa de Cristo Rei, ciclo C, do Ano Litúrgico).

 

Locutores: Andriolli de Brites da Costa, Caio CoelhoRicardo Machado, Luciano Gallas.

O reinado do crucificado

Na festa de Cristo Rei, somos convidados/as a dirigir nosso olhar a Jesus Crucificado, que leva como coroa os espinhos, como vestes, só ferimentos, sendo seu trono, a cruz.

E se alguém tem dúvidas de quem se trata, a cruz tem um letreiro que o proclama: "Este é o Rei dos judeus".

Olhando para ele, vêm à nossa memória as palavras do profeta: "Ele não tinha aparência nem beleza para atrair o nosso olhar, nem simpatia para que pudéssemos apreciá-lo" (Is 53, 2).

Mais ainda: "Eram nossas doenças que ele carregava, eram as nossas dores que ele levava em suas costas" (Is 53,4).

Jesus de Nazaré, o filho de Maria, levou até as últimas consequências sua fidelidade ao projeto do Reino, seu serviço aos pobres e marginalizados, sua luta contra tudo aquilo que oprimia religiosamente ou socialmente seu povo.

Seu estilo de vida incomodou demais os interesses dos poderosos, que se uniram para matá-lo. Tratando-o como o pior dos malfeitores, deram-lhe o castigo dos últimos: a cruz!

E é desde esse lugar, ou melhor, é nesse lugar que é proclamado REI!

O que significa isso?

O lugar onde a salvação acontece é uma cruz, o lugar das vítimas, dos injustiçados deste mundo. É dali que a salvação brota, floresce. O reinado de Jesus inaugura-se no serviço máximo e na solidariedade com os últimos e desprezíveis de nossa terra.

Isto nos leva a nos questionarmos seriamente. Qual é o lugar que ocupamos na sociedade de hoje, perto de quem nos colocamos, com quem e para quem trabalhamos?

Os mártires da UCA, cuja memória celebramos uns dias atrás, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, optaram por viver num mundo de oprimidos; localizaram-se conscientemente no lugar da realidade histórica em que não há "possibilitação", mas opressão, isto é, no lugar das vítimas despojadas de toda figura humana, e foi aí que entregaram sua vida, que lhes foi violentamente arrebatada.

Fonte: http://goo.gl/Z5gkVT

Lucas disse que o "povo permanecia aí, olhando". Coloquemo-nos agora perto  dos crucificados, o rei dos judeus e os dois ladrões, para contemplá-los e escutar o que dizem.

As palavras dos ladrões dão voz a diferentes gritos da humanidade de todos os tempos. Por um lado, escutamos a voz irônica da incredulidade, da desesperança: "Não és tu o Messias? Salva a ti mesmo e a nós também!"

Por outro, a voz do pecador arrependido que clama por misericórdia: "Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu Reino".

Esse grito do bom ladrão não só é uma prece como também a confissão de fé em Jesus como Rei e Salvador. Esta é a chave para participar do reinado de Jesus, confiar-se humildemente à sua Pessoa.

A resposta de Jesus: "Eu lhe garanto, hoje mesmo você estará comigo no Paraíso", confirma o que dizíamos anteriormente: o reinado de Jesus se inaugura na cruz, e o "hoje" abre tempo e espaço para a participação no reino de Deus.

Com qual dos dois ladrões nos identificamos? Qual é nosso grito a Jesus Crucificado?

Por meio deste diálogo entre Jesus e o bom ladrão, o evangelista quer salientar as características principais do reinado de Deus, que são a compaixão e a misericórdia.

Nosso Rei crucificado nos revela um Deus compassivo e misericordioso, que ouve o clamor de seus filhos/as a ponto de ele mesmo assumir em sua carne esse grito para assim abraçá-los/as em seu amor misericordioso: "Pai, perdoa-lhes. Eles não sabem o que estão fazendo!" (Lc 23, 34).

Esta festa de Cristo Rei nos convida a nos colocarmos "no lugar", junto com nossos/as irmãos/ãs mais necessitados/as, para ali, com eles/as, viver suas lutas e sofrimentos, deixando que a compaixão e a misericórdia iluminem  nossa inteligência, motivem nossas relações e conduzam nossos passos para que o "hoje" do reinado de Deus continue acontecendo.

Oração

Oração dos mártires da caminhada

Deus da Vida e do Amor, Trindade Santa:
Em irmandade com os mártires da caminhada
Da Nossa América,
Vos louvamos e agradecemos
Pela força que derramastes em nossos corações
Para derramar a vida e a morte
Pela Vida, no Amor.

Como Jesus, foram fiéis até o fim
E deram a prova maior.
Por Ele e com Ele,
Venceram o pecado, a escravidão e a morte
E vivem gloriosos, sendo páscoa na páscoa.

Derramai também em nós o vosso Espírito
De união, de fortaleza e de alegria,
Para que demos totalmente nossas vidas
Pela causa do vosso Reino.
Por esses muitos irmãos e irmãs,
Testemunhas pascais.

Por Maria, a mãe da testemunha Fiel.
E pelo mesmo Jesus Cristo, o Crucificado-Ressuscitado,
Primogênito vencedor da morte.

Amém, Axé, Awere, Aleluia!

Dom Pedro Casaldáliga

Referências

KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindis, 1981.

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