Michel de Certeau se referia à obra de Foucault com a sensação de se estar “à beira da falésia”... Segundo ele, esta sensação (de se encontrar parado em uma tênue linha que divide abruptamente diferentes níveis de paisagem) acontece quando se está defronte a um debate acadêmico crítico. Neste sentido, a real intensão é a de postular como centro de seu estudo as relações entre discursos e práticas sociais, assim como quando se abre portas para as incertezas e as encara honestamente.
Isso é o que encontramos nesta 187ª edição dos Cadernos IHU ideias, de 8 de maio de 2013, com a publicação de “Os arranjos colaborativos e complementares de ensino, pesquisa e extensão na educação superior brasileira e sua contribuição para um projeto de sociedade sustentável no Brasil” do Prof. Dr. Pe. Marcelo F. de Aquino, SJ, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Filosofia e reitor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos.
Nesta obra, o autor transpõe as fronteiras de sua própria área de conhecimento. Torna-se um filósofo a lançar olhares sobre o homo technicus, a organização da sociedade humana e os novos paradigmas postulados para a sociedade da informação a partir da tecnociência. Para tanto, utiliza elementos retirados tanto da mecânica quântica como das humanidades para, assim, estabelecer parâmetros de qual é o papel da universidade neste processo.
Esta e outras edições dos Cadernos IHU ideias podem ser adquiridas diretamente no Instituto Humanitas Unisinos - IHU ou solicitados pelo endereço humanitas@unisinos.br.
Informações pelo telefone (51) 3590 8247.
A partir de 8 de junho de 2013 esta edição estará disponível na íntegra, neste sítio, em PDF.
18 de abril de 2013.
Este texto proporciona a reflexão sobre o sentido de realizar o reassentamento solidário, acolhendo os refugiados que necessitam deixar o seu país de origem, por serem perseguidos por cor, raça, religião, conflitos armados ou ideologia política. O estudo, escrito pela bacharel em direito e estudante da especialização em Relações Internacionais e Diplomacia na Unisinos, Joseane Mariéle Schuck, aborda o papel desempenhado pela Associação Antônio Vieira – ASAV, mantenedora da Unisinos, vinculada ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – Acnur e ao Comitê Nacional para os Refugiados – Conare.
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A partir de 18 de maio de 2013 esta edição estará disponível na íntegra, neste sítio, em formato PDF.
5 de abril de 2013.
Neste texto o autor Stefano Zamagni, economista italiano e professor da Universidade de Bolonha, busca resumir a um fator único o que seriam as características embasadoras de uma universidade católica. Geratividade de conhecimento, reciprocidade e dom como gratuidade são os três elementos que o autor estabelece como necessários para conformar esta identidade. A partir disto, o texto disserta sobre o processo de formação das universidades desde a Idade Média (quando seu papel era mais resumido à "busca da verdade") até o perfil atual, quando as necessidades do mercado e da poder se aliam a outros interesses gerando novos paradigmas para estas instituições.
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Cadernos IHU ideias, em sua 184ª edição, de 15 de março de 2013, apresenta “Para um discurso jurídico-penal libertário".
Este texto é de Augusto Jobim do Amaral, doutor em Altos Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra.
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Cadernos IHU ideias, em sua 183ª edição, de 4 de março de 2013, apresenta “A Europa e a ideia de uma economia civil” de Stefano Zamagni.
Neste texto, Stefano Zamagni, economista italiano e professor da Universidade de Bolonha, fala sobre a identidade e o futuro da Europa. Para isso, o autor propõe algumas reflexões:
“De fato, a Europa sempre foi tanto um campo de identidades contestadas quanto um espaço de consiliência universal. O que possibilitou esta coexistência de delineações plurais é um espaço identitário que constitui a real “alma da Europa”. Como podemos caracterizar este espaço identitário? No que se segue, tentarei fazer uma espécie de reductio ad unum das muitas questões diferentes que estão em jogo a fim de identificar alguns conceitos básicos que deveriam influenciar o discurso público. Estes conceitos girarão em torno de três palavras-chave: pessoa humana; democracia; fraternidade.”
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Cadernos IHU ideias, em sua 182ª edição, de 15 de fevereiro de 2013, apresenta “Censo 2010 e religiões: reflexões a partir do novo mapa religioso brasileiro” de José Rogério Lopes.
Neste texto, José Rogério Lopes, professor titular e coordenador do PPG em Ciências Sociais da Unisinos, analisa os dados do Censo 2010 sobre as afiliações religiosas no Brasil, o qual apresenta uma tendência que se acentua nas três últimas décadas, a saber, o declínio dos que se declaram católicos e avanço dos que se declaram evangélicos.
A partir da análise dos novos dados, o autor destaca dois desafios importantes: “O primeiro refere-se à necessidade de as tradições e confessionalidades religiosas traduzirem suas místicas, seus princípios éticos e seus sistemas doutrinários em linguagens acessíveis e atrativas às novas experiências sociais (que muitos autores têm tratado como “novas gramáticas sociais”), sem perder suas “estruturas de plausibilidade”, como bem argumentou Peter Berger (1996), frente aos desafios do secularismo. Nesse caso, o simpósio que o IHU promoveu sobre Igreja, cultura e sociedade pode ser um marco importante de análise. O segundo desafio é encontrar mediações para ampliar o diálogo inter-religioso, em um campo de concorrência acirrada entre tradições ou denominações religiosas.”
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Cadernos IHU ideias, em sua 181ª edição, de 12 de dezembro de 2012, apresenta “Apátridas e refugiados: direitos humanos a partir da ética da alteridade” de Gustavo Oliveira de Lima Pereira.
Neste texto, Gustavo Oliveira de Lima Pereira, professor de Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), analisa a atual crise europeia a partir de seus traços xenofóbicos, mas que não se reduzem à Europa. A ancestralidade desse fenômeno, destacada por Emmanuel Levinas, provoca o pensamento contemporâneo a cada vez mais reconsiderar seus fundamentos no que se refere a direitos humanos. Nesse aspecto, as figuras do apátrida e do refugiado, presentes no mundo ocidental, reestabelecem a discussão sobre fundamentos dos direitos humanos. Na expectativa do autor:
“O que se espera é, de algum modo, o desenvolvimento de uma racionalidade apátrida. Desprovida de territorialidade. Na lacuna da razão intransigente, brota uma razão transitante, transvalorativa. Que reluz o amparo da racionalidade nômade, híbrida, que se realoja a cada tentativa de totalidade. Que escapa no vão da percepção englobadora. Que se alimenta da diferença. Do estranhamento. Que busca amparo no refúgio. No que não é óbvio. Que mantém sóbrio o horizonte de um mundo ainda possível.”
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Cadernos IHU ideias, em sua 180ª edição, de 4 de dezembro de 2012, apresenta “Limites e desafios para os direitos humanos no Brasil: Entre o reconhecimento e a concretização” de Afonso Maria das Chagas.
O texto de Afonso Maria das Chagas, mestrando em Direito pela Unisinos, apresenta uma reflexão sobre direitos humanos na atual conjuntura social. Nesse sentido, o autor destaca que:
“Há um longo caminho a ser feito para que a sociedade brasileira faça a travessia necessária do reconhecimento à concretização dos direitos humanos. Em tempos em que conquistas constitucionais importantes, a preço de sangue e de muita luta, sofrem ameaças de restrições de toda sorte, impõe-se como desafio a necessidade de superar interditos culturais que esvaziam ou encobrem o discurso e as razões emancipatórias dos direitos humanos.”
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Cadernos IHU ideias, em sua 179ª edição, de 23 de outubro de 2012, apresenta “Um caminho de educação para a paz segundo Rousseau” de Mateus Boldori e Paulo César Nodari.
O texto de Mateus Boldori, bacharel em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul – UCS, e de Paulo César Nodari, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia na Universidade de Caxias do Sul – UCS, apresenta o pensamento de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), sob a perspectiva da educação para a paz. Nesse aspecto, os autores destacam:
“A educação para a paz coaduna-se, pois, com o respeito à dignidade da pessoa e à sua liberdade, conforme a educação proposta por Rousseau no Emílio. O pensamento de Rousseau oferece, sem dúvidas, algumas pistas para a efetivação de uma cultura de paz na perspectiva da educação integrada para a paz. O filósofo genebrino mostra principalmente que a paz é fruto de uma educação que procura valorizar o sujeito enquanto tal e de uma sociedade constituída a partir da soberania e da igualdade. Sociedade e educação estão interligadas para o genebrino em uma situação de igualdade, onde todos se sentem protagonistas.”
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Cadernos IHU ideias, em sua 178ª edição, de 16 de outubro de 2012, apresenta “Crime e sociedade estamental no Brasil: De como la ley es como la serpiente; solo pica a los descalzos” de Lenio Luiz Streck.
Lenio Luiz Streck, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Direito (mestrado e doutorado) da Unisinos, pensa o Brasil e a sociedade estamental lançando o seguinte desafio:
“Talvez tenhamos que enfrentar de vez essa criminalização da pobreza e passar a falar da “pobreza da criminalização” dos setores que, de fato, colocam em xeque os bens jurídicos mais relevantes. E, para tanto, não é preciso pensar em estender as graves penas aos crimes do “andar de cima”. A aplicação da Constituição no plano penal por certo não exige que se use o direito penal como uma vingança dos setores dominados da sociedade contra a histórica criminalização dos pobres. Parece evidente que não. Mas, com certeza, a Constituição não abre mão do direito penal. Ou seja, a Constituição não extingue o Direito Penal. Ora, se isso é assim, se estamos de acordo que Hobbes e Freud possam ter parcela de razão, então podemos afirmar que “não é proibido proibir”. O dilema é: como fazer isso sem que o Direito Penal se torne autoritário/arbitrário e ao mesmo tempo não mais seja um direito penal “de classe”?”
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Cadernos IHU ideias, em sua 177ª edição, de 1º de outubro de 2012, apresenta “Um caminho de educação para a paz segundo Locke” de Odair Camati e Paulo César Nodari.
O texto de Odair Camati, mestrando em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul – UCS, e de Paulo César Nodari, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia na Universidade de Caxias do Sul – UCS, apresenta o pensamento político de John Locke (1632-1704), no que se refere, especialmente, à maneira como ele entende a formação da sociedade civil, e como essa se constitui na garantia para a paz, tendo por base sua principal obra política: Dois Tratados sobre o Governo. Nesta obra, sobretudo, no Segundo Tratado, Locke articula a passagem do estado de natureza, estado de liberdade e igualdade, mas também de incertezas e inconvenientes, para a sociedade civil com a finalidade principal de garantir os direitos naturais do homem. A sociedade civil nasce do consentimento de todos os indivíduos enquanto livres e iguais e tem por finalidade de garantir, nela, os direitos naturais, sendo a mesma legitimamente constituída por um juiz superior e por um governo eleito. Porém, segundo Locke, quando a sociedade civil não mais estiver cumprindo sua função de garantir segurança e tranquilidade em relação à propriedade de seus cidadãos (a paz), o governo pode ser derrubado e constituído um novo em seu lugar de acordo com o que for melhor e mais conveniente para o próprio povo. E a esse direito que o povo tem em seu poder, Locke o denomina de direito de resistência.
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Cadernos IHU ideias, em sua 176ª edição, de 4 de setembro de 2012, apresenta “Da magnitude e ambivalência à necessária humanização da tecnociência segundo Hans Jonas” de Jelson Roberto de Oliveira.
O texto de Jelson Roberto de Oliveira, professor no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, analisa “o diagnóstico realizado por Hans Jonas a respeito do cenário tecnológico moderno no que tange ao aumento do poder tecnocientífico e sua consequente alteração no sistema de valores, trazendo novas exigências éticas. Serão analisados os conceitos de magnitude e ambivalência da técnica, ou seja, a ampliação do poder humano geográfica e temporalmente e, ao mesmo tempo, a sua diluição no âmbito moral, já que o seu bem e mal já não são passíveis de clara definição. Tratar-se-ia, assim, de uma aposta não facultada ao homem. O problema seria, então, como estabelecer freios voluntários para a técnica, ou seja, um ‘poder sobre o poder’. Para Jonas, os valores tradicionais se “envelheceram” e se tornaram insuficientes no novo cenário, frente ao qual ele afirma ser urgente o desenvolvimento de uma qualificada capacidade preventiva e a admissão da austeridade como valor primeiro. A isso o autor chama de ‘humanização da técnica’”.
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Cadernos IHU ideias, em sua 175ª edição, de 29 de agosto de 2012, apresenta “Um caminho de educação para a paz segundo Hobbes” de Lucas Mateus Dalsotto e Everaldo Cescon.
O texto de Lucas Mateus Dalsotto, mestrando em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul – UCS, e de Everaldo Cescon, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia (Mestrado em Ética) na Universidade de Caxias do Sul – UCS, apresenta, segundo palavras dos autores, “a contribuição do filósofo Thomas Hobbes (1588/1679) no que tange aos elementos constitutivos de uma educação para a paz. Envolto em um ambiente de inúmeros conflitos políticos e de intensa guerra civil na Inglaterra do século XVII, Hobbes busca em sua obra estabelecer os elementos fundamentais para uma sociedade da não-violência, um Estado que guarde e cuide da vida de cada indivíduo. Hobbes entende que em um estado hipotético, os homens viviam em “estado de guerra”, pelo fato de a natureza humana ser conflituosa. Assim, faz-se necessário que, por meio de um contrato, seja criado o Leviatã (Estado), o qual terá como principal tarefa manter os homens em respeito e guardar a vida de cada um dos constituintes do mesmo. Mas, para tal, o Leviatã se utilizaria das paixões dos homens, mais especificamente do medo que os homens têm da morte e a esperança que cada qual tem quanto ao amanhã de seus dias. Assim, os cidadãos transfeririam seus direitos a um soberano que estaria incumbido de guardar todos em respeito e, consequentemente, em paz. E é nesse sentido que se pode derivar da obra hobbesiana uma educação para a paz baseada nas paixões e na sensibilidade de cada indivíduo.”
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Cadernos IHU ideias, em sua 174ª edição, de 20 de agosto de 2012, apresenta “Da mônada ao social: A intersubjetividade segundo Levinas” de Marcelo Fabri.
Neste texto, Marcelo Fabri, professor associado da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, reflete sobre a possibilidade de intersubjetividade no pensamento do filósofo franco-lituano Emmanuel Levinas. Nas palavras de Fabri:
“Pode-se falar de um conceito levinasiano de intersubjetividade? Nos escritos de Levinas, o termo não é abordado de modo recorrente nem parece assumir a importância que possui para filósofos do diálogo, tais como Buber, Gadamer e Ricoeur (só para mencionarmos alguns dos grandes nomes). Antes de pensar sobre o diálogo ou sobre a vida intersubjetiva nela mesma, Levinas parece preocupar-se, de modo mais enfático, com o primado da ética sobre a ontologia e, por conseguinte, com a resistência de todo Outro à esfera do Mesmo, sugerindo, então, que uma filosofia do diálogo deva sempre manter-se numa espécie de vigilância diante das armadilhas totalizantes implícitas numa filosofia da intersubjetividade.”
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Cadernos IHU ideias, em sua 173ª edição, de 9 de agosto de 2012, apresenta “Técnicas de si nos textos de Michel Foucault: A influência do poder pastoral” de João Roberto Barros II.
Neste texto, João Roberto Barros II, doutor em Filosofia pela Unisinos e atualmente doutorando em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires, apresenta uma reflexão sobre o grupo de técnicas para o cultivo moral e político presentes desde a Grécia antiga e investigadas na contemporaneidade pelo filósofo francês Michel Foucault. Nas palavras de Barros II:
“Tendo como fio condutor a askêsis, o hábito do exercício constante de si logrou alcançar uma marca indelével na constituição da subjetividade ocidental ao longo da história. Começando pelo período grego clássico, passando pelo período helenístico das escolas socráticas menores e finalizando com o cristianismo primitivo dos primeiros séculos de nossa era cristã, Foucault nos brinda uma análise minuciosa e muito rica sobre os processos de subjetivação eminentemente ocidentais.”
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