Estas são as razões do ‘adeus’ do (ex-)cardeal Angelo Becciu

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25 Setembro 2020

O Papa se desfaz de um dos personagens mais obscuros da Cúria.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 24-09-2020. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Por que Angelo Becciu renunciou? Aos seus 72 anos – faltam três para a jubilação –, ele que foi substituto da Secretaria de Estado e até algumas horas atrás prefeito da Congregação das Causas dos Santos, abandonou seu posto, e seus direitos cardinalícios – ainda que na Santa Sé sigam denominando-o “Eminência” – em uma decisão não explicada, mas que todos apontam ao escândalo de gestão dos fundos do Óbolo de São Pedro em vários imóveis de luxo em Londres e outras capitais europeias.

O escândalo pelo possível investimento fraudulento de centenas de milhões de euros do Óbolo de São Pedro em imóveis de luxo em Londres e outras capitais europeias caiu sobre vários dirigentes, e à sombra da suspeita se oprime sobre Angelo Becciu, anterior ao substituto da Secretaria de Estado e apontado como responsável.

“Me pintam como quem brincou com o dinheiro dos pobres”

Depois de que, há meses, o secretário de Estado, Pietro Parolin, admitisse que a gestão dos fundos teria sido “opaca”, Becciu se defendeu contra aqueles que “me pintam como alguém que brincou e manipulou o dinheiro dos pobres”.

“Na Secretaria de Estado tínhamos um fundo intitulado ‘Dinheiro para os pobres’ e estava destinado aos pobres”, explicava Becciu. Isso sim: “Se falamos do Óbolo de São Pedro devemos ser claros”. O que quer dizer? Nem mais, nem menos, que existiam duas contas. Uma, destinada às obras de caridade do Papa, e outra, “para o sustento de seu ministério pastoral”, sem uma finalidade clara.

“Em qualquer caso – acrescentava – as acusações contra mim são confusas, e as rechaço com firmeza e desprezo. Tenho a consciência tranquila e sei que sempre atuei pelo interesse da Santa Sé e nunca pelo meu. Qualquer um que me conhece de perto pode dar fé disso”.

“A Santa Sé sempre investiu em imóveis”

Sobre as acusações de falta de transparência nos investimentos admitidas por Parolin, Becciu revela “Por que deveriam ser opacas?”, queixou-se, defendendo que “a Santa Sé sempre investiu em imóveis, sempre o fez: em Roma, em Paris, na Suíça... e também em Londres”.

De fato, acrescenta o atual prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Pio XII foi o primeiro a comprar bens imóveis na capital britânica.

A respeito do palácio na Sloane Square, Becciu revelou que a proposta “nos foi apresentada, e não tinha nada obscuro. O investimento foi regular e registrado segundo a lei”. “Os investimentos da Secretaria de Estado foram regulares: em todo caso, as dificuldades surgiram com o acionista majoritário, com quem entendo que havia perguntas sobre a gestão da liquidez”, tratou de concluir Becciu.

Porém o certo é que os investigadores do Vaticano detectaram “graves indícios” de corrupção entre responsáveis da Santa Sé na investigação em curso sobre supostas irregularidades imobiliárias, chegando a suspender o emprego de várias pessoas, como medida cautelar, e que também resultou na demissão do “anjo da guarda” papal, Domenico Giani, em uma decisão tampouco explicada.

O imóvel de Londres

No centro do caso figura a compra de um imóvel de 17.000 m² em Londres por 200 milhões de dólares, entre outras coisas. Uma investigação do jornal L’Espresso assegurava que os fiscais do Vaticano redigiram um relatório em que veem “graves indícios de fraudes, corrupção, abuso de poder e lavagem de dinheiro” por alguns funcionários ou eclesiásticos da Santa Sé.

E o revisor geral, Alessandro Cassinis, encarregado de auditar a Administração vaticana, encontrou “graves delitos, como apropriação indevida e corrupção”.

Estes supostos delitos ocorreram, segundo L’Espresso, no período em que o cardeal Angelo Becciu esteve na pasta para os Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, da qual saiu em setembro de 2018 para assumir como prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

Os documentos descobertos por L’Espresso apontam que a Secretaria de Estado possui e gere fundos externos a um orçamento que chega a 650 milhões de euros, procedentes de doações que o Papa recebe para obras de caridade.

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