Misericórdia, a ''palavra mágica'' do papa

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16 Março 2015

Grande entusiasmo por parte dos movimentos e das associações eclesiais, frieza por parte dos grupos tradicionalistas e conservadores. No dia seguinte ao anúncio de Bergoglio de um Ano Santo extraordinário dedicado à misericórdia (de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016), as reações católicas são quase todas de sinal positivo, com algumas exceções.

A reportagem é de Luca Kocci, publicada no jornal Il Manifesto, 15-03-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"O Papa Francisco fez uma grande surpresa e um grande presente para a Igreja com a convocação desse novo Ano Santo, porque impulsiona o povo de Deus à misericórdia, que é o coração do Evangelho", comentou o cardeal Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana. "A Igreja italiana expressa alegria e gratidão e está à espera de indicações para logo se pôr em movimento."

"Alegria e gratidão" também são manifestadas pela Ação Católica – a mais numerosa associação laical – através da responsável nacional das ACRs (Ação Católica Juvenil, na sigla em italiano) e os Papaboys, que talvez já imaginem grandes eventos de massa, como foi para o Jubileu do ano 2000.

Frieza, ao contrário, por parte do grupos conservadores – não em grande sintonia com o Papa Francisco –, que escolhem, no máximo, o caminho do silêncio: a notícia do Ano Santo nem sequer aparece nos sites e nos blogs do mundo tradicionalista, geralmente muito loquazes quando se trata de lançar cruzadas em defesa dos "princípios inegociáveis" ou contra a "teoria de gênero", o hit do momento. Certamente, teria sido diferente se o tema do Jubileu não fosse a misericórdia, mas a "Verdade".

O único que se expressou foi o vice-responsável nacional da Aliança Católica, Massimo Introvigne, no jornal on-line La Nuova Bussola Quotidiana, para avisar "que, mais ou menos maliciosamente, confunde a misericórdia com uma absurda negação do pecado".

E também fala ou, melhor, escreve o ateu devoto Giuliano Ferrara, no jornal Il Foglio, líder da oposição de direita ao pontificado de Bergoglio: "O fim de reconquistar o mundo é santo, mas os meios implicam o alto risco de que seja o mundo que definitivamente irá reconquistar você, apagando você como contradição ou sinal de contradição. Parece-me que estamos uma casa à frente, nesse segundo caminho."

Quem exultou também foi o mundo político, nacional e romano, pensando, sobretudo, no dinheiro que virá para Roma, junto com os milhões de peregrinos de todo o mundo. "Em poucos meses, teremos dois eventos de caráter mundial que irão chamar novamente a atenção de milhões de pessoas, a Expo Milão e, logo depois, o Jubileu, que moverão fluxos turísticos extraordinários, e todo o país deverá se comprometer para valorizar e gerir essa onda", diz o ministro dos Bens Culturais, Franceschini (que, talvez, pensasse na primeira página do jornal Il Manifesto desse sábado: "Expope 2015").

"O Jubileu é um evento que vai dar um grande salto no PIB de Roma – argumenta o prefeito da capital, Marino –, todos agora se concentram nas centenas de milhões que serão necessários para melhorar as viabilidade e as infraestruturas, mas não pensam nos bilhões de euros que chegarão pelas dezenas de milhões de pessoas que se deslocarão na nossa cidade."

E a Confcommercio já faz as contas: "A indução para os setores envolvidos pelo Jubileu, ou seja, turismo, comércio e serviços, aumentará entre 15% e 20%, ou seja, milhões de euros a mais durante o ano".

O cardeal Kasper – muito próximo de Bergoglio –, entrevistado pelo jornal La Repubblica, tenta diminuir os entusiasmos que vêm das calculadoras ("O Jubileu do ano 2000 foi o evento com que Wojtyla arrastou a Igreja ao terceiro milênio, e milhões de peregrinos por 12 meses se encontraram em Roma, houve eventos litúrgicos, espetáculos, encontros. Não acredito que, para o Jubileu da misericórdia, será a mesma coisa.").

Mas Dom Fisichella, o grande organizador, aos microfones da Rádio Vaticano, ao contrário, dá a entender que o Ano Santo também será um evento de massa, como, aliás, foram todos os jubileus da história, ocasiões em que o papado, no entanto, reafirma a própria centralidade e o próprio primado: "A máquina organizativa já está em movimento", e "Roma está acostumado a acolher massas de peregrinos e de turistas".

Voltando ao valor espiritual do Ano Santo, o da misericórdia é um dos temas prediletos de Bergoglio, indício evidente da sua atenção mais pastoral do que doutrinal. E também poderia ser a saída para o difícil caminho das reformas, anunciadas mas ainda não implementadas. Seja a da Cúria, definida, de um lado, pelo papa como "a última corte da Europa", e que, de outro, permaneceu substancialmente intacta na sua estrutura. Seja as que se referem às questões da família e dos casais (divorciados, homossexuais etc.), objeto de debate no Sínodo que se concluirá em outubro.

A "palavra mágica" da misericórdia poderia, então, ser a solução para manter tudo junto: doutrina (e estrutura) inalterada e pastoral inclusiva.

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