“Não conheci o Papa, mas um ser humano”, diz refugiado que almoçou com o Papa

Revista ihu on-line

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

No Brasil das reformas, retrocessos no mundo do trabalho

Edição: 535

Leia mais

Mais Lidos

  • Vozes que nos desafiam. Celebração da Festa de Santa Maria Madalena

    LER MAIS
  • Direita cristã é o novo ator e líder do neoconservadorismo no País

    LER MAIS
  • Há fome no Brasil: 3 dados alarmantes que Bolsonaro deveria conhecer

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

Por: André | 19 Abril 2016

Hamza Rashid (foto ao lado) é como você, como eu e como Jorge Bergoglio, o Papa Francisco. Nasceu na Síria há 20 anos, morou em Damasco, não conseguiu entrar em Cambridge em benefício do filho do coordenador do programa de bolsas, estudou engenharia em Aleppo durante a guerra e, no final do ano passado, teve que fugir porque, se terminasse ali seus estudos, seria recrutado à força. No sábado, teve “um grande dia”. Hamza almoçou com o Papa.

 
Fonte: http://bit.ly/1U4x7Qs  

A reportagem é de Lluís Miguel Hurtado e publicada por El Mundo, 18-04-2016. A tradução é de André Langer.

Mesa retangular (foto abaixo). O Papa ocupou o centro de um dos lados, flanqueado por dois tradutores. De um lado sentou-se o nosso jovem protagonista. Do outro, uma menina síria, com véu. Um pouco adiante, nos lados curtos da mesa, distribuíram-se uma família síria com duas meninas e dois afegãos. De frente para o Papa, estavam o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu e o Arcebispo de Atenas Jerônimo. No almoço, era servido para todos arroz com carne, suco de laranja e uma sobremesa.

O Santo Padre abençoou a mesa. Almoçaram. “Durante o almoço, pedimos para contar ao Papa a nossa história. Eu contei a minha”, explica Hamza, que conseguiu um lugar na mesa porque “trabalho com uma ONG, todos me conhecem e gostam de mim. Eu era o rapaz certo para ter esta oportunidade”. O Papa assentia, com rictus grave, a cada história. A comunicação, lamenta o rapaz, estava muito obstruída, porque cada palavra que pronunciava devia passar por dois tradutores.

“Após relatar-lhe a minha vida, pegou as minhas mãos e me prometeu que rezaria por nós”, explica. “Nesse momento senti algo muito especial. Não posso explicar”. Uma sensação compartilhada pelo resto dos comensais refugiados, todos muçulmanos. “Tínhamos a esperança de que o Papa pudesse nos ajudar. Se ele não pode, ninguém pode”, acredita Hamza, que pediu asilo na Grécia com o desejo de reencontrar-se com sua família que está na Alemanha. Segue sob ameaça de deportação para a Turquia.

Até o momento, o mais próximo do cristianismo que Hamza tinha estado era de “alguns amigos sírios de Damasco”. No campo de Kara Tepe de Lesbos, onde agora vive, missionários canadenses falam-lhe de Jesus. Mas no Papa viu algo mais que cristianismo. “Sua visita não tinha nada a ver com a religião, mas com a humanidade. Nosso encontro foi entre humanos. Um humano com poder ajudando um humano sem nada. Não conheci o Papa, mas um ser humano”.

Mas o almoço acabou, acredita ele, muito cedo. “Teria gostado de falar com ele de tu para tu. Desejava dizer-lhe que não é erro meu nascer no lado B do mundo. Que não é culpa minha ser de um país em guerra. Que não há direito que me prenda em Lesbos só por buscar minha liberdade. Ficar preso em uma ilha por um crime não cometido. Tua vida em suspenso, longe dos teus esperando já não sei o quê. Que pergunte aos presidentes europeus o que eles fariam no meu lugar”.

 
Fonte: http://bit.ly/1U4x7Qs  

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

“Não conheci o Papa, mas um ser humano”, diz refugiado que almoçou com o Papa - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV