Sínodo 2018. Participantes dizem que documento final não deve focar somente jovens ocidentais

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24 Outubro 2018

O documento final do Sínodo tentará abordar questões relativas a todos os jovens e não apenas aos problemas enfrentados por homens e mulheres jovens que vivem em países ocidentais, disseram membros participantes do Sínodo dos Bispos.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada por Catholic News Service, 23-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Os vários discursos dos grupos de trabalho no Sínodo "nos permitiram ver a totalidade das questões que os jovens enfrentam em todo o mundo", disse o jovem samoano Joseph Sapati Moeono-Kolio, no dia 23 de outubro em uma coletiva do Vaticano para jornalistas.

“Durante as discussões que levaram à semana final do sínodo, os pequenos grupos têm sido muito específicos e intencionais para que não nos tornemos muito ocidentais com nossa abordagem", disse Sapati.

"Se haverá ou não um foco ocidental no documento, não sabemos, pois ainda não está totalmente concluído. Mas posso garantir que, em meio a esse processo, todos que tem participado do sínodo estão sendo claros em garantir que não seja um ato eurocêntrico", continuou.

Com a credibilidade de alguém que está envolvido desde os preparativos do sínodo, o cardeal Luis Antonio Tagle, de Manila, disse aos jornalistas que, "houve esse tipo de atenção à diversidade e complexidade dos contextos para que o processo não fosse acusado novamente de ser Eurocêntrico”.

“No entanto, mesmo os pequenos grupos linguísticos, são desafiados a compreender e expressar os assuntos discutidos porque toda língua carrega um mundo e uma cultura", acrescentou.

"Eu pertenço ao grupo de língua inglesa. Mas nós viemos de diferentes continentes e, percebi que estávamos usando oito ou nove tipos diferentes de inglês", disse Tagle.

"E assim, ter o rótulo 'English Group D' (Grupo inglês D, em português) não significa que entendemos as mesmas coisas quando usamos a mesma palavra. Assim, sempre haverá esse desafio de encontrar algum tipo de termo comum em meio à diversidade", observou Tagle.

O bispo congolês Bienvenu Manamika Bafouakouahou, de Dolisie, também confirmou que durante as discussões do Sínodo, havia "uma universalidade de temas" centradas em como eles afetam todos os jovens e não apenas aqueles na Europa ou no Ocidente.

Discussões, como as que dizem respeito aos católicos que se identificam como LGBTs, não são uma questão importante na África, em comparação com a Europa, disse Manamika.

No entanto, o bispo congolês disse que a maneira de trabalhar questões LGBT na África "será mais difundida" com o passar do tempo e, portanto, será um tema importante a ser discutido.

O padre jesuíta Antonio Spadaro, editor do La Civilta Cattolica, disse aos jornalistas que a representação cada vez mais diversificada ao longo da história do Sínodo dos Bispos "torna a conversa entre os padres sinodais mais rica e complexa e permite que a Igreja seja capaz de ouvir e imergir em diferentes culturas".

"Um evento como o Sínodo se torna quase um evento milagroso, onde pessoas de todas as partes do mundo compartilham a mesma fé, mas a incorporam em diferentes contextos culturais, onde podem convergir em outras questões específicas", disse Spadaro.

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