Paolo Taviani e o amor como entrega e sacrifício

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22 Setembro 2018

Em 20 de setembro de 1929 nascia em San Miniato Vittorio Taviani o mais jovem dos irmãos. Vittorio morreu em 15 de abril. Já vinha doente há tempos. Talvez seja por isso que Paolo Taviani assine sozinho a direção de Uma Questão Pessoal, que estreia nesta quinta, depois de integrar a programação da Mostra, no ano passado. O roteiro, de qualquer maneira, é da dupla – uma adaptação do romance de Beppe Fenoglio.

O comentário é de Luiz Carlos Merten, publicado por O Estado de S. Paulo, 20-09-2018. O crítico de cinema comenta o filme Uma Questão Pessoal, de Paolo Taviani, em cartaz nos cinemas brasileiros.

Paolo e Vittorio voltam ao tema da guerra. Narram a história de um triângulo. Milton ama Fúlvia, mas descobre que ela tem uma ligação com Giorgio. Esse último foi preso pelos fascistas, e agora Milton procura um refém para trocar pelo amigo (rival?). Amor, sacrifício. Não é muito difícil ver nesse triângulo que não chega a se desenvolver – tudo fica muito na ótica de Milton – uma tentativa de abordar, metaforicamente, a situação dos irmãos. Acostumados a trabalhar em dupla, dessa vez podem até ter pensado o filme conjuntamente, mas, na hora de passar o roteiro pela câmera – como dizia Alfred Hitchcock –, a tarefa coube a Paolo. Um Taviani, apenas. A direção como exercício solidário.

O filme começa em meio à bruma, um casarão que adquire contornos, cores e a música – Over the Rainbow, em homenagem a O Mágico de Oz – que o impregna de vida. É a casa de Fulvia. Como se filma a guerra, seu efeito sobre as pessoas? Em A Noite de São Lourenço, seu clássico de 1981, os Taviani, em dupla, filtravam a 2.ª Guerra por ecos de outra guerra mítica, a de Troia. O embate de Heitor e Aquiles. Ettore, Ettore! O realismo de Uma Questão Pessoal é quebrado por imagens que parecem surreais.

A garotinha levanta-se em meio aos cadáveres dos integrantes da família para tomar água (e volta). O soldado fascista imagina-se no meio de uma jam session, e toca um air drum que parece não ter nada a ver com a gravidade do momento. O amor, a morte, a guerra e o comprometimento. Quando é que uma questão pessoal vira projeto coletivo, e vice-versa? Paolo, sem Vittorio, ou apenas parcialmente com ele, fez um Taviani dos grandes.

Uma Questão Pessoal / Una Questione Privata (Itália/2017, 84 min)

Dir. Paolo Taviani

Com Luca Marinelli, Lorenzo Richelmy 

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