Nicarágua. Catedral de Manágua é incendiada. Cardeal e bispos veem “terrorismo” pró-Ortega

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03 Agosto 2020

No contexto das profundas tensões entre os bispos da Nicarágua e o governo socialista do presidente Daniel Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, três igrejas católicas do país foram atacadas nas últimas três semanas, seguindo um antigo padrão de alvejar igrejas.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 01-08-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Embora as autoridades do governo tenham descrito os incidentes como fatos isolados e tenham culpado as condições dentro das igrejas por qualquer dano causado, lideranças católicas insistem que os ataques foram “premeditados” e fazem parte de uma campanha de “terrorismo” dirigida por forças pró-Ortega.

No incidente mais recente, um homem gritando “Eu venho pelo sangue de Cristo” jogou um coquetel molotov contra um crucifixo de madeira de quase 400 anos de idade, exibido em uma capela da Catedral de Manágua, capital da Nicarágua.

Apenas duas horas depois, Murillo disse que a imagem havia sido queimada devido a várias velas votivas acesas pelos fiéis ali perto, e não porque o agressor havia mirado nela. Algumas testemunhas contestaram essa afirmação, afirmando que viram um homem ainda não identificado jogando o explosivo caseiro diretamente contra o crucifixo.

A Arquidiocese de Manágua, liderada pelo cardeal Leopoldo Brenes, divulgou um comunicado chamando o ataque de um “ato de sacrilégio e profanação”.

Falando com agências de notícias locais, depois de passar um tempo com aqueles que estavam rezando na catedral quando o homem encapuzado entrou, Brenes disse que o suspeito passou 20 minutos dentro da igreja e sabia o melhor lugar para escapar.

“Quero dizer isto claramente: é um ato terrorista para amedrontar a Igreja em sua missão evangelizadora”, afirmou Brenes, acrescentando que havia sido planejado “com muita calma”.

Desde uma revolta civil contra o governo de Ortega, em abril de 2018, houve vários ataques contra bispos, igrejas e instituições de caridade católicos. Bispos e muitos padres criticaram o governo e abriram casas de oração para os manifestantes encontrarem refúgio durante o pior momento dos confrontos com a polícia e os militares.

Centenas foram mortas durante as revoltas, e milhares de balas foram disparadas contra várias igrejas.

O Pe. Edwin Roman afirmou no Twitter, no dia 25 de julho, que duas paróquias em Masaya, ao sul de Manágua, haviam sido atacadas. Imagens e bancos foram quebrados, e hóstias consagradas e elementos litúrgicos de valor, como um cálice, foram roubados.

Roman estava no noticiário em novembro de 2019, quando sua própria paróquia foi sitiada durante semanas, e um grupo de 11 manifestantes foi forçado a permanecer em seu interior. As autoridades cortaram a energia e a água da paróquia, e prenderam um grupo de 13 mulheres por tentarem levar água para as pessoas que estavam dentro. Os manifestantes haviam se trancado na igreja depois de terem entrado em uma missa para homenagear centenas de presos políticos, muitos dos quais permanecem na prisão sem nenhum acesso a julgamento.

“Obviamente, não é coincidência”, tuitou Roman depois do ataque de sexta-feira. “São ataques dirigidos, escalonados ao povo católico da Nicarágua, através de seus sinais e imagens; sobretudo o mais sensível, como a Eucaristia. Sangue de Cristo... salvai-nos!”.

A queima da imagem do Sangue de Cristo, esculpida há 380 anos, é o último de vários ataques que a Catedral de Manágua enfrentou nos últimos dois anos. Em novembro de 2019, simpatizantes pró-Ortega entraram na igreja e tomaram posse dela temporariamente para impedir que as mães de presos políticos rezassem lá. As mulheres foram sequestradas, e o vigário da catedral, Pe. Rodolfo Lopez, foi espancado.

Em março de 2020, multidões pró-Ortega também tentaram boicotar uma missa fúnebre pelo poeta e teólogo Ernesto Cardenal, que apoiou Ortega nos anos 1980, mas que havia sido muito crítico contra o governo atual.

“Atacam a imagem de Cristo porque ele está pregado na cruz, agridem a Igreja porque ela não usa a violência, reprimem o povo porque não ele pode se defender”, tuitou o bispo Silvio Baez, forçado ao exílio no ano passado, depois de uma série de ameaças de morte que ele e sua família receberam pela sua aberta oposição a Ortega.

“Eles se enganam”, escreveu ele. “A imagem do Sangue de Cristo mostra hoje a dor do sofrido povo da Nicarágua que certamente ressuscitará.”

 

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