Terra Santa, a pedra jogada pelo Papa Francisco

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Por: André | 09 Junho 2014

O Papa Francisco tentará, neste domingo, dia 08 de junho, à tarde, nos jardins vaticanos, jogar uma pedra nas estancadas negociações entre israelenses e palestinos. Faz isso convidando à sua casa para rezar pela paz os presidentes de Israel e Palestina, respectivamente, Simón Peres e Abu Mazen. Um evento de “grande fôlego”, uma “pausa” nas dinâmicas político-diplomáticas, segundo definiu o padre Pierbattista Pizzaballa, o Custódio da Terra Santa que Bergoglio encarregou de organizar o encontro.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 07-06-2014. A tradução é de André Langer.

Não será uma cúpula para novas negociações ou um roteiro, mas algo muito mais importante, na ótica do crente em Deus. Será uma invocação comum que Francisco quis que tivesse acontecido durante a sua viagem à Terra Santa. Um encontro do qual participará, graças ao convite do Papa, também o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, para ser testemunha de como a unidade do cristianismo pode ser um sinal de reconciliação que ultrapassa as fronteiras das Igrejas e do mundo.

As orações das três comunidades – judaica, cristã e muçulmana – terão a mesma estrutura: uma primeira leitura de textos que falam da criação, dom de Deus ao homem; um reconhecimento de que todos os homens são filhos de Deus e o pedido de perdão, e, finalmente, a invocação da paz. Ao final, está previsto que haja duas intervenções, do Papa e dos dois presidentes, formuladas como invocação da paz e não como discursos políticos. Cada um rezará segundo suas próprias crenças: serão israelenses e palestinos – judeus, cristãos e muçulmanos – que invocarão a paz para os seus povos, indistintamente.

Desde o anúncio feito pelo próprio Francisco ao final da missa celebrada no domingo, 25 de maio, na Praça do Presépio, em Belém, mesmo quem acolheu de forma favorável a iniciativa do Papa se perguntou se não havia algo a mais por trás da proposta. Como se o oração pudesse ser somente uma tela, uma desculpa formal para fazer sentar ao redor de uma mesa israelenses e palestinos, em torno de uma nova proposta de mediação.

Mas, quem pensou nisso não foi capaz de reconhecer que para Francisco não há nada mais eficaz do que a oração: pedir, melhor dito, invocar a paz de Deus, significa trabalhar para construí-la “artesanalmente” com o empenho de cada um em cada um dos seus dias. O Papa definiu tanto Peres como Abu Mazen como “homens de paz”. E sabe que ambos são crentes. Por este motivo, a oração pela paz entre israelenses e palestinos, judeus, cristãos e muçulmanos, que se fará de forma separada de acordo com cada fé indistintamente para o bem dos dois povos, é um forte sinal.

O processo de paz parece hoje imobilizado: por um lado, pelo novo governo palestino que Abu Mazen colocou em marcha com o Hamas (organização que não reconhece o direito à existência do Estado de Israel); por outro lado, a autorização de construir milhares de novas colônias na Cisjordânia, novos assentamentos que se unem aos já existentes e que tornam sempre mais difícil o nascimento de um Estado palestino.

Anunciando o encontro deste domingo, o Papa Francisco havia dito: “Todos desejamos a paz; tantas pessoas constroem-na diariamente com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam com paciência a fadiga de tantas tentativas para construí-la. E todos – especialmente aqueles que estão a serviço dos seus próprios povos – têm o dever de se tornarem instrumentos e construtores da paz, em primeiro lugar com a oração. Construir a paz é difícil, mas viver sem a paz é um tormento. Todos os homens e mulheres desta Terra e do mundo inteiro nos pedem que levemos até Deus os seus desejos de paz”.

Francisco espera que a grande mobilização pela oração, que acompanhará em todo o mundo a invocação deste domingo, faça com que “aqueles que estão a serviço do seu próprio povo” sejam mais conscientes e coloquem mais empenho em responder concretamente às aspirações de quem diariamente vive com “o tormento” da falta de paz.

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