Pós-humano: o desafio de falar do humano e de seu valor. Mudança de época. Artigo de Paolo Benanti

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28 Setembro 2020

Se o símbolo das dúvidas sobre o homem que a mudança de época induz em nossos contemporâneos está contido no pós-humano, é necessário aprofundar o tema. As dificuldades e transformações que o Ocidente industrializado experimentou no primeiro pós-guerra trouxeram à tona uma série de dúvidas sobre a capacidade do ser humano de gerir a complexidade técnico-social que ele mesmo estava produzindo. Essas reflexões foram reunidas e elaboradas pelos pós-humanistas.

A reportagem é publicada por L'Osservatore Romano, 26-09-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

O movimento pós-humano parte do pressuposto de que já ocorreu uma profunda transformação na vida do homem e que o resultado dessa transformação gera uma mudança em sua forma de ser, dando início à era pós-humana. Desse ponto de vista, o movimento pós-humano, apesar de sua heterogênese e diversidade, difere de vários outros movimentos, como, por exemplo, o Cyberpunk: quem se reconhece pertencente à corrente pós-humana não olha para o futuro possível, mas para a realidade presente, reconhecendo que já aconteceu uma mudança radical na forma de ser humano. A tarefa que é atribuída aos que pertencem ao pós-humanismo é, então, descrever e analisar a condição pós-humana.

O pós-humanismo entende a si mesmo e se descreve também em relação e contraste com o que se denomina humanismo: de uma perspectiva gerada pela recente filosofia continental europeia, o humanismo é visto não como um movimento progressista, mas como uma corrente reacionária, conforme a maneira com que se apela – positivamente, isto é, valendo-se dele como critério fundador  à noção de um núcleo da humanidade ou a uma função essencial comum nos termos da qual o ser humano pode ser definido e compreendido. Hoje o homem precisa acertar as contas com o que, aos olhos de um estudioso da história da tecnologia como Ferkiss, em 1969, parecia uma advertência distante: “A síntese da tecnologia pós-moderna e do homem industrial produz uma nova civilização, ou pode significar o fim da raça humana”.

A condição pós-humana é então ter que se encarregar dessa maleabilidade que os pós-humanistas reconhecem como constitutiva do ser humano e que representa o fim da condição humana assim como foi entendida e conhecida até agora. A era pós-humana, para usar os termos de Robert Pepperell, começou quando o homem descobriu que estava mudando a si mesmo por meio da convergência entre biologia e tecnologia, de modo que não conseguia mais distinguir entre as duas. A solução que propõe o pós-humano para essa dificuldade é a superação da definição de ser humano em favor de um novo híbrido que leva o nome de ciborgue que representa a condição pós-humana. O movimento pós-humano se apodera do ciborgue tornando-o um conceito-chave na formulação de sua antropologia.

Portanto, para ilustrar as principais tentativas de resposta que os pós-humanistas deram a essas questões e, assim, poder ter uma visão satisfatória do movimento pós-humano, devemos nos confrontar com uma nova figura, um híbrido máquina homem: o ciborgue. Somente aprofundando o conceito de ciborgue poderemos completar a visão dessa convergência entre tecnologia, filosofia e antropologia que corre o risco de mudar para sempre a identidade humana.

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