Religião e clima: uma Cúpula das Consciências profética?

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Por: André | 27 Julho 2015

Uma monja budista que convida toda a assembleia – entre eles ministros – para respirar e se colocar em sintonia com a natureza; um hindu que cita Gandhi para fazer um apelo para mudar sua atitude; crianças que levam um globo terrestre ao patriarca Bartolomeu, na presença de um Laurent Fabius ligeiramente desestabilizado... Uma coisa é certa: quem teve a oportunidade de participar da Cúpula das Consciências sobre o Clima, no dia 21 de julho, no Conselho Ecumênico, Social e Ambiental, saiu com o sentimento de ter vivido um momento excepcional.

 
Fonte: http://bit.ly/1emuAyR  

A reportagem é de Isabelle de Gaulmyn e publicada por La Croix, 22-07-2015. A tradução é de André Langer.

Excepcional, em primeiro lugar, por sua forma. É a primeira vez que, na França laica, o papel das religiões e espiritualidades é reconhecido e inclusive celebrado: em um lugar eminentemente republicano, ver budistas com seu traje típico, hindus vestidos com sári, xamãs indígenas com seu cocar de penas, um mulá com turbante, um rabino com sua kippah e padres de túnica, convocarem, em nome da sua fé, para uma outra relação com a natureza, com o patrocínio do presidente de República, que veio para fazer a abertura dessa cúpula, representa, sem dúvida alguma, uma novidade.

O Papa Francisco

A publicação pelo Papa Francisco de uma encíclica sobre o clima, a Laudato si’, que tem uma sólida fundamentação ao mesmo tempo científica, econômica e ambientalista, sob este ponto de vista contribuiu muito para tornar confiável, entre os políticos, o discurso religioso.

Mais excepcional ainda foi a emoção perceptível dos convidados políticos presentes (de François Hollande a Michael Higgins, presidente da República da Irlanda, passando por Janos Pasztor, pelo secretário-adjunto da ONU, Laurent Fabius, e Ségolène Royal) para tratar de temas sob um ângulo nada habitual para eles. Em uma sociedade em que a política está desacreditada e onde o sentido está dramaticamente ausente do debate público, havia ali a manifestação de uma certa humildade e também um desejo de encontrar um novo sopro para a ação política.

A COP 21

Isso pela forma. Mas e sobre o conteúdo, qual é a contribuição de um dia como esse? Concretamente, não muito significativa, como reconheceu o próprio Nicolas Hulot, o mentor desta manifestação. (1) Laurent Fabius recordou: o que lhe importa para chegar a um acordo sobre o clima é convencer os 195 chefes de Estado em dezembro próximo. Cabe, portanto, aos políticos, em última instância, a decisão. Diante disso, qual é o peso do xamã de um povo de indígenas da Amazônia prestes a desaparecer, ou de uma budista de rosto enrugado e de respiração frágil? Nenhum, em todo o caso, comparado com as calculadoras dos negociadores da COP 21. Mas tem um peso muito maior, sem dúvida, nos espíritos. Nisso, a cúpula não era política, mas profética.

Nota:

(1) A cúpula foi organizada pelo Grupo Bayard (que edita especialmente o jornal La Croix), pela ARC (associação que ajuda as religiões no desenvolvimento de programas ambientais), pelo CESE e R20 (Religions of Climate Action).

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