Era Trump. A esquerda religiosa volta a campo

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03 Abril 2017

“Trezentos membros do clero manifestando-se diante do Congresso de Washington, com tantos outros, contra a confirmação de Jeff Sessions, em odor de racismo, como ministro da Justiça de Trump. E depois, de novo, outras centenas de pastores que chegaram à capital do Texas, de Ohio, da Carolina do Norte para declarar, diante do Parlamento, a sua oposição à abolição da reforma da saúde de Obama. Nunca vi nada semelhante”, diz a Rev. Jennifer Butler, uma das lideranças de um movimento até agora nada ou pouco organizado, descrito por alguns meios de comunicação como uma nova esquerda religiosa.

A reportagem é de Massimo Gaggi, publicada no jornal Corriere della Sera, 31-03-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Nos Estados Unidos, os cristãos evangélicos são majoritariamente conservadores, assim como os católicos, que, até os anos 1970, votavam no Partido Democrata, e, de Reagan em diante, mudaram de rota inclinando-se com os republicanos. Consequência de uma sensibilidade alterada: a hierarquia eclesiástica foi gradualmente abandonado as questões sociais (o resgate da pobreza, o pacifismo), para se concentrar nas questões éticas das chamadas “guerras culturais”: do aborto ao casamento gay.

Foi o que também aconteceu com Hillary Clinton, que, embora compartilhando com os católicos muito mais valores sociais do que Trump, pagou caro pela sua posição aberta sobre o aborto: apenas 43% deles votaram na ex-“first lady”. Mas, nos Estados-chave (Pensilvânia, Michigan e Wisconsin), Clinton perdeu o voto dos católicos por muito pouco: teria sido suficiente convencer algumas dezenas de milhares de eleitores a mais para ganhar.

Agora, a reação à eleição de Trump e a insistência do Papa Francisco sobre as questões sociais e a pobreza estão fazendo nascer sensibilidades novas: multiplicam-se por toda a parte seminários, abaixo-assinados, manifestações públicos. E já há aqueles que imaginam que a onda da “religious left” poderá levar a um resgate dos democratas já nas eleições de “mid term” de 2018.

É difícil que um movimento como esses consiga se enraizar em tão pouco tempo também nos Estados que hoje têm uma maioria conservadora, que são decisivos. Além disso, no seu tempo, a direita religiosa também levou décadas para se impor.

Mas alguns sinais como o governador republicano da Carolina do Norte, Pat McCrory, derrotado pelo democrata Roy Cooper, alarmam a direita que já lança as suas acusações e demoniza: por trás da esquerda religiosa, há também o dinheiro daquele “financista sem Deus” que é George Soros.

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