Cem anos de palavras loucas. O mais idoso dos bispos italianos e seu amor ilimitado pelos índios

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06 Novembro 2019

A foto, publicada em um jornal italiano, retrata o rosto sorridente do bispo mais idoso da Itália, Mons. Aldo Mongiano, que completou 100 anos em 1º. de novembro. O bispo piemontês, missionário da Consolata, mostra a carta de cumprimentos autografada enviada pelo Papa Francisco.

A reportagem é de Paolo Bustaffa, publicada por Agência SIR, 03-11-2019. A tradução é de Luisa Rabolini


Aldo Mogiano, com a carta recebida do papa Francisco em mãos, ao lado de dom Gianni Sacchi

A imagem se perde na vitrine de rostos aos quais a atualidade, que nem sempre coincide com a importância, garante precedência absoluta na "grande" narrativa midiática.

Há, no entanto, uma narrativa, definida de "pequena", que ajuda a pensar, questionar e até mesmo medir a verdadeira extensão daquela definida de "grande".

Dom Aldo Mongiano, em cujo rosto se reúnem aqueles dos missionários, na África e especialmente no Brasil, misturou-se com os mais pobres para anunciar o Evangelho arriscando sua vida pela dignidade e os direitos humanos.

Fez isso também quando, chamado por Paulo VI, esteve de 1975 a 1996 à frente da diocese de Roraima, num país onde o poder político com os aliados latifundiários não hesitava em parar, muitas vezes com a violência, a demanda de liberdade e de democracia do povo índio.

Os missionários partiam e ainda partem de seus países de nascimento para ficar para sempre com os últimos da Terra, para compartilhar suas labutas e esperanças, e para apoiá-los no pedido por humanidade. Eles não haviam alardeado o slogan "vamos ajudá-los na casa deles": haviam deixado tudo para "ficar na casa deles" e para traduzir os pensamentos e as palavras em atos concretos.

Muitas vezes, moviam-se com a fantasia do Evangelho como aconteceu no final da década de 1980 com a campanha "Uma vaca para o índio". Uma iniciativa que visava doar uma vaca para cada agricultor brasileiro sendo esta a condição para que ele pudesse ver reconhecidos direitos e dignidade.

Dessa aventura de solidariedade apoiada pelo Arcebispo de Ravenna, Ersilio Tonini, e que tinha nascido e se criado na terra do humanismo cristão, tinha participado com ímpeto e a seu próprio risco e perigo, inclusive aquele que é hoje o mais idoso dos bispos da Itália.

Foi então que um tremor perpassou muitas consciências porque a campanha "Uma vaca para o índio" no gesto do dom também transmitia uma sacudida cultural para a proteção e promoção da justiça e da paz no mundo.

Um tremor da consciência e uma sacudida cultural que hoje são enfraquecidos por slogans e comportamentos por demais imbuídos de conformismo, de mediocridade. O caminho para o futuro, diz um bispo que completou 100 anos, não é indicado pelas palavras vãs do medo, mas pelas palavras loucas do amor.

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