Sínodo, o verdadeiro desafio de Francisco

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23 Setembro 2014

Faltam pouco mais de duas semanas até o início do Sínodo dos bispos sobre família e matrimônio, e será um momento crucial na vida da Igreja – como não se via desde a época do concílio Vaticano II, ou seja, exatamente há cinquenta anos.

O comentário é de Massimo Faggioli, publicado por Europa, 19-09-2014.

Após um ano no qual as tensões permaneceram embutidas, fraseadas num código decifrável por aquela versão sofisticada da sovietologia que é a vaticanologia, a  oposição ao Papa Francisco e ao cardeal Kasper é posta a descoberto em livraria.

Sai nestes dias e em várias línguas Permanecer na verdade de Cristo, que tem como principais autores (entre outros) os principais opositores à proposta de Kasper: os cardeais Müller (alemão, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé), Caffarra (arcebispo de Bolonha e um dos teólogos morais de João Paulo II), Walter Brandmüller (alemão e historiador da Igreja), Velasio de Paolis (delegado pontifício para Legionários de Cristo) e Leo Burke (americano, canonista e prefeito da Signatura Apostólica).

Considerações teológicas e pastorais. Resta ver se também no Sínodo estes cardeais tentarão abrir espaço aos próprios argumentos tradicionalistas acusando as igrejas ortodoxas (que são aquelas teologicamente mais próximas da Igreja católica) de terem fundamentalmente comprometido a teologia e a práxis sobre o matrimônio (a famosa “economia”, ou seja, pastoral da misericórdia) por causa das relações entre Igreja e política no mundo oriental. As repercussões sobre o mundo ecumênico são difíceis de imaginar.

De modo semelhante, a revista internacional de teologia Communio publicou recentemente um número especial sobre o matrimônio, com artigos dos cardeais Scola e Ouellet, intitulado Matrimônio.

Os representantes da velha guarda da ortodoxia vaticana estarão presentes ao Sínodo, onde as presenças contam como as ausências (neste caso, é de notar a ausência do cardeal Ruini). A tentativa é claramente aquela de opor-se à tese de Kasper por uma nova práxis em relação aos divorciados redesposados, articulada em dois best seller (tanto na Europa como na América), intitulados Misericórdia, e O Evangelho da família.

A ação em curso da parte dos cardeais alinhados contra o Papa Francisco e Walter Kasper recorda de longe o livro-entrevista do cardeal Ratzinger com Vittorio Messori, Il Rapporto sulla fede [A relação sobre a fé], que foi publicado (em muitas línguas) em 1985 e influenciou o Sínodo extraordinário, antes daquele que está para iniciar).

Era o livro-entrevista de um teólogo do concílio, que por muitos motivos se tornou o manifesto da revanche anti-conciliar de teólogos bem menos valentes do futuro Bento XVI. Uma diferença é que em 1985 tomou corpo a estreita relação entre João Paulo II e o seu teólogo de referência para a política doutrina vaticana, enquanto hoje o Papa Francisco não tem um Ratzinger no ex Santo Ofício, e a Cúria romana e o episcopado mundial ainda são amplamente como João Paulo II e Bento XVI os plasmaram dos anos oitenta até 2013.

Mas, a fundamental diferença entre trinta anos atrás e hoje, em termos de uma política eclesiástica é que o Papa Francisco impostou o Sínodo de modo claramente bipartido: as nomeações de Francisco de membros do Sínodo claramente contrários à sua visão pastoral do matrimônio diz muito sobre a busca de vozes diversas da parte do Papa. A “sinodalidade” na Igreja conta com o fato que no final dos debates prevaleça a substância teológica, espiritual e cultural dos argumentos, mais do que o alinhamento desta ou daquela posição. É um desafio, talvez o decisivo do pontificado.

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