Cardeal Marx critica documento vaticano sobre a vida paroquial: “Não se geram frutos assim”

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28 Julho 2020

O Cardeal Reinhard Marx criticou o novo documento vaticano sobre a vida paroquial, lamentando, com relação ao texto, que “não se geram frutos assim”.

A reportagem é de Mada Jurado, publicada por Novena, 26-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“É esta a coexistência das Igrejas universal e particular que se deseja? Realmente não é”

Marx, arcebispo de Munique e Freising, na Alemanha, criticou a instrução publicada em 20 de julho pela Congregação para o Clero – intitulada “A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja” – e pediu uma maior escuta atenta entre os diferentes níveis da Igreja.

“É um pouco estranho quando um documento vem de Roma sem nunca termos debatido sobre ele. É esta a coexistência das Igrejas universal e particular que se deseja? Realmente não é”, lamentou Marx na sexta-feira, 28 de julho, na Catedral de Liebfrauendom, em Munique, onde o prelado celebrou uma missa pelo 44.º aniversário da morte de seu antecessor na sé local, o Cardeal Julius Döpfner (1913-1976).

Marx criticou a nova instrução vaticana pelo documento contribuir para semear desconfiança e aprofundar as brechas já existentes na Igreja, o que, segundo ele, tem levado a novas divisões e tensões.

O religioso alemão recordou às autoridades curiais de Roma que, para a Igrejaler os sinais dos tempos” – coisa a que a instrução convida fazer –, é preciso sobretudo uma sensibilidade para a escuta.

“Mas o passo seguinte é fundamental: a compreensão. Não é possível compreender sozinhos. Só podemos compreender na comunhão da Igreja. Podemos compreender somente se ouvirmos uns aos outros e caminharmos juntos”, urgiu o cardeal, acrescentando que este princípio vale para toda a Igreja, caso ela verdadeiramente quiser se tornar missionária e anunciar o evangelho.

Em seguida, Marx advertiu Roma de que “não se trata de se anunciar algo e outros simplesmente seguirem, mas de escutar uns aos outros, aprender juntos, absorver as experiências da Igreja local – algo que sinto falta neste documento publicado dias atrás”.

“É como se nós na Alemanha nunca tivéssemos pensado sobre paróquias missionárias antes”, acrescentou.

Uma crítica final que Marx dirigiu ao documento é que, em sua opinião, o texto enfraquece o desejo por vezes repetido do Papa Francisco, de uma Igreja sinodal.

“A Igreja sinodal difere do que temos vivido no momento”, declarou o cardeal, lembrando a posição repetidas vezes assumida, também, pelo Conselho de Cardeais, do papa, do qual Marx participa.

“A Cúria não é simplesmente um organismo a controlar os bispos, mas um auxílio à Igreja toda, para que ela, a Igreja, possa permanecer unida”, argumentou o religioso, implorando por uma nova abertura entre Roma e as igrejas locais.

Mais bispos alemães se unem à avalanche de críticas

Para a Igreja alemã, o grande ponto de contenção na nova instrução vaticana é que ela exclui os leigos da coordenação paroquial e reforça o papel do padre na dianteira da comunidade católica local.

Além dos bispos que já se pronunciaram semana passada contra o novo texto, outros críticos, dentre o episcopado alemão, saíram em público para falar contra o texto, entre eles o bispo da Diocese de Trier, Dom Stephan Ackermann, o bispo da Diocese de Würzburg, Dom Franz Jung, e o bispo da Diocese de Essen, Dom Franz-Josef Overbeck.

“Fiquei irritado que não há traços de abuso e prevenção [na instrução]. Não há a consciência de que as paróquias eram, ou podem ser, lugares de violência sexual”, insistiu Ackermann. “Como pode, em pleno 2020, a congregação encarregada do clero escrever um documento que nem sequer faz referência a esse assunto? Como representante da Conferência Episcopal Alemã nessa questão, fico incomodado”.

O bispo de Trier também lembrou que “o Papa Francisco enfatiza a importância da sinodalidade e da Igreja local. Não percebo essa preocupação na instrução. Pelo contrário, vejo uma responsabilidade limitada para a diocese e o bispo”.

Por sua vez, Jung lamentou que quem lê a instrução vaticana “pode ficar com a impressão de que só se quer fortalecer os direitos do clero sem, no entanto, fortalecer a responsabilidade geral junto ao Povo de Deus na mesma proporção”.

Essas inquietações expressas por Jung também estiveram presentes na fala de Overbeck, que mostrou sua insatisfação pela instrução “nunca observar o fato de que nós, na Alemanha – mas também em muitos outros países –, não mais podemos modelar a vida da Igreja de acordo com os padrões anteriores”.

“Fiquei surpreso que um documento assim foi publicado sem aviso prévio e sem considerar a atual situação das respectivas Igrejas locais”, expressou Overbeck.

Em contraste com os bispos Ackermann, Jung e Overbeck, juntamente com os demais prelados críticos entre o episcopado, Dom Rainer Maria Woelki, cardeal-arcebispo de Colônia, e Dom Bertram Meier, bispo de Augsburg, saudaram o foco dado pela instrução – para usar as palavras de Meier – à reforma “espiritual”, e não a uma reforma estrutural.

 

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