"Muita gente pequena em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas mudarão a face da Terra". Entrevista com Lourdes Dill

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16 Fevereiro 2013

"Nós, hoje, no Projeto Esperança/Cooesperança, atuamos em 34 municípios. No território da cidadania são mais de 5 mil famílias beneficiadas, em um universo de mais de 23 mil pessoas e 260 grupos organizados trabalhando em forma de feira", afirma a nova integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul.

Desde o dia 22 de janeiro, a religiosa e coordenadora do projeto Esperança/Cooesperança de Santa Maria, Irmã Lourdes Dill integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul, conhecido como “Conselhão”. O grupo é formado por 90 representantes da sociedade civil que dialogam com o governo do Estado sobre os mais variados temas. São escolhidos conselheiros, conforme os critérios estabelecidos pelo Palácio Piratini, pessoas de ilibada conduta e reconhecida representatividade regional ou estadual. A escolha dos nomes é feita pelo próprio governador, Tarso Genro.

Em entrevista por telefone à IHU On-Line, Irmã Lourdes falou sobre o convite do governo do Estado e das ações que realiza em Santa Maria e região, local onde mora e desenvolve seu trabalho social. “Para mim foi uma alegria muito grande”, avalia. “O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul é uma espécie de uma assessoria de reflexão junto ao governador do Estado. Então, o convite veio diretamente do gabinete do Tarso Genro. Ele convidou porque conhece a nossa trajetória de trabalho em Santa Maria, na área social, na área da economia solidária e cooperativismo”, complementa.

Confira a entrevista.

IHU On Line - Como a senhora recebeu o convite para participar do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul?

Irmã Lourdes Dill - Para mim foi uma alegria muito grande, porque este Conselho foi criado já desde o início do governo Tarso, e ficarei no grupo durante dois anos, são 90 pessoas. O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul é uma espécie de uma assessoria de reflexão junto ao governador do Estado. Então, o convite veio diretamente do gabinete do Tarso Genro. Ele convidou porque conhece a nossa trajetória de trabalho em Santa Maria, na área social, na área da economia solidária e cooperativismo. Daí ele me convidou agora nesse segundo momento, 2013 e 2014, para contribuir também com essas 89 pessoas de diferentes áreas de todo o Rio Grande do Sul, para ajudar nessa reflexão. Então, eu recebi com alegria, sabendo também da importância que tem o nosso trabalho, o trabalho das organizações e das entidades que podem somar e somar muito junto com as políticas públicas. Então para mim foi uma alegria, dei meu sim. Com certeza eu tenho também uma contribuição a dar. E também o benefício que isso poderá trazer para as organizações, para as iniciativas também da economia solidária, da agricultura familiar, do comércio justo, do cooperativismo, dessas áreas todas que estarão também refletindo nesse “Conselhão”, que é chamado.

IHU On Line - A senhora acompanha o trabalho desenvolvido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul, no sentido de debater e propor diretrizes para promover o desenvolvimento econômico e social no Estado? Qual sua expectativa ao participar do “Conselhão”?

Irmã Lourdes Dill - Eu tenho certeza que o “Conselhão” vai contribuir, porque o governador, na sua instância, fez um pedido de reflexão e assessoria, ao escolher 90 pessoas de todo o Estado do Rio Grande do Sul. Então com certeza vai levar em conta esta reflexão, os estudos e também as sugestões que esse grupo dará para que se melhore, se qualifique em todo o Estado também a dimensão das políticas públicas, o trabalho como um todo. Porque o governo, ele está a serviço de uma população, né. O Rio Grande do Sul é um Estado muito grande e tem um papel muito grande. Tenho uma expectativa muito grande que essas sugestões todas, essa reflexão, seja levada em conta.

IHU On Line - A Economia Solidária ainda tem espaço nas discussões do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul? Desde quando e por que a senhora se engajou nesse projeto de Economia Solidária?

Irmã Lourdes Dill - No Projeto Esperança/Cooesperança da arquidiocese aqui de Santa Maria eu trabalho há quase 26 anos. Eu estou desde o início, junto com o Dom Ivo Lorscheiter, que foi um grande admirador, conosco do trabalho da Unisinos e estudou também com os Jesuítas. O Dom Ivo foi um grande apaixonado pelo cooperativismo e pela economia solidária. E eu estou desde o início da prática, em 1987. Faz 26 anos agora em março. O Dom Ivo tinha já um grupo de professores de várias universidades, a Unisinos também sempre contribuiu muito conosco da reflexão e foi, então, nos anos 80 que começou essa ideia em Santa Maria, junto com a Caritas Rio Grande do Sul, de criar uma experiência diferente, que começou com os projetos alternativos comunitários, cooperativismo, e depois foi se tornando essa economia solidária, que hoje está presente no Brasil e praticamente em todos os continentes do mundo e na América Latina está muito forte. E hoje também encaminhando para uma política pública, em nível federal, em nível estadual e também em nível local, pois muitos municípios já tem Conselhos. E tem o projeto Esperança/Cooesperança, nós participamos nos três níveis de Conselho. Nós temos o Conselho municipal de Santa Maria, economia solidária tem o Conselho estadual e o Conselho nacional. E nós acreditamos que este é o caminho do futuro, especialmente para diminuir a pobreza, a miséria e também toda a dimensão do desemprego, que hoje nós sabemos que não tem emprego para todos e não vai ter para todos. Agora, tem trabalho, trabalho de organização, trabalho de produção, também formas alternativas do comércio justo e essas dimensões todas que são também trabalhadas nas feiras, nas lojas de economia solidária, a gente sabe que esse jeito, esse novo modelo de economia solidaria sustentável está crescendo em todo o Brasil e nos outros continentes também.

IHU On Line - Como a senhora avalia o Projeto Esperança/Cooesperança, que funciona desde 1987? Quais os principais resultados do projeto e seus limites diante da conjuntura atual?

Irmã Lourdes Dill - Eu poderia dizer assim, com muita alegria, já que estou na prática desde o início, nós celebramos em 2012 o jubileu, o primeiro jubileu do Projeto Esperança/Cooesperança, os 25 anos. Que foi um ano muito rico também de reconhecimento. Temos uma revista e os resultados são inúmeros, especialmente na organização, na produção ecológica, na consciência de um consumo mais justo, mas ético, mais solidário e também essa dimensão que o consumidor hoje já diferencia os produtos produzidos pela economia solidária e agricultura familiar em um mercado tradicional. Então nós, hoje, somos respeitados, nós somos buscados, nós viajamos para muitos lugares levando também essa experiência como algo que deu certo. E claro, não está perfeito, porque sempre uma experiência dessas vai estar a caminho, ela nunca vai estar pronta. E os grandes desafios, eu diria assim, é multiplicar este trabalho e multiplicar com muita força e muita coragem e fazer com que as políticas públicas apoiem cada vez mais experiências desse porte.

Nós, hoje, no Projeto Esperança/Cooesperança, atuamos em 34 municípios. No território da cidadania são mais de 5 mil famílias beneficiadas, em um universo de mais de 23 mil pessoas e 260 grupos organizados trabalhando, então, em forma de feira. Tem as lojinhas, os pontos fixos de comercialização, e temos todos os sábados um grande Feirão Colonial, há 20 anos. Então o Projeto Esperança/Cooesperança tem 25 anos, o Feirão Colonial passa dos 20 anos e em 2013 também vamos completar os 20 anos da Feira de Economia Solidária do Mercosul, que a Unisinos também, com muita alegria, sempre participa. São eventos que se realizam no mês de julho e esse ano essa feira, possivelmente a mais antiga da América Latina, de articulação em nível mundial. E na última feira nós tivemos a presença de 170 mil pessoas que passaram por ela durante os três dias, com inúmeros seminários, oficinas, atividades culturais e, assim, com uma grande articulação que as pessoas ficam entusiasmadas e querem também iniciar experiências desse tipo em suas cidades, seus municípios, estados e países.

IHU On Line- Como a Igreja se posiciona diante da proposta da Economia Solidária?

Irmã Lourdes Dill - Sim, porque, na realidade, o Projeto Esperança/Cooesperança é um braço social da arquidiocese de Santa Maria, que de 12 anos para cá é da arquidiocese. Então nós temos, sim, a partir do Dom Ivo, que já faleceu, a partir do Dom Hélio, que é o nosso arcebispo, sim, apoio da nossa arquidiocese, que valoriza e cada vez mais busca o fortalecimento desse trabalho. Para a Igreja, como um todo, a CNBB tem o seu braço na área social, pastorais sociais e tenho dito, a Igreja nunca deve temer em apoiar experiências desse porte. Nós sempre como Igreja podemos e devemos apoiar ainda mais. É um trabalho que deu certo, a Igreja pode também mostrar experiências para os governos que deram certo e é o nosso caso. Essa experiência não é uma experiência de prefeitura, nem de Estado, nem de governo. Nós buscamos apoio dos governos, mas é uma experiência da Igreja, no caso, da arquidiocese de Santa Maria. E temos tido, sim, muito apoio das pastorais, movimentos e buscamos, então, o apoio também das políticas públicas, dos governos e das organizações. E temos um apoio significativo das universidades, que hoje nós temos infinitos trabalhos acadêmicos, e isso também queria ressaltar muito, muitos trabalhos de final de curso, trabalhos de mestrado, de especialização e vários trabalhos de doutorado a partir da nossa experiência, que é motivo de estudo hoje.

Esse trabalho nos alegra muito e também mostra para as universidades o quanto é importante poder qualificar também os profissionais para no futuro trabalharem cada vez mais nessa área. São áreas bem diferenciadas e que nesses estudos têm inúmeros livros já escritos e também escrevemos vários livros já a partir da nossa experiência. Então isso nos alegra muito.

2º Fórum Mundial de Economia Solidária

E por último, se eu puder dar uma palavra sobre o 2º Fórum Mundial de Economia Solidária, que vai ser realizado em Santa Maria de 11 a 14 de julho de 2013, agora, são quatro dias e esse Fórum aconteceu pela primeira vez em 2010, quando celebramos no Rio Grande do Sul os 10 anos do Fórum Social Mundial. Ele nasceu por causa da feira cancelada por conta da gripe suína, que naquele ano a Justiça de Santa Maria cancelou por um pouco de medo dessa gripe. E então esse Fórum será a segunda edição e possivelmente a terceira edição deve ocorrer em 2015 no Paraguai.

Esse Fórum não vai ser sempre em Santa Maria, ele vai acontecer mais uma vez em Santa Maria e depois ele vai ir pelos países, pelos continentes. Essa é a meta desse grupo que se criou em torno de 15 Estados do Brasil que estiveram presentes nessa decisão. Já fizemos um encontro preparatório e a gente já convida a todos que são parceiros da Unisinos nessa temática, para estar se organizando e colocar na agenda de 11 a 14 de julho a 2º Fórum Mundial de Economia Solidária. O evento será junto com os 20 anos da Feira de Santa Maria, pois é assim que nós falamos dessa temática.

Deixo um provérbio africano: “Muita gente pequena em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas mudarão a face da Terra.”

Nós temos certeza que essas experiências articuladas e trabalhadas em rede vão ser o futuro desse modelo de desenvolvimento solidário sustentável e territorial que vai ajudar a qualificar o planeta Terra, melhorando a qualidade de vida de muitas pessoas, no setor econômico, social, político, eclesial e também em toda essa dimensão ambiental que hoje nenhum projeto do mundo pode deixar de fora. Então, temos certeza que este é o caminho e um caminho muito próspero que vai fortalecendo essas iniciativas. Eu agradeço muito todos aqueles que são nossos parceiros e nesse momento agradeço muito especialmente a Unisinos.

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