Bispo dos EUA diz que Sínodo da Amazônia enriquecerá a Igreja (e as nossas vidas). Artigo de Thomas Reese

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17 Outubro 2019

Embora o foco do Sínodo deste mês em Roma tenha estado nas necessidades da região amazônica, um bispo estadunidense sugeriu no encontro que o Sínodo pode enriquecer o restante da Igreja e do mundo.

O comentário é do jesuíta estadunidense Thomas J. Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, de 1998 a 2005, e autor de “O Vaticano por dentro” (Ed. Edusc, 1998), em artigo publicado por Religion News Service, 15-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dom Robert McElroy, bispo de San Diego, é um dos poucos prelados convocados ao Vaticano para a reunião de três semanas que não é da região amazônica. Com doutorado em Teologia pela Universidade Gregoriana e em Ciências Políticas pela Universidade de Stanford, ele é considerado um dos mais brilhantes bispos dos EUA.

McElroy passou a primeira semana do Sínodo escutando. Quando falou, em vez de dizer aos amazônicos como lidar com seus problemas, ele optou por falar sobre como o Sínodo – e talvez os próprios amazônicos – pode potencialmente impactar o restante de nós. Em certo sentido, ele estava explicando aos norte-americanos por que este Sínodo também é importante para eles.

McElroy explicou que o Sínodo é um dom para a Igreja, porque ele mostra como a Igreja pode ouvir aqueles que geralmente não são ouvidos. A “experiência sinodal vivida”, disse o bispo, “coloca em seu centro os sonhos e os sofrimentos do povo de Deus. É uma experiência sinodal que privilegia as percepções e as experiências daqueles que são continuamente excluídos da participação significativa na Igreja e na sociedade.”

McElroy gostou do fato de o Sínodo “pôr o imperativo pastoral no centro da teologia e da missão da Igreja” e “priorizar a escuta do Espírito, as discussões ousadas e honestas, e um foco inabalável na misericórdia de Deus”.

Dessa forma, “a Igreja da Amazônia iluminou um caminho cheio de graça para a adoção da sinodalidade que enriquecerá as Igrejas regionais e locais em todo o mundo”, disse McElroy.

Em outras palavras, o Sínodo da Amazônia é um exemplo vivo do que o Papa Francisco quer dizer quando fala de uma Igreja sinodal que escuta, discerne e atua como discípula de Jesus.

A segunda contribuição do Sínodo para o restante da Igreja e do mundo “está em seu testemunho da natureza e do poder da conversão ecológica”.

McElroy acredita que essa conversão requer tanto “o reconhecimento da realidade empírica da destruição ambiental que ameaça o nosso planeta”, quanto uma sincera “aceitação da criação como um dom sagrado cujo futuro é confiado ao nosso cuidado”.

Ambos os fatores são necessários para a conversão, mas a contribuição exclusiva da Igreja é apresentar a Amazônia como “o jardim mais vital e bonito de Deus no nosso planeta”, que devemos proteger da destruição.

Assim como com os povos indígenas da Amazônia, a nossa relação com a natureza deve ser “de intimidade, sacralidade, dom e cuidado”, afirmou. A ciência, embora essencial, não pode fornecer essa visão, que é necessária para a conversão.

Por fim, ele disse que o documento de trabalho do Sínodo, que foi distribuído antes da reunião dos bispos, fala do “bem viver”.

“No meu país”, disse ele, “o bem viver significa uma vida de luxo e de facilidades. Para os povos da Amazônia, o bem viver significa conexão com a fé, consigo mesmo, com os outros, com a terra. Isso aponta para a unidade de toda a existência humana: trabalho, descanso, celebração, relação e a recusa a aceitar o fracionamento da existência humana que a vida moderna coloca sobre todos nós”.

Tal bem viver também “rejeita as graves disparidades de riqueza e de desigualdade social”, afirmou. “Ele respira com o espírito de Deus.”

Ele reconheceu que “a forma específica de bem viver que existe para os povos indígenas da Amazônia não será transferível para a maioria das outras culturas do mundo”. Mas ele acredita que “os seus temas subjacentes de conexão, moderação, equilíbrio e partilha devem se tornar a norma para todos os povos na reavaliação dos nossos estilos de vida, se quisermos escapar das tentações do materialismo e construir uma sociedade sustentável para o nosso mundo”.

McElroy acredita claramente que os norte-americanos têm muito a aprender com o Sínodo da Amazônia e com os povos da Amazônia. Resta saber se os norte-americanos vão dedicar um tempo em suas vidas ocupadas para ouvir.

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