Uma discussão sobre os transgênicos. Entrevista especial com Luciana di Ciero e Francisco Milanez

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18 Junho 2007

Um dos assuntos mais polêmicos, atualmente, é o da transgenia, técnica de engenharia genética que mistura aos diferentes organismos materiais genéticos de outros organismos. O debate intenso está relacionado às conseqüências que esta cultura pode trazer à saúde humana e ao ecossistema. Dividindo governantes e ciência, a transgenia ainda não apresentou dados suficientes que a isentem dos possíveis efeitos colaterais. Em relação aos transgênicos há, ainda, o debate no que diz respeito à economia mundial. A Europa, por exemplo, não tem condições de competir com países que, além de possuir grandes extensões de terra, poderiam agora cultivar os transgênicos. A total liberação das técnicas de produção de transgênicos causaria uma crise na economia de muitos países, destruindo sua agricultura familiar.

A IHU On-Line ouviu dois estudiosos do tema. Um contra e outro a favor dos transgênicos. Luciana di Ciero, entrevistada por skype, é a favor, e Francisco Milanez, entrevistado por telefone, é contra. Assim, na entrevista a seguir, você entra em contato com os argumentos de Luciana e Francisco, que incluem o uso e a redução dos agrotóxicos, as conseqüências para os seres vivos, a fome no mundo, a atuação das Ong’s, os benefícios e as desvantagens da técnica, entre outros.

Luciana di Ciero é graduada em engenharia agrônoma pela Faculdade de Agronomia e Zootecnia Manoel Carlos Gonçalves. Possui mestrado em Agronomia pela UNESP e doutorado em Biologia Funcional e Molecular pela Unicamp. Seu pós-doutorado foi obtido na USP. Atualmente, Luciana é professora da USP.

Francisco Milanez é graduado em biologia e arquitetura. Possui pós-graduação em Análise Departamental. Além disso, como educador ambiental, ministra cursos sobre transgênicos e suas conseqüências para o meio ambiente. Francisco foi secretário geral da ECOFUND (Fundação pelo Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável) e assessor de Meio Ambiente e Saneamento do Gabinete do Prefeito e Coordenador do Programa Guaíba Vive. Atualmente, é membro do Conselho da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural).

Confira as entrevistas.

IHU On-Line – Quais são os mitos e os fatos em relação aos transgênicos hoje no Brasil?

Luciana di Ciero – Há muitos mitos que certos grupos têm colocado à população, tentando aterrorizá-la. Esses grupos dizem que os transgênicos fazem mal à saúde, e isso é completamente errado, porque eles, antes de serem autorizados para a sementização, já passaram por uma série de testes de segurança, como alimentar, de meio ambiente etc. Só depois de se constatar que o produto não possui riscos, ele é liberado para comercialização. Ou seja, os produtos transgênicos têm uma segurança muito maior do que os outros produtos por causa dessa análise rigorosa e criteriosa.

O segundo mito é de que você não pode ter agricultura com variedade transgênicas junto com outros sistemas agrícolas, como os sistemas convencionais ou orgânicos. Só que os diferentes sistemas agrícolas, antes de haver os transgênicos, já conviviam naturalmente. Então, significa que só com a introdução de uma tecnologia de melhoramento genético isso vai mudar? É perfeitamente possível a convivência dos diversos sistemas agrícolas, observando as técnicas que são orientadas quando se tem transgênicos.

Outro mito é que os produtos transgênicos podem trazer impactos ao meio ambiente e diminuir a biodiversidade. Isso é outra mentira! Hoje, os que estão aprovados e plantados provaram ser mais benéficos ao meio ambiente do que os sistemas agrícolas tradicionais. Além de ser, comprovadamente, mais benéfico para a saúde também. Os principais mitos envolvendo os transgênicos são esses.

Francisco Milanez – Os mitos que existem em torno dos transgênicos são de que eles são mais produtivos, de que podem fazer bem ao meio ambiente etc. Já o fato é que eles desqualificaram a nossa economia e estão criando uma commodity com preço mais baixo do que o convencional do mercado. A produtividade é semelhante ao convencional, com a diferença de que em qualquer circunstância-limite, como a seca, eles são menos produtivos.

IHU On-Line – Quais são os benefícios para a sociedade dos estudos envolvendo árvores geneticamente modificadas?

Luciana di Ciero – A transgenia é uma técnica que você pode usar em qualquer organismo no qual se queira fazer o melhoramento genético. Hoje, no Brasil, temos o desenvolvimento de árvores geneticamente modificadas, como a árvore da laranja, por exemplo. Isso ocorre para que elas tenham resistência a doenças que têm atacado os laranjais e que tem trazido muitos prejuízos aos agricultores.
Outro exemplo é o da modificação dos genes do eucalipto, para que se diminua a lignina (1), uma vez que, para extrair a celulose da madeira, é necessário eliminá-la. Para isso, é preciso lançar mão de uma série de atividades desde a utilização de produtos químicos, como ácido sulfúrico. Além disso, essa madeira precisa ser cozinhada em grandes panelas de pressão industriais, sendo, com isso, jogado fora todo o produto químico no meio ambiente. Os pesquisadores do eucalipto estudam, agora, para fazer a árvore, através da transgenia e dos sistemas convencionais, para que o teor de lignina seja menor ainda. Com isso, teremos vários benefícios.

O foco do desenvolvimento com árvore no Brasil está concentrado na árvore do mamão, pois ele precisa ter uma maior resistência aos vírus. Isso está sendo desenvolvido pela Embrapa. Há ainda o desenvolvimento das árvores de cacau, de café etc. A sociedade pode se beneficiar não diretamente, porque a maioria desses estudos é para características agronômicas. O agricultor se beneficiará primeiramente, pois ele consegue plantar mais e melhor e, ainda, diminui o seu custo de produção, o que faz com que a sociedade compre esse produto por um preço mais baixo.

Francisco Milanez – Não há nenhum benefício. A grande finalidade dos transgênicos foi romper com a ética de patenteamento. Então, o transgênico é uma desculpa para as empresas poderem patentear. Eles são patenteados e, por isso, o agricultor precisa pagar, todos os anos, direito sobre o fator germinativo da semente. Significa que você planta uma soja, por exemplo, todos os anos, e, mesmo que guarde a sua própria soja, o poder germinativo dela não é seu. Ou seja, você precisa pagar para usá-la no outro ano.

IHU On-Line – Francisco, quais são as principais desvantagens dos transgênicos?

Francisco Milanez – A principal é a econômica, pois é uma dependência você ter que pagar pelo resto da vida e nunca saber quanto, porque são as empresas transnacionais que decidem quanto será o royaltie para usar a semente deles. Outra desvantagem é o preço da soja, por exemplo, que já está em torno de 8% mais barato do que a convencional. Portanto, esse produto transgênico vale menos. Talvez a pior desvantagem é o fato de serem organismos desequilibrados que têm material genético, geralmente de outro reino ou de uma bactéria. É um organismo mal adaptado. A soja, mal ou bem, tem anos e anos de adaptação ao planeta, e a transgênica é uma mistura de material genético que tem, no máximo, dez anos de evolução. O pior de tudo é a perda dos direitos de continuar plantando aquilo que é seu. Um agricultor orgânico tem direito de continuar plantando seu produto. Só que com os transgênicos se criou um novo tipo de poluição que eu considero a mais perigosa de todas: a poluição genética. É uma contaminação genética. Então, você está na plantação de um milho saudável e, de repente, quando vai colher, vem o milho transgênico, porque o pólen veio de outra plantação, aí cruzou com o seu milho, arruinando sua plantação. A conseqüência disso é que nos Estados Unidos, no Canadá e em outros países, as transnacionais estão processando o pequeno agricultor orgânico, porque dizem que ele está utilizando material geneticamente modificado. É uma situação criminosa de exploração do agricultor. Além disso, com os transgênicos, estamos contaminando o ecossistema, como no caso da abelha que pode se contaminar via pólen. Então, são casos que daqui a dez ou a 20 anos vamos poder provar. Só que quando isso for provado, a soja do mundo toda já estará comprometida. E aí, como é que vamos retirar esse gene da natureza depois de tanto tempo de uso? Essas empresas vão quebrar, vão perder todo seu patrimônio para indenizar a humanidade, mas seus lucros não serão suficientes para pagar o passivo ambiental que eles criaram para todos.

Nunca a ciência agiu de uma forma tão irresponsável, ao colocar  no mercado e distribuir pelo mundo uma coisa que não tem a garantia de segurança, nem alimentar nem ambiental. Teria que haver pesquisas mais longas e mais profundas.

IHU On-Line – Como vocês vêem a atuação de Ong’s na luta contra os transgênicos?

Luciana di Ciero – Toda essa luta contra os transgênicos não tem nenhum sentido. As Ong’s perderam todas as batalhas quando tentaram colocar aspectos técnicos científicos nas críticas aos transgênicos. Tanto é que agora a estratégia deles é entrar com acordos judiciais baseados em falhas na legislação. O que eles querem é aterrorizar a população com acusações infundadas. Isso é uma irresponsabilidade, à medida que estão condenando uma tecnologia que pode trazer muitos benefícios para a sociedade, principalmente para a população mais carente. Isso porque os transgênicos estão sendo desenvolvidos com melhora nutricional, com resistência à seca, para serem plantados em áreas onde a condição de plantação é mais difícil. No Nordeste brasileiro, quantos agricultores perdem suas plantações com a seca? Então, é uma irresponsabilidade ser contra com acusações infundadas. O que tem por detrás da campanha dessas Ong’s eu não sei dizer a você, mas são interesses obscuros, porque não há interesse deles nenhum em preservar o meio ambiente.

Francisco Milanez – As Ong’s estão fazendo a sua obrigação. O problema é que é desproporcional no que se refere à exploração de todos os agricultores do mundo quando se cobra por cada vez que eles põem uma semente dentro da terra. É algo muito difícil. As Ong’s, nessa luta, não têm recurso nenhum. Hoje em dia, as universidades, até as públicas, infelizmente estão sendo “jogadas no colo” da iniciativa privada. Então, o financiamento de pesquisa depende dos interesses da iniciativa privada, que só tem interesse em fazer pesquisas que aparentem a produtividade dos transgênicos. Não existe uma massa de dinheiro que possa financiar os riscos que os transgênicos nos oferecem. Então, é uma minoria das pesquisas que é feita pelo mundo de uma forma equilibrada e neutra. A maioria delas é feita para aprovar vantagens para estas transnacionais. Nossa ciência está cada vez mais engajada com o dinheiro e cada vez menos interessada em defender a espécie humana e a vida toda no planeta.

Já a atuação do governo está sendo ineficiente, ao proteger a população, porque ele está cedendo. Eu vi isso no Congresso, na época em que foi aprovada a lei de patentes, leis que não atendiam a interesses nacionais, apenas estrangeiros. Porque, então, eram garantidos milhões e milhões de dólares por ano vazados do país através de royalties, sem que nada disso voltasse, uma vez que nossa pesquisa em relação à produção de transgênicos no mundo é absolutamente desprezível. É uma piada dizer o que a Embrapa faz. O pior é que se trata de uma quantia excelente para comprar muita gente e absolutamente desprezível para o país.

IHU On-Line – Como a biotecnologia pode influenciar no desenvolvimento do meio ambiente brasileiro?

Luciana di Ciero – A biotecnologia é uma ferramenta muito poderosa e as pessoas que a conhecem vislumbram os benefícios que ela pode trazer ao meio ambiente brasileiro. Essa tecnologia diminui muito o uso de defensivos agrícolas e de agroquímicos no meio ambiente. Por exemplo, a soja brasileira é resistente a um herbicida, a um princípio ativo, que é o glicosato (2). Quando você analisa as estimativas e as análises de uso dos herbicidas no Rio Grande do Sul, contabilizamos a quantidade de produtos químicos em geral e percebemos que esse número caiu muito, mais de 40%. Mas se você se concentrar apenas no glicosato, aumentou, claro. Para se controlar os males que a soja pode sofrer, é preciso utilizar dois, três, às vezes, quatro tipos de herbicidas diferentes, porque eles possuem suas especificidades, tais como planta daninha de folha estrita, folha daninha de folha larga etc. Ou seja, você precisa lançar mão de uma série de herbicidas na lavoura convencional. No Rio Grande do Sul, eles já não estão mais tendo eficiência. Com a introdução da transgenia, o produtor rural utiliza só um tipo de herbicida e pode aplicar a hora em que quiser, porque a soja é resistente a ele, ou seja, não irá morrer. O glicosato é um herbicida muito menos tóxico ao meio ambiente, menos tóxico para os animais e para o ser humano. A facilidade que ele trouxe de manejo para o trabalhador foi imensa. Quando este vai colhê-lo, não vem mais uma mistura de outras sementes, que eles chamam de sujeira e que modificam o preço do produto.
Além disso, há pesquisas na área de tecnologia desenvolvendo plantas que serão cultivadas em solos contaminados por metais pesados e despoluir este local, beneficiando, novamente, o meio ambiente.

Francisco Milanez - A biotecnologia põe em risco o meio ambiente de forma que nós nem imaginamos ainda. Então, ela pode chegar até, por exemplo, a insetos estruturais para existência dos ecossistemas. Porque quando eliminamos um inseto, uma bactéria, uma mamífero, uma planta, estamos colocando em risco todo o ecossistema. Aquele ser que estamos exterminando ou prejudicando irá, com certeza, afetar os outros, por meio da rede trincada de relações que compõem o ecossistema.

IHU On-Line – Francisco, como saber quais são os riscos trazidos pelos transgênicos?

Francisco Milanez – É impossível dizer quais são os riscos, mas sabemos que há um grande risco de intoxicação alimentar e fisiológico. Isso porque a contaminação de pólen, por exemplo, pode adoecer plantações que não estão preparadas para os erros, que sempre existem, na transgenia. A soja, por exemplo, está passando por uma doença nova, que veio da Argentina. Os riscos são infinitos e só com o tempo vamos descobrir, uma a uma, as falhas da estupidez do ser humano brincando de Deus. Porque a criação de espécies é a estupidez maior que já cometemos.

IHU On-Line – Luciana, e na luta contra o aquecimento global, qual é o papel do desenvolvimento dos transgênicos e da biotecnologia?

Luciana di Ciero – O aquecimento global é um fato do qual não podemos fugir. No entanto, podemos desacelerá-lo um pouco. Isso porque parece que o ser humano, com a vida moderna, está acelerando o problema. De qualquer modo, precisamos ter consciência de que é um fato que vai acontecer, porque é um ciclo da Terra, da natureza. A agrotecnologia, neste aspecto, é a saída para a agricultura, pois, com a transgenia, você diminui muito o tempo de desenvolvimento de plantas. Com isso, vamos diminuir o tempo de adaptação das variedades ao novo meio ambiente.

IHU On-Line – Francisco, como você analisa a situação dos transgênicos em outros países?

Francisco Milanez – Nos países ricos há resistência. Quem tem boa informação não quer comer transgênicos. Os europeus e japoneses, por exemplo, estão dando preferência aos orgânicos. Nos Estados Unidos, o mercado que mais cresce é o orgânico, mas, na média, é um país aculturado e ignorante, por ser formado por pessoas que permitem que seu governo produza uma guerra por interesses econômicos. Na Europa, as pessoas se manifestam contra, o que diferencia os Estados Unidos dos outros países ricos. Então, o que está se criando no mundo é algo muito perverso, pois os ricos comerão produtos orgânicos (que são cerca de 40% mais caros do que os outros). A classe média vai comer os produtos convencionais, ou seja, a soja normal, o milho normal etc., com contaminações, já que tudo está sendo contaminado. E a classe pobre vai comer os produtos mais baratos, que são os produtos transgênicos. Ficam para os pobres todas as alergias, doenças, questões de sofrimento e todo o custo da qualidade de vida. Estão sendo criados três comércios paralelos.

IHU On-Line – Luciana, você fala em benefícios que os pequenos agricultores terão ao cultivar sementes geneticamente modificadas. Quais são esses benefícios?

Luciana di Ciero – Para os pequenos agricultores, quanto mais tecnologias eles utilizarem, melhor para eles. Porque é um mito dizer que a tecnologia é feita só para grandes agricultores. A tecnologia, seja de que tipo for, e a biotecnologia precisam ser absorvidas pelos pequenos agricultores, porque eles cultivam pequenas árvores e a suas variedades devem ser mais eficientes do que a variedades das grandes empresas. Eles necessitam obter uma quantidade maior com menor custo de produção para que tenham uma renda que justifique a sobrevivência daquela área.

Quem falar que o pequeno agricultor não irá se beneficiar da biotecnologia diz uma grande mentira, pois ele pode beneficiar-se sim. A biotecnologia é totalmente apropriada a ele, porque traz facilidades, diminui o uso de defensivos agrícolas e aumenta a produtividade. Não que as plantas transgênicas produzam mais do que os outros sistemas, mas, quando você consegue controlar o ataque de insetos e outros problemas, essa produtividade garante que se tenha um produto melhor. Inclusive alguns acampamentos do Movimento dos Sem Terra (MST) utilizam sementes geneticamente modificadas.

IHU On-Line – E como recebe as críticas sobre a cultura dos transgênicos, sendo a senhora a favor?

Luciana di Ciero – É uma pena ter tanta gente contra, porque o que recebemos de críticas são infundadas, muito por causa da desinformação. Alguns veículos de comunicação já viram que a biotecnologia é benéfica. Alguns outros insistem em utilizar a polêmica como uma forma de atrair o leitor, espectador, ouvinte. Nós provamos que a biotecnologia vem para ajudar e não para atrapalhar. Estamos conseguindo desmistificar essa campanha contra, assim como aconteceu na Europa, que, por interesses econômicos, viu sua indústria química tentar atrasar o desenvolvimento das biotecnologias. Se essa tecnologia não ajudasse, não teríamos tantos pesquisadores e instituições trabalhando com biotecnologias. Elas existem para  trazer soluções à população.

IHU On-Line – Francisco, como você reage quando dizem que os transgênicos vão acabar com a fome no mundo?

Francisco Milanez – Esses pesquisadores são a vergonha da ciência, porque essa afirmação é tão criminosa quanto aqueles criminosos que introduziram a agricultura química, trazendo os venenos que estão deformando, no mundo inteiro, o ser humano. Esses mesmos irresponsáveis, há 50 anos atrás, disseram que os venenos agrícolas vieram para acabar com a fome do mundo. Pois a fome do mundo aumentou. A produção de alimentos do mundo sempre foi suficiente para alimentar todo mundo, pois continua havendo mais do que o necessário. O mundo produz em torno de 120% do que precisaria. Essa colocação continua a ser mentirosa e aumentará, ainda mais, a fome no Planeta. Quanto mais injustiça e concentração de poder, mais aumentará o problema. Na melhor das hipóteses, esses pesquisadores são ignorantes sociais, que não têm noção do que estão falando. Eles estão mal intencionados, como o foram aqueles que introduziram os venenos na agricultura.

Eu sou um cientista e hoje ouço, constantemente, os meios de comunicação comerciais, que têm a hegemonia, dizerem que a ciência é a favor dos transgênicos. Mas isto deveria ser considerado um crime. Em primeiro lugar, porque a ciência não fala: quem fala são os cientistas. Os cientistas, em segundo lugar, não são a favor dos transgênicos, e sim, na minha opinião, algumas pessoas que ganham dinheiro com isso. É preciso consultar também cientistas sociais, ecólogos, biólogos, zoólogos, fisiólogos, médicos - toda a inteligência do planeta. Alguns biotecnólogos são contra a produção de transgênicos. Então, falar em nome da ciência é um absurdo.

Notas:
(1) É um polímero tridimensional amorfo encontrado nas plantas terrestres, associado à parede celular, cuja função é conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.

(2) Agrotóxico fabricado pela multinacional Monsanto para a soja transgênica.

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