Coronavírus, os governos europeus pedem socorro às Big Tech. Mas o tempo dos mapas de contágio está se esgotando

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20 Março 2020

Para impedir a propagação da pandemia, é preciso rastrear os contatos. Quem afirma isso é a Organização Mundial da Saúde. E ninguém conhece melhor nossos movimentos, nossos hábitos cotidianos e nossa rede de relacionamentos do que as grandes empresas internacionais de tecnologia. É por isso que os governos europeus em luta contra o Coronavírus estão tentando se aliar com seus atávicos inimigos. Os representantes da Google, Facebook, Amazon e Palantir (empresa de software dos EUA) foram convocados a Downing Street para encontrar soluções para o serviço de saúde britânico, revela a BBC. Já estamos muito além dos testes gerais, na Itália, onde as instituições colaboram com o Facebook em dados coletados há algumas semanas, de acordo com indiscrições jornalísticas.

A reportagem é de Antonella Scarfò, publicada por Business Insider, 19-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Mas criar mapas com dados anônimos serve a pouco hoje, em uma fase avançada da pandemia", explica Massimo Canducci, diretor de inovação da Engineering, grupo de tecnologia italiano ativo internacionalmente no setor de saúde.

Na verdade, quando o contágio é generalizado, é apenas a possibilidade de identificar e controlar pessoalmente os potenciais infectados que pode fazer a diferença, segundo o empresário: "E as ferramentas tecnológicas atuais nos permitem fazê-lo". Vamos dizer adeus ao anonimato e confiar na tecnologia? Pode ser, mas com muita cautela e alguns problemas de "acesso a dados" a serem resolvidos previamente.

As entrevistas não são uma maneira confiável de rastrear contatos

Os Big Data não são de propriedade dos governos europeus. E, até o momento, os únicos capazes de reconstruir a geometria das nossas relações são os grandes nomes internacionais da tecnologia:

“Vivemos um paradoxo: nossos dados podem ser usados para fins comerciais para oferecer qualquer tipo de publicidade, mas não são acessíveis para propósitos de tutela à saúde", comenta Canducci, que sugere uma proposta: "Precisamos dar um passo adiante e permitir que os governos acessem todas as informações que geramos diariamente através de nossos smartphones, para permitir a identificação dos infectados".

É necessário acessar os dados de deslocamento, não apenas de hoje, mas também das últimas semanas, para reconstruir "o gráfico", a geografia pessoal dos contagiados, segundo o entrevistado. Que denuncia a falta de confiabilidade do método de levantamento de dados usado hoje na Itália:

“Na Itália, essas análises são feitas manualmente, com entrevistas e com muito esforço, quando, na realidade, existe um gigantesco banco de dados completo, preciso e confiável, capaz de fornecer a informação pontual sobre onde estávamos em um determinado momento, evitando erros, imprecisões e possíveis omissões voluntárias. Esse banco de dados é gerado diariamente pelos nossos telefones celulares", afirma ele.

Não podemos fazer como a Coreia do Sul

"Não é um problema tecnológico, mas normativo", confirma o manager. E no nível normativo, portanto, deve ser resolvido.

As regras europeias permitem identificar as pessoas através de ferramentas digitais? Sim, em situações extraordinárias como a que estamos enfrentando, mas somente se agirmos com novas leis em nível nacional que sempre garantam aos cidadãos o direito de se defender diante de um juiz, especifica o Comitê Europeu de Proteção dos Dados (EDPB), que em uma declaração publicada em 16 de março, finalmente esclareceu a questão.

"Nada comparável, portanto, ao modelo coreano também invocado por alguns políticos italianos - explica Canducci - que não é adaptável à nossa cultura".

Testes de rastreamento de contato na Itália

Um professor da Universidade de Pavia, de acordo com uma antecipação do jornal Wired Italia, que guarda o anonimato do entrevistado, está trabalhando, em colaboração com o Ministério da Inovação italiano, na análise de dados da população para deter a propagação do contágio com a criação de mapas, a partir de um banco de dados fornecido pelo Facebook. Entramos em contato com a assessoria de imprensa da Universidade para confirmar isso, mas o projeto não foi oficialmente comunicado pela Instituição e estão em andamento verificações internas para identificar o professor que emitiu a declaração. Em nível local, no entanto, o rastreamento digital, sempre de forma anônima, já começou oficialmente: a região da Lombardia declarou que ativou uma tecnologia que rastreia os movimentos de pessoas através das células telefônicas, em colaboração com empresas de redes móveis.

A Espanha chama a Google

Mas o que está sendo feito no resto da UE? A Espanha é o país que parece ter tomado a decisão mais radical até o momento. Segundo o jornal Vozpopuli, o governo espanhol optou por usar o Google para desenvolver um aplicativo que usa GPS para rastrear os movimentos. O aplicativo poderia gerar a visualização de mapas com "áreas quentes", sob risco de contágio. E não apenas isso, também poderia recomendar ou não a quarentena a potenciais contagiados e verificar se as medidas de isolamento estão sendo respeitadas.

Primeiros experimentos de rastreamento na Alemanha

Algo também está acontecendo na Alemanha, onde alguns pesquisadores estão desenvolvendo um aplicativo para rastrear os contágios no modelo daquele usado na Coreia do Sul. E onde até o governo parece estar indo nessa direção, de acordo com o jornal Politico. De fato, o Instituto Robert Kock, agência federal de prevenção sanitária, tomou em consideração o uso de dados móveis de pessoas diagnosticadas com coronavírus para encontrar potenciais contatos e prever a propagação da doença. O responsável pela proteção de dados alemão, no entanto, já ficou com as antenas em pé, explica o jornal, alertando contra "invasões maciças da privacidade".

 

Nota de IHU On-Line:

O Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove o XIX Simpósio Internacional IHU. Homo Digitalis. A escalada da algoritmização da vida, a ser realizado nos dias 19 a 21 de outubro de 2020, no Campus Unisinos Porto Alegre.

XIX Simpósio Internacional IHU. Homo Digitalis. A escalada da algoritmização da vida.

 

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