Mulheres em greve. Artigo de Bia Sarasini

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05 Outubro 2016

"A liberdade da mulher significa que apenas ela pode decidir, ninguém mais pode fazer isso em seu lugar. E que somente essa posição a torna totalmente livre. Livre para exercer a sua própria responsabilidade, livre do controle sobre o seu próprio corpo."

A opinião é da jornalista italiana Bia Sarasini, ex-diretora da revista feminista italiana Noi Donne, em artigo publicado no jornal Il Manifesto, 04-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Uma segunda-feira preta na Polônia. Preto pela cor do luto proclamado pelas mulheres polonesas para protestar contra o projeto de lei apresentado ao Parlamento por grupos pró-vida, que proíbe qualquer possibilidade de aborto e até o torna crime, punível com cinco anos de prisão. Crime para as mulheres e para quem as ajuda.

Uma cor forte e apropriada, preto fúnebre. Adequado para a ferida grave que seria causada à liberdade, à autodeterminação das mulheres, não só na Polônia, mas em toda a Europa, se o infeliz projeto fosse aprovado.

A Polônia seria o primeiro país europeu em que o aborto se tornaria ilegal. As mulheres se encontrariam naquela condição em que muitos gostariam de voltar a colocá-las, serem consideradas meras éguas, recipientes cuja única função é procriar, em quaisquer condições.

Nesse domingo, em Varsóvia e em muitas outras cidades como Gdansk, Cracóvia, mais difícil de verificar nos pequenos centros, dezenas de milhares de mulheres saíram às ruas. Ao menos 20 mil somente na capital, debaixo de chuva, na frente da sede do partido do governo, enquanto muitas não foram ao trabalho, ignoraram todos os compromissos cotidianos, incluindo os cuidados diários da casa e da família. Difícil contar se eram seis milhões, como previsto na véspera, mas certamente um número enorme, que surpreendeu um país que, nos últimos anos, se esqueceu do que é fazer greve, sair às ruas. Todas vestidas de preto, as mulheres protestaram durante todo o dia de muitas formas diferentes. Seguiram o exemplo das islandesas, que, em 1975, pararam o seu país, abstendo-se de todas as atividades. Uma bela corrente feminina de luta e resistência.

Houve o apoio de muitos homens, até mesmo de inúmeros empresários, que permitiram que apenas os homens fossem ao trabalho. Enquanto isso, a posição do governo é bem representada pelo ministro das Relações Exteriores, Witold Waszczykowski, que, ao lhe pedirem uma opinião, disse: "Deixem que elas se divirtam".

Com efeito, a Polônia está dividida. Cerca de 37% da população, um percentual em aumento, em uma pesquisa dos últimos dias, pronunciaram-se pela liberalização, em relação a uma das leis mais restritivas da Europa, que permite a interrupção da gravidez apenas em três casos: estupro incesto, perigo para a saúde da mulher e graves danos ao feto. Lei que 47% dos poloneses querem manter, enquanto apenas 11% são favoráveis às novas restrições. Deve-se considerar que até mesmo o episcopado, que também defende a lei pró-vida, se pronunciou recentemente contra a criminalização das mulheres.

Enquanto isso, o presidente do Senado, Stanislaw Karczewski, anunciou que o partido no governo pretende apresentar um novo projeto de lei, embora restritivo, porque proibiria o aborto em caso de qualquer malformação, com a intenção de proteger o feto.

Não é necessário repetir que a liberdade da mulher significa que apenas ela pode decidir, ninguém mais pode fazer isso em seu lugar. E que somente essa posição a torna totalmente livre. Livre para exercer a sua própria responsabilidade, livre do controle sobre o seu próprio corpo.

Não é de se admirar que partidos reacionários como o Pis (Direito e Justiça) no governo na Polônia unam à xenofobia e ao fechamento total a vontade de retomar o controle sobre a procriação e sobre o corpo feminino.

O Parlamento europeu rejeitou nessa segunda-feira o pedido dos conservadores de suspender o debate sobre os direitos das mulheres na Polônia. Discutir a respeito não é uma ingerência. A liberdade é de todas.

Leia mais:

Na Polônia, greve geral de mulheres

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