Cadeal Müller acusado de encobrimento sistêmico de abusos na antiga diocese

Revista ihu on-line

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Ontologias Anarquistas. Um pensamento para além do cânone

Edição: 543

Leia mais

Mais Lidos

  • O que muda (para pior) no financiamento do SUS

    LER MAIS
  • Ou isto, ou aquilo

    LER MAIS
  • Desmatamento na Amazônia aumenta 212% em outubro deste ano, aponta Imazon

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

28 Janeiro 2016

Um ex-oficial da diocese de Regensburg (Alemanha) acusou o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), de encobrir sistematicamente casos de abuso sexual durante sua década como bispo da diocese bávara.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por Global Pulse, 22-01-2016. A tradução é de Evlyn Louise Zilch.

Fritz Wallner, que já trabalhou como presidente do conselho diocesano leigo de Regensburg, afirma que o então bispo Müller e seu vigário geral, Dom Michael Fuchs, introduziram o que o Sr. Wallner chamou de, “O Sistema de Regensburg”, o que impediu tais casos de abuso de virem à tona.

Ele fez as declarações em uma longa entrevista, na edição de 14 de janeiro do prestigiado jornal alemão semanal Die Zeit.

A entrevista saiu conforme ex-membros do Regensburger Domspatzen e outras testemunhas continuaram a revelar mais histórias de abuso físico e sexual por sacerdotes dentro do coro de meninos mais famoso da Alemanha. Suas alegações incluem questionamentos oficiais sobre por que o abuso clerical foi abafado durante muito mais tempo em Regensburg que na maioria das outras dioceses alemãs.

O Cardeal Müller era bispo de Regensburg desde o final de 2002 até o verão de 2012, quando Bento XVI o chamou a Roma para dirigir escritório doutrinal do Vaticano (CDF).

Na entrevista ao Die Zeit o Sr. Wallner tentou descrever como o chamado "Sistema de Regensburg" surgiu sob Müller e as consequências que ele causou. Entre outras coisas, ele disse que Dom Fuchs, que ainda é vigário-geral da diocese, deveria renunciar.

A ex-autoridade disse que foi em 2005 quando o então Bispo Müller de repente dissolveu o conselho leigo diocesano do qual ele tinha sido membro por 22 anos. Wallner lembrou que outros bispos alemães criticaram duramente o movimento na época, mas a Congregação para o Clero o tinha apoiado.

Müller queria segurar firmemente as rédeas em suas próprias mãos e isso se mostrou fatal para a investigação interna de abuso da igreja”, disse Wallner.

Dois anos mais tarde, um caso de abuso na diocese de Regensburg atingiu as manchetes dentro e fora da Alemanha.

Católicos na paróquia de Riekofen ficaram profundamente perturbados quando descobriram que o sacerdote que tinha sido encarregado de seus filhos durante os últimos três anos havia sido preso por abusar sexualmente de menores em vinte e dois casos. Além disso, ele já havia sido condenado por abusar sexualmente de menores de idade em uma paróquia vizinha, mas as autoridades diocesanas não tinham revelado este fato à sua nova paróquia – nem mesmo ao pároco.

Então o Bispo Müller defende sua decisão de re-instalar o sacerdote dizendo que o psiquiatra do clérigo assegurou-lhe que o homem estava “curado”.

A decisão de Müller foi uma violação das orientações publicadas pela conferência dos bispos alemães de 2002, que advertiu que os padres condenados por abuso sexual de menores nunca mais devem ser autorizados a trabalhar com crianças ou jovens. No entanto, a visão de Müller era que cada diocese deveria arcar com a responsabilidade por tais casos por conta própria.

Quando perguntado naquele momento se ele se sentia responsável por re-instalar o sacerdote, agora que ele já tinha abusado de menores uma vez, Müller disse que o padre havia negado o abuso doze vezes (cara a cara) para o bispo, o que significava que ele (o padre) tinha um “visão distorcida da verdade”.

Tão tarde quanto em 2012, dois anos após que o “tsunami” de abuso sexual clerical passou pelos países de língua alemã e trouxe centenas de casos de abusos clericais à tona, Müller obstinadamente sustentou que nem o bispo em causa nem a Igreja foram responsáveis pelos abusadores. Ele disse que a responsabilidade estava exclusivamente sob o agressor.

“Se um professor da escola abusa de uma criança, não é a escola ou o Ministério da Educação, que são os culpados”, disse ele à agência de notícias alemã Dpa, em 8 de fevereiro de 2012. Isso foi apenas quatro meses antes de se tornar prefeito CDF.

Quando as primeiras acusações de abuso no coro de Domspatzen foram reveladas em 2010 e os curadores incitaram uma investigação mais aprofundada, Wallner contestou, mas as autoridades diocesanas tiveram que "pisar nos freios".

“Muitos mais vítimas teriam sido ouvidas por eles, mas infelizmente o ‘Sistema de Regensburg’ impediu que a verdade fosse revelada”, afirmou.

Católicos em Regensburg estavam profundamente preocupados que o advogado independente da diocese chamado em oito meses para novas investigações descobriram que mais de 231 meninos tinham sido abusados. Sr. Wallner disse que se estima que o número de casos não registados é provavelmente muito maior.

Em sua opinião, o documentário intitulado “Sins Committed Against Choir Boys” (Pecados cometidos contra meninos do coro), exibido na TV bávara em janeiro de 2015, foi a razão pela qual a diocese contratou o advogado independente.

“Ou seja, quando a diocese de Regensburg acordou”, explicou Wallner.

Como é bem conhecido, Dom Georg Ratzinger, o irmão de 92 anos de idade de Bento XVI, foi maestro de Domspatzen entre 1964 e 1994. Mas ele negou qualquer conhecimento de abuso.

O Sr. Wallner foi questionado se ele acreditava que era possível.

“Não!”, ele responde enfaticamente.

“Eu compartilho a opinião de Ulrich Weber, o advogado independente chamado pela diocese para futuras investigações. Ele, também, foi questionado com a mesma pergunta e sua resposta foi: ‘Na minha suposição Georg sabia’”, disse o ex-funcionário leigo.

Enquanto isso, Udo Kaiser, que foi abusado no coro escolar por anos a partir de oito anos de idade em diante, lembrou que muitos dos professores da escola tinham sido membros dos vários grupos do partido nazista (NSDAP, SS e SA) durante a Segunda Guerra Mundial. Isso significava que eles foram impedidos de ensinar em escolas estaduais.

“Nada jamais foi feito para esclarecer essas conexões nazistas", disse Kaiser ao Berlin daily Tageszeitung em 19 de janeiro.

“Eu posso dizer-lhe os nomes de quinze professores que tiveram um passado nazista. Eles nunca teriam sido autorizados a ensinar em uma escola normal”, disse ele.

Quando questionado se o Coro de Domspatzen ainda tinha um futuro após essas revelações de abuso, Kaiser respondeu: “Todo o modelo está pendurado por um fio de cabelo. Há muito poucas aplicações. O Domspatzen pode muito bem ser dissolvido. Isso é o que aconteceu com a Escola Odenwald”. 

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Cadeal Müller acusado de encobrimento sistêmico de abusos na antiga diocese - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV