Obama pede fim de 'cura gay' após petição motivada por suicídio de jovem transgênero

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10 Abril 2015

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou publicamente terapias psiquiátricas criadas para "curar" jovens gays, lésbicas e transgêneros.

A declaração de Obama foi uma resposta a uma petição online que pede a proibição destas chamadas terapias de conversão. Em apenas três meses, o abaixo-assinado conseguiu 120 mil assinaturas.

A mobilização foi inspirada pelo caso de Leelah Alcorn, uma adolescente transgênero de 17 anos que cometeu suicídio em dezembro.

A informação é publicada por BBC Brasil, 09-04-2015.

Em uma carta postada no Tumblr, Alcorn, nascido homem, afirmou que iria se matar após anos de dificuldades com os pais, cristãos rigorosos que se recusavam a aceitar a identidade que ela acreditava ter, feminina.

"A única forma de descansar em paz é se, um dia, pessoas transgênero não forem tratadas como eu fui... Minha morte precisa significar algo. Consertem a sociedade. Por favor", escreveu a jovem.

Em resposta à petição, Valerie Jarrett, assessora de Obama, escreveu: "Compartilhamos nossa preocupação a respeito dos efeitos potencialmente devastadores nas vidas de jovens transgêneros e também de gays, lésbicas, bissexuais e homossexuais".

"Como parte da dedicação à proteção da juventude dos Estados Unidos, este governo apoia os esforços para proibir o uso da terapia de conversão para menores", acrescentou.

Com a declaração, a Casa Branca não está pedindo de forma explícita que o Congresso norte-americano aprove uma legislação proibindo estas terapias em todo o país. Mas Mara Keisling, diretora-executiva do Centro Nacional para a Igualdade de Transgêneros, elogiou o comunicado.

"Ter o presidente Obama e o peso da Casa Branca por trás dos esforços para proibir a terapia de conversão é crucial na luta pelos jovens transgêneros e LGBT", afirmou.

A terapia de conversão conta com forte apoio de grupos conservadores e religiosos nos Estados Unidos.

Aconselhamento e orações são usados frequentemente nessas terapias para ajudar cristãos a lidarem com seus desejos quando eles procuram tratamento.

David Pickup, terapeuta especializado em terapia de conversão, que trabalha nos Estados da Califórnia e do Texas, disse ao jornal "New York Times" que menores de idade não deveriam ser forçados à terapia, mas que o desejo homossexual muitas vezes está ligado a algum sério trauma emocional ou abuso sexual.

"Acreditamos que a mudança ainda é possível", disse ele. "As pessoas vão à terapia pois elas podem mudar, porque realmente funciona. Ajudamos as pessoas a se tornarem realmente elas mesmas."

Grupos de ativistas que defendem os direitos de homossexuais e LGBTs e também grupos de profissionais de saúde afirmam que as terapias de conversão podem aumentar o risco de depressão ou suicídio.

Os Estados da Califórnia e de Nova Jersey já proibiram a prática. Estados mais conservadores, entretanto, como Oklahoma, analisam legislações para proteger essas terapias de possíveis vetos ou proibições federais.

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