Da Colônia Cecília à Greve Geral de 1917

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Por: Jonas | 27 Outubro 2015

Da Colônia Cecília à Greve Geral de 1917” foi o tema abordado em mais uma das etapas do ciclo de estudos Lutas Populares no Paraná, promovido pelo CJCIAS/CEPAT, em parceria com o Centro de Formação Milton Santos-Lorenzo Milani, e apoio do IHU. A atividade ocorreu no último sábado, 24 de outubro, na Casa do Trabalhador. O assessor, Ricardo Prestes Pazello (UFPR), fez um exercício de correlação entre a experiência anarquista da Colônia Cecília (1890-1894), em Palmeira, e a Greve Geral de 1917, que também teve impactos em Curitiba. Os dois eventos podem ser lidos e interpretados no interior do que se pode considerar o ciclo anarquista de lutas populares no Brasil (1888-1922).

 
   

O relato é de Jonas Jorge da Silva, da equipe do CJCIAS/CEPAT.

Apesar de breve, a experiência da Colônia Cecília foi muito intensa. Sonhador, determinado e de espírito rebelde, o italiano, filho de músicos, Giovanni Rossi (1856-1946), junto a um grupo de adeptos, formou uma comunidade anarquista em terras paranaenses, ainda no despontar da República Velha. Estima-se que a Colônia Cecília abrigou de 100 a 250 pessoas. Sua formação insere-se no contexto da chegada de imigrantes europeus ao Brasil, contudo, sua especificidade está no ideário de subversão dos valores conservadores e na tentativa de instaurar um tipo de sociedade sem amos, sem propriedade privada e anticlerical.  Aos que desejam compreender o que foi a Colônia Cecília a partir do ponto de vista do próprio Rossi, recomenda-se a leitura de sua própria obra denominada “Colônia Cecília e outras utopias” (Curitiba: Imprensa Oficial, 2000).

Ricardos Prestes Pazello destacou alguns princípios que considera nodais na experiência vivenciada pela Colônia Cecília:

- A comunidade levou até as últimas consequências a experiência do anarquismo, formando uma associação de pessoas sem nenhum regulamento, onde cada um vivia conforme suas ações e necessidades;

- Houve um uso coletivo da terra. A terra era propriedade comum;

- Possuíam um caixa em comum;

- Valorizavam o amor livre, sem imposição, estabelecido de forma consensual, sendo que, a qualquer momento, uma união podia ser desfeita;

- O trabalho era voluntário;

- Priorizavam as necessidades gerais.

Tais princípios formam um imaginário social subversivo, que de uma maneira ou de outra terá influência nas lutas sociais estabelecidas nas cidades. Com o fracasso do que Giovanni Rossi considerou uma “comunidade anarquista experimental”, muitos daqueles que dela fizeram parte, ao se deslocarem para outras regiões, levaram impregnados os princípios anarquistas no modo como passaram a compreender a sociedade e suas instituições. É nesse bojo que se pode interpretar a também acentuadíssima influência dos anarquistas na Greve Geral de 1917, que teve seu foco central em São Paulo, mas que também se estendeu por várias outras regiões e capitais, entre elas, Curitiba.

A Greve Geral de 1917 estoura em São Paulo como reflexo das condições internacionais impostas pela I Guerra Mundial (1914-1918), a grande miséria vivenciada pela classe trabalhadora, a tremenda carestia, a exploração da carga horária de trabalho, entre outros. Curitiba, que naquele momento contava com uma industrialização incipiente, não ficou de fora deste importante momento para a classe trabalhadora. Como sinais da vitalidade social na capital paranaense, Pazello destacou que, entre 1890 e 1920, Curitiba contou com 21 jornais operários, 47 organizações associativas, 20 greves, 2 partidos e 2 congressos operários.

A capital paranaense, em solidariedade aos grevistas da capital paulista, também impôs sua pauta de reivindicações como classe trabalhadora espoliada. Entre as reivindicações estavam: jornada de oito horas; abolição completa das multas; impedimento de crianças menores de 14 anos no trabalho; abolição dos trabalhos noturnos, exceto os necessários, com carga horária de seis horas; a responsabilidade dos patrões nos acidentes; a redução do preço dos gêneros alimentícios; diminuição dos preços de aluguel; fiscalização dos gêneros alimentícios; reintegração dos grevistas aos seus postos de trabalho, uma vez encerrada a greve.

Os grevistas da capital paranaense, assim como o movimento nacional de greve, extravasaram os pontos de reivindicação corporativos, o que tornou o movimento muito mais forte. Deste processo, pode-se dizer que tantos os trabalhadores passaram a reconhecer a sua própria força, como também a própria sociedade passou a enxergá-la. Apesar da forte repressão policial, principalmente contra as lideranças anarquistas, apontadas como responsáveis pelos rumos tomados pela greve, o resultado desse episódio foi positivo para toda a classe trabalhadora, uma vez que sua força de organização passou a ser demonstrada em outros momentos importantes da história do Paraná, claro, inserida no contexto brasileiro.

A retomada de reflexão sobre a experiência da Colônia Cecília, em Palmeira, e a influência dos anarquistas na organização dos trabalhadores em Curitiba são fundamentais para se desfazer a desertificação de nosso imaginário sobre o Paraná, como bem salientou Pazello. Tais episódios têm muito a dizer em um momento no qual as diversas forças sociais à esquerda, necessariamente, precisam forjar uma agenda de lutas populares que esteja em concordância com os verdadeiros anseios das parcelas excluídas, materialmente e simbolicamente, das riquezas produzidas no país.

Abaixo, a reprodução do poema “Aos Operários”, de Adalberto Vianna, que foi declamado na abertura de nosso último ciclo de estudos:

E agora oh! Produtor, oh! Férvido Operário
Que escravo, sonolento, exausto e moribundo
N’um século de luz, sucumbe sem vestuário,
Faminto e obcecado, inerte e gemebundo:

Não esperes jamais que o Estado, teu coveiro,
Te venha defender das garras da riqueza:
O Estado é teu verdugo, o Estado é carniceiro,
O Estado é a burguesia, o Estado é a torpeza!

Os maiores ladrões e os grandes criminosos
Ali vão se acoitar buscando a impunidade!
Só eles são os bens, nós somos “perigosos”
Defendendo a Justiça e exigindo a Verdade!

Os homens do poder impedem que se aspire
A flor da liberdade, a estrela do Anarquismo!
Porque ele vem trazer por certo quem conspire
Contra os crimes senis do falso socialismo!

É por isso que espero e sonho o Povo unido,
Soldado, camponês, doutores e operários
Na mesma inspiração de um Ideal Partido
Que destrua de fato a força dos sicários!

Eu quero ser humano e praticar a Justiça!
E vê-la praticada em todo este universo...
E desejo igualmente a extinção da cobiça
Pela união geral desse povo disperso!

A terra não tem dono! As terras se tranqueiam!
E entretanto ainda existe a tal propriedade!
Pra dividir o Mundo em pátrias que guerreiam
Combatendo o Direito, o Amor e a Liberdade!

Abaixo esta justiça iníqua que se vende!
Abaixo as leis do pobre e não dos abastados!
Que tal desigualdade o nosso brio ofende
E nos faz com razão eternos revoltados!

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