Amazônia, Schönborn: viri probati diáconos antes que padres

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22 Outubro 2019

O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena e membro da comissão encarregada de preparar o documento final no sínodo em curso no Vaticano "sugere" à Amazônia que experimente os viri probati diáconos, antes de passar para os viri probati presbíteros, e é dado como certo que a maioria da assembleia pressionará para conferir o leitorado e o acolitado às mulheres. O Primaz da Áustria, uma figura-chave já no duplo Sínodo sobre a família de 2014-2015, respondeu às perguntas de um grupo de jornalistas, no final do briefing de hoje na sala de imprensa do Vaticano, dizendo que estava confiante de que, no momento da votação no documento final, no próximo sábado, não haverá divisões, mas grande unidade. 

A entrevista é de Salvatore Cernuzio, publicada por La Stampa, 21-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Parece que este Sínodo sobre a Amazônia não interessa muito à Igreja Ocidental: quais são os laços que devemos ter com essa região?

Acho que, pelo menos agora, até a Europa começa a entender que o mundo é único e nosso destino comum, e, portanto, não podemos dizer que a Amazônia não nos interessa porque sabemos, como disse um grande especialista hoje (Hans J Schellnhuber, professor de Física Atmosférica e diretor emérito do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, um dos convidados especiais do Sínodo que falou hoje, ndr), que a destruição da floresta amazônica é a destruição do mundo. Foi uma palavra dramática, alguns dirão que exagerou: esperamos que tenha exagerado! Antes de tudo, porém, esperamos que a voz da Igreja, a voz do Papa, a voz do Sínodo ajude as grandes potências do mundo, políticas e econômicas, a pensar em seu próprio futuro. Também (os poderosos) têm filhos, e espero que pensem no futuro de seus filhos. O Sínodo tem um significado profundo para todos nós.

À hipótese dos viri probati, o senhor disse que preferia o diaconato permanente...

Eu tenho experiência do diaconato permanente: temos 180 diáconos na arquidiocese de Viena, são viri probati diáconos. Eu simplesmente disse, ou melhor, sugeri, não quero ensinar à Amazônia sobre o trabalho pastoral: vocês têm poucos diáconos permanentes, mas há cinquenta anos o Concílio Vaticano II abriu esse caminho; e, portanto, antes de pensar nos viri probati presbíteros, experimentem os viri probati diáconos. Eu disse no plenário que seria como uma espécie de laboratório para ver o que significa ter família, vida profissional e um intenso compromisso na Igreja, um compromisso sacramental como diácono. Temos diáconos permanentes há 50 anos e podemos dizer qual poderia ser a situação dos viri probati presbíteros: sabemos que não é fácil, e não se pode improvisar uma situação desse tipo, mas certamente é um tema que está sendo discutido. E assim minha proposta simples foi: talvez para vocês na Amazônia valeria a pena seguir o caminho do diaconato permanente, os viri probati diáconos.

O bispo Erwin Kräutler disse que aquela dos viri probati é a única solução porque na Amazônia o celibato não é entendido: o que pensa a respeito?

Penso na resposta dada pelo único padre nativo presente aqui no Sínodo, um padre salesiano, que respondeu dizendo que o celibato é um desafio para todos, não apenas para os indígenas, assim como o casamento é um desafio. Caminhar no percurso do celibato como Jesus viveu, porque esse é o modelo: não é uma invenção eclesial, e Jesus disse que se alguém escolhe esse caminho, é um caminho exigente. E assim, para aqueles que dizem que os africanos ou os indígenas da América Latina não são capazes de celibato, pergunto: qual de nós é capaz sem luta, sem desafios, de viver a livre escolha do celibato?

No Sínodo, há aqueles que propuseram um sínodo universal para discutir a questão do celibato: o senhor concorda?

Se for feito um Sínodo, que seja feito sobre a Igreja, não vamos falar apenas de clérigos. Seria uma limitação temática. O Papa sempre nos convida a olhar para o povo de Deus e também para mim minha alegria é caminhar com o povo de Deus. Inclusive agora que sofri de câncer, e graças a Deus parece superado, me senti ajudado pelo povo de Deus que caminha comigo e eu com eles. Que forma encontrar para os ministérios, então, é secundária: o importante é a visão da Igreja como povo de Deus.

E o que pensa da hipótese do diaconato feminino?

É uma questão dogmaticamente não decidida. A Igreja expressou-se claramente na questão do sacerdócio e do episcopado, enquanto sobre o diaconato não há posição doutrinária e magisterial. Existem elementos históricos e teológicos: existem argumentos históricos que vão na direção do diaconato feminino, mas outros dizem que na história nunca foi um sacramento, mas um serviço, um ministério. Muitos dizem - e acho que a maioria do Sínodo dirá - que abrir às mulheres os ministérios Ad Pascendum de Paulo VI, o leitorado e o acolitado, não há nenhum impedimentos. Em Viena, temos um grande número de mulheres que realizam funerais e têm o decreto do bispo: nada diz na dogmática da Igreja que uma mulher não pode conduzir os funerais; e assim também muitas mulheres na Amazônia fazem, com a permissão do bispo, o batismo ou atendem aos que estão morrendo. Tudo isso é possível no âmbito dos ministérios: vamos procurar essas possibilidades primeiro. Sobre o diaconato feminino, o Papa nos disse que o estudo continua.

O senhor que é um "veterano" dos Sínodos, acredita que, em relação a 2015 ou até mais a 2014, no momento da votação haverá divisões ou no final os parágrafos do documento final atingirão todos os dois terços dos votos?

Eu não sou um profeta, mas a intenção do Sínodo é sempre alcançar uma maior unidade, porque o Sínodo não é um Parlamento, o Papa o relembrou muitas vezes, em que vence um partido com 51% contra 49%: isso não é sinodal. O Sínodo busca a máxima unidade, não com compromissos: o Santo Padre usou a bela palavra do desborde, a superabundância. Como em uma fonte, a água transborda e sempre há algo que eleva o nível das discussões. Certamente existem tensões, até oposições, mas então chega a hora de superá-las com uma visão mais alta ou mais profunda.

O senhor concorda com a possibilidade de introduzir um específico rito amazônico?

Em Viena, como bispo, tenho 21 ritos, grego-católicos, bizantino, armênio ... sou ordinário para todos esses ritos católicos orientais, que têm sua relativa autonomia, com certa cultura e certa história: vamos ver!.

Durante o briefing diário na Sala de Imprensa do Vaticano, Schönborn havia respondido, entre outras coisas, perguntas relacionadas às abundantes críticas contra o Papa Francisco. "Tenho idade suficiente para lembrar o pontificado de São Paulo VI", disse o cardeal, "e as críticas que recebeu são muito semelhantes às feitas contra o Papa Francisco: para alguns, é o destruidor da Igreja, para outros, um impedimento ao progresso. Mas ele simplesmente era o Papa. E esta é a minha atitude fundamental como católico: ele é o Papa. Eu tive relações estreitas com João Paulo II, fui aluno de Bento XVI, estudei e trabalhei com ele, em particular no Catecismo, e eu nunca vi a menor oposição. Existem diferenças porque cada Papa tem sua história e seu caráter, mas é sempre Papa e, portanto, é muito claro para mim o fato de ser fiel ao Papa, e ponto final”.

E para aqueles que, entre os jornalistas, ressaltaram que hoje é suficiente ter uma conta no Twitter para atacar o Papa enquanto as críticas ao Papa Montini eram qualificadas, Schönborn respondeu: "Nem sempre eram tão qualificadas ... As críticas - ele continuou - são parte da vida, ser Papa significa ser criticado, mas também amados por tantas pessoas ao redor do mundo: nós católicos em todo o mundo rezamos por esse Papa todos os domingos, e faremos isso pelo próximo Papa, isso é muito mais impressionante do que as críticas".

Também durante a conferência de imprensa, Schönborn, que também afirmou que o papel da comissão de redação do documento final, do qual faz parte, é "dar aprovação imediata ao trabalho realizado pelos relatores" e não escrever o texto, também falou de outras questões relacionadas à falta de padres: "Como Igreja universal, devemos fazer autocrítica porque a Amazônia está em tais dificuldades pastorais", disse o arcebispo de Viena: "Conhecemos esse problema de distributio cleri e sabemos que na Europa, em comparação com outras partes do mundo, há uma superabundância de clero: sejamos honestos, isso também se deve ao fato de que há um salário melhor do que nas áreas pobres do mundo, não é bonito de se falar, mas é a realidade. Somos gratos pela ajuda que recebemos em nossa diocese de presbíteros de outros países, mas a justiça deveria nos levar a repensar o funcionamento", disse ele, dando o exemplo do missionário comboniano Dario Bossi, sentado ao lado dele: "Se houver urgência, a Igreja universal deve fazer esforços como no passado, enviando um padre como Dario da Itália para a Amazônia".

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