A "Amoris laetitia" segundo a psicanálise

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18 Abril 2016

Há também a sombra de Sigmund Freud na exortação Amoris laetitia que o Papa Francisco dedicou à família. No entanto, percebe-se uma mão que sabe bem o que é a sociologia, a psicologia e até mesmo a psicanálise. Essa é a tese de Massimo Ammaniti, renomado psicanalista e psicopatologista.

A reportagem é de Paolo Conti, publicada no jornal L'Osservatore Romano, 15-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"O aspecto mais interessante da exortação é que não se fala mais de uma família idealizada, mas, com realismo, 'das famílias' de hoje, justamente 'com os pés assentados na terra', como se lê. Assim como chama a atenção, na elaboração, a clara referência a teorias sociológicas e psicológicas, mas também a alguns conceitos da própria psicanálise."

Vejamos como, segundo o professor Ammaniti: "Há um profundo conhecimento não só do indivíduo contemporâneo, mas também das dinâmicas familiares dos nossos tempos. Por exemplo, há expressões como aquela em que a família é definida como 'santuário do amor', que pode ser muito bem conjugada também laicamente. E o mesmo pode ocorrer com o conceito de 'doar-se' dentro do núcleo familiar, onde se ama e se ensina os filhos a como amar".

Depois, há uma passagem que chamou muito a atenção do psicanalista que se ocupou longamente dos problemas ligados à gravidez: "Lê-se que o pai e a mãe 'sonharam o filho por nove meses'. Sigmund Freud, na Introdução ao narcisismo, escreve que os filhos virão ao mundo para satisfazer sonhos dos pais e para realizar os sonhos insatisfeitos. No texto papal, insiste-se muito no fato de que a mãe não dá só vida ao filho, mas o faz nascer na própria mente. Tema de grandíssimo interesse".

Porque, diz Ammaniti, há a questão do vínculo inseparável do filho com a mãe: "E aqui também eu encontro o tema do apego à figura materna estudado pelo grande psicólogo e psicanalista britânico John Bowlby. Através da confiança na mãe, a criança modula a matriz necessária para todas as suas futuras relações".

E, naturalmente, há a figura do pai, que ocupam muito espaço na exortação papal: "O pai é visto como uma figura que ajuda a identificar os limites para conter aquela certa onipotência infantil, a construir uma ética para o futuro adulto. Aqui, há traços dos perigos indicados pelo famoso ensaio Rumo a uma sociedade sem pais, do psicólogo alemão Alexander Mitscherlich. Nesse contexto, cita-se também a parábola do filho pródigo para explicar como e por que um pai deve estar pronto para acolher o filho que errou. Um tema que era muito caro ao psicanalista Franco Fornari, que o estudou longamente".

Mas o entrevistado não vê sombras nessa exortação? "Quando se fala de situações imperfeitas e de famílias feridas, também se mencionam 'situações irregulares', reconstruídas depois de um divórcio. Eu acho que essa definição não faz justiça a todos os outros esforços culturais do contexto. É um juízo de valor que destoa com o resto: falar de famílias 'imperfeitas, feridas' parece-me mais aceitável. Enquanto, em vez disso, é compartilhável a análise sobre a facilidade com que tantos casais jovens, diante da primeira dificuldade, optam pela via da separação. Um casamento laico também está ligado ao projeto de construção de uma família. Portanto, deveria estar aberto à ideia do 'definitivo' do matrimônio católico. Caso contrário, existe o risco de uma coação a repetir, ou seja, a perspectiva de reiterar a escolha da separação."

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