Assentamento Milton Santos. Agilidade do poder público no caso põe Instituto Lula na mira

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31 Janeiro 2013

A agilidade das autoridades públicas diante das reivindicações dos moradores do assentamento Milton Santos, após a invasão do Instituto Lula pode ter um duplo efeito. De um lado satisfaz os assentados, mas, de outro, pode ser vista como sinal verde para que o escritório político do ex-presidente se torne alvo de outros movimentos sociais descontentes com o governo da presidente Dilma Rousseff.

A reportagem é de Roldão Arruda e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 31-01-2013.

Antes de invadir, no dia 23, o prédio onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém sua base de operação, os assentados já tinham tentado chamar a atenção do governo: haviam ocupado, no dia 15, a sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Paulo. Paralisaram as atividades daquela repartição para cobrar ações mais firmes contra a ordem de despejo que os ameaçava.

Parece que não foram ouvidos. Em Brasília, os executivos dos órgãos ligados ao assunto reagiram de maneira protocolar, relembrando os esforços do governo para reverter a decisão judicial. Não chegaram sequer a postar nota no site do Incra sobre a invasão do edifício público.

Passados oito dias, com o despejo mais iminente, um pequeno grupo de assentados abandonou o Incra, no bairro Santa Cecília, e arriscou um ato ousado: transferiu a invasão para o escritório do velho aliado Lula, no Ipiranga. Apoiados por sindicalistas e universitários, dissidentes do MST e mais próximos do PSOL cruzaram os portões de acesso ao sobrado acusando Dilma de imobilidade.

O fato provocou correria em Brasília. No mesmo dia, o discreto ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e o presidente do Incra, Carlos Guedes, divulgaram uma nota pública conjunta - reproduzida imediatamente nos sites de suas instituições - em defesa dos assentados e das ações do governo.

Com notável disposição, Guedes viajou no dia seguinte de Brasília para Piracicaba, interior do Estado, onde tramita a ação de despejo, e, de lá, para São Paulo, até a sede do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região. Terminou o dia numa roda de assentados, em longuíssima e extenuante reunião na sede do Incra em São Paulo. Ouviu-os com muita paciência - atitude que poderia ter sido tomada dez dias antes.

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