A Igreja Católica está se opondo a Trump? Bispos dos EUA acusam propostas de imigração de serem 'discriminatórias'

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09 Agosto 2017

Os altos e baixos da relação entre o presidente Donald Trump e o papa Francisco foram bem documentados.

Desde a acusação do papa de que a proposta de Trump de construir um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México não era "cristã" até sua recepção ao presidente e a sua família no Vaticano em maio, os dois têm um relacionamento interessante.

A reportagem é de Conor Gaffey, publicada por Newsweek, 04-08-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Mas a Igreja Católica parece estar assumindo uma posição mais dura a respeito do governo de Trump. Os bispos dos EUA criticaram o projeto de lei a respeito da imigração apoiado por Trump, considerando-o "discriminatório", e exortaram o Congresso e o presidente a rejeitá-lo.

O presidente do Comitê de Migração da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Dom Joe Vasquez, de Austin, Texas, criticou o projeto, chamado RAISE Act, apresentado por dois senadores republicanos na quinta-feira, segundo o jornal britânico Catholic Herald.

A legislação proposta - cuja sigla em inglês significa "reformar a imigração americana para fortalecer os empregos" (RAISE) -, reduziria a imigração em 41% no primeiro ano e em 50% em um período de 10 anos, de acordo com o jornal The Guardian.

No lançamento da proposta, na Casa Branca, nesta quarta-feira, Trump disse que o projeto de lei representava "a reforma mais significativa do sistema de imigração dos últimos 50 anos". O presidente também disse que criaria um "sistema de imigração meritocrático que proteja trabalhadores e contribuintes estadunidenses".

O projeto de lei está sendo co-patrocinado por dois senadores republicanos, Tom Cotton e David Perdue, e priorizaria imigrantes que saibam falar inglês ou tenham alto grau de instrução. Além disso, cortaria de modo permanente o número de refugiados com permissão para entrar no país de forma segura.

Mas a Igreja encarou de forma diferente. "Se essa legislação discriminatória tivesse sido aprovada gerações atrás, muitas pessoas que construíram e defenderam este país teriam sido excluídas", disse Vásquez, de acordo com o Catholic Herald.

Vasquez acrescentou que famílias sofreriam impactos negativos e a contribuição dos imigrantes nos Estados Unidos seria prejudicada. O bispo convidou o Congresso e o governo Trump a "trabalhar em conjunto de forma bipartidária a fim de promulgar uma reforma abrangente da imigração".

Parte dos católicos apoiaram Trump nas eleições de novembro de 2016. Cinquenta e dois por cento dos católicos votaram no candidato republicano, contra 45% que votaram na rival democrata, Hillary Clinton, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, embora dois terços dos católicos hispânicos tenham apoiado Hillary. O arcebispo católico de Nova York, o cardeal Timothy Dolan, leu um trecho da Bíblia na posse do Presidente Trump, em 20 de janeiro.

Trump disse que era conhecer Francisco uma das "maiores honras de sua vida", após visitar o Vaticano em maio, para suavizar desentendimentos públicos anteriores.

Mas dois assessores próximos ao papa escreveram recentemente um artigo criticando fortemente os católicos conservadores estadunidenses por terem criado uma aliança de "ódio" com os evangélicos dos EUA para apoiar o presidente Trump.

O artigo foi publicado por La Civilta Cattolica, que é revisada pelo Vaticano, embora não se tenha certeza se o Papa aprovou o conteúdo ou não. Os autores - Antonio Spadaro, jornalista jesuíta que já entrevistou o papa, e Marcelo Figueroa, amigo argentino de Francisco - disseram que a visão de mundo dos católicos estadunidenses, baseada em uma interpretação literal da Bíblia, não estava "tão distante" dos jihadistas fundamentalistas. Eles também destacaram Steve Bannon, braço-direito de Trump, como "defensor da geopolítica apocalíptica".

Com cerca de 22%, os católicos são o maior grupo religioso dos Estados Unidos e, portanto, o governo Trump não quer desapontá-los. Porém, membros da liderança católica dos EUA deixaram claro que pretendem reivindicar as políticas do presidente quando julgarem necessário.

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